Por Ricardo Stumpf Alves de Souza

domingo, 9 de outubro de 2011

Rapidinhas
Im-Previdência

   Pois é, amigos leitores. Há dois anos que estou tentando obter uma tal Certidão de Tempo de Contribuição (CTC), do governo do Estado da Bahia, exigida pelo INSS, para averbar meu tempo de serviço como sub-gerente de obras na Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus.
     Apesar de já ter mostrado ao INSS meus contracheques da época, com os descontos previdenciários para o Instituto de Previdência do Estado da Bahia (IAPSEB na época) e toda a documentação que prova meu cargo, tempo de serviço e remuneração, o INSS exige o tal CTC, para incluir esse período na minha contagem de tempo para a aposentadoria.
     A UESC diz que quem tem que fornecer a certidão é o governo do estado através da FUNPREV (novo nome do IAPSEB). Já fui à Salvador, tentar resolver isso e me diseram que quem tinha que fornecer era o órgão onde eu prestei servço, ou seja, a UESC. Inclusive o funcionário de Salvador ligou para Ilhéus na minha frente e orientou o funcionário da universidade sobre o procedimento e me garantiu que o documento iria pelo correio para minha casa. Nunca recebi nada.
     Depois disso voltei a Ilhéus e me forneceram outro documento, que o INSS também não aceitou.
     Antes disso, entrei no site da FUNPREV, onde é possível solicitar esse documento on-line, e fiz o pedido - EM JULHO DE 2009 - e até agora, quando acesso meu protocolo só aparece o seguinte: status: solicitado.
     Não é ótimo? De que serve informatizar o serviço se ele não funciona? Enquanto isso estou pagando minha contribuição ao INSS sobre o tempo que me resta para conseguir a aposentadoria, sem poder ver reconhecido o meu direito. O INSS alega que a certidão tem que ser feita pelo governo do Estado para que eles possam fazer a cobrança do repasse das contribuições feitas. Mas os documentos que eu apresentei (contracheques e declarações ofciais de tempo de prestação de serviço) não são suficientes para que eles façam esta cobrança?
     Cabe ao contribuinte ficar intermediando essa pendência entre um órgão federal e outro estadual? O certo é que eles se resolvessem entre si, sem deixar o ônus para o servidor que prestou o serviço, contribuiu e agora não tem seu direito reconhecido.
     Revoltante.

Al Moody's 

     Pois é gente, estou suspeitando que a Al Qaeda está infiltrada na tal agência de classificação de risco Moody's. Nunca vi agência mais terrorista. Rebaixou a nota da Grécia e o país faliu. Depois foi a vez de Portugal, da Espanha e da Itália. Aí rebaixou a nota dos Estados Unidos, colocando Obama na maior encrenca, depois rebaixou a nota do maior banco da Bélgica, ontem rebaixou a nota de dez bancos ingleses e hoje disse que pode rebaixar a nota da dívida de longo prazo da Bélgica.
     Cada vez que a economia ocidental ensaia uma recuperação a Moody's ataca, causando perdas de bilhões de dólares no mundo inteiro.
     Caramba, isso é muito mais eficiente que carros bomba! Com é que ninguém tinha pensado nisso?
     Um rebaixamentozinho aqui, outro ali e lá se vão milhões de empregos e o ocidente patina, numa crise sem saída à vista. Sugiro aos serviços secretos das potências ocidentais fazerem uma investigação lá dentro. É capaz de encontrarem alguns discípulos de Bin Laden, muito bem instalados e ainda por cima ganhando milhões de dólares especulando com títulos dos países que eles vão destruindo, um a um.
      
Ainda não caiu a ficha

     Tem gente que não aceita virar a página e insiste em viver no passado.
     Vejam o caso de alguns líderes mundiais, como o venezuelano Hugo Chaves. Esta semana anunciou bombásticamente que estava fazendo um acordo comercial com a Rússia, o que incluiria a compra de armas, como se os Russos ainda fossem inimigos dos Estados Unidos.
     Na falta de uma política melhor para o seu país, Chaves quer restabelecer o clima da guerra fria, que acabou há 20 anos. Aliás não é só ele. O próprio Obama anuncia que só restabelecerá relações com Cuba depois que aquele país fizer progressos rumo à democracia, como se Cuba ainda fosse uma perigosa base soviética. O engraçado é que eles se relacionam com um monte de ditaduras pelo mundo, muitas sustentadas por eles mesmos, como as dos países árabes, que agora estão sendo derrubadas pelos seus próprios povos, sem nunca exigir nada em troca.
     E o pré-candidato a presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, Mitt Romney, que anunciou que Deus quer que os Estados Unidos governem o mundo? Pior ainda, disse que gostaria de estabelecer uma "relação privilegiada" com a América Latina. Sabemos muito bem o que isso quer dizer. Quando eles falam em relações privilegiadas estão falando em fazer alianças com o pior tipo de direita que existe por aqui, para promover golpes de estado e acabar com a nossa independência e democracia.
     Que Deus nos livre dessa gente.
    
Violência nas escolas 


     Estou cansado de ouvir as mesmas opiniões conservadoras sobre violência nas escolas.
     De que antigamente não era assim e sou do tempo em que os alunos respeitavam o professor e precisamos de mais disciplina, etc. Mas a verdade é que ninguém quer ver a falência de um sistema que se baseia justamente na disciplina e na imposição, para lidar com anseios e demandas de uma geração que não aceita mais ser reduzida a meros ouvintes e quer ser tratada com respeito.
     É incrível como os professores e as próprias escolas nunca assumem sua parte de culpa nos eventos. A responsabilidade é invariavelmente atribuída aos próprios alunos ou às suas famílias, além de outros fatores recorrentes, como a televisão, a internet, as drogas, o consumismo, etc.
     Não se trata de negar a violência que existe nas ruas, e que não poderia deixar de invadir o espaço das escolas (porque só a escola seria preservada desse fenômeno?), mas de perceber que a maioria dos professores não sabe lidar com seus alunos, não tem a menor noção de psicologia e nem de democracia e não faz questão de ter.
     A escola em si, seja ela pública ou privada, brasileira ou estrangeira, de todos os níveis, com honrosas excessões, se baseia no autoritarismo, onde um sujeito, professor ou professora, pretende ter um domínio absoluto sobre os outros, que são tratados como meros objetos, seres passivos, que tem que aceitar tudo o que o professor diz ou faz, como se ele fosse infalível, se sujeitando a vários tipos de punição caso não se submeta docilmemente.
     Quem já não teve um daqueles professores terríveis, que faz gato e sapato com seus indefesos alunos, descarregando suas frustrações e até mesmo suas taras sobre eles? E o que se faz para coibir tantos abusos? Nada.
     O professor tem sempre a razão, é sempre a vítima. Até parece que nenhum  de nós foi vítima desse tipo de coisa no nosso tempo de escola. A diferença é que agora a possibilidade de regir violentamente saiu das telas do cinema e chegou às nossas esquinas. A revolta e a humilhação do aluno, antes curtidas em silêncio raivoso e descontadas no colega mais fraco através do bulling, tomou coragem para revidar diretamente naquele que simboliza a opressão dentro da sala de aula: o professor.
     É incrível como as escolas, tão descuidadas no ensino do português e da matemática, são tão ciosas em colocar alunos em filas, como se fossem soldados, estabelecer proibições de todo tipo e fazê-los se sentirem tão inferiores diante da autoridade do professor.
     Para que isso? Porque não estabelecer uma regra de respeito mútuo entre professores e alunos dentro de sala de aula? Os alunos não são cidadãos? Não é isso que se apregoa aos quatro ventos, de que é preciso formar cidadãos críticos e conscientes? Mas como fazê-lo se eles são reduzidas a condição de seres-objetos?
     Não sei se é porque fui formado numa escola onde a democracia era a base do relacionamento entre professores, estudantes e funcionários, o antigo CIEM, da Universidade de Brasília, mas como professor nunca tive essa dificuldade em me relacionar com meus alunos.
     Existem alunos problemas? Existem, claro. Lidar com gente nunca é fácil. Mas isso existe também nas empresas, nas repartições públicas, nas associações de qualquer tipo. Faz parte da natureza humana ser contraditório e há uma maneira melhor de lidar com isso do que apenas com medidas disciplinares.
     Talvez seja chegada a hora de uma nova educação, mais libertária, com uma democracia verdadeira dentro das escolas, que vá além das meras eleições para diretor ou para escolher representantes estudantis, onde o aluno possa fazer seu próprio currículo, desenvolver livremente sua vocação, produzir conhecimentos, ao invés de apenas recebê-los empacotados (embolorados?), trabalhar junto com os profesores na construção desse conhecimento novo, sem a preocupação de ter de se manter sob a sombra de um mestre, que na maioria dos casos, nem tem competência para propor nada de novo.
     Enquanto os professores continuarem entricheirados em seus sindicatos, reivindicando apenas aumentos, sem discutirem uma nova educação e insistindo em se manter em seus pedestais, temo que a violência só vá aumentar.E enquanto a escola pública depender de prefeitos e governadores descompromissados e a escola particular continuar a ser um simples negócio visando lucros, nada vai mudar, a não ser para pior.

      

domingo, 2 de outubro de 2011

Rapidinhas

Dragão do mar

     Dentre as maiores alegrias de passar um final de semana em Fortaleza, está a de poder conhecer o Centro de Artes e Cultura Dragão do Mar.
     Além dos vários espaços culturais, alguns descobertos e outros fechados, interligados por uma passarela de aço, vários restaurantes com mesas ao ar livre, todos lotados, dão uma demonstração do que pode ser transformar velhos edifícios de um centro urbano, num espaço cheio de vida e arte.    
     Shows de rock, misturados com peças teatrais, exposições, museus, planetário e vários sons ao vivo se espalhavam por uma espécie de esplanada, transformada pelo burburinho de gente de todas as idades, no sábado, dia 01 de outubro, quando tive a oportunidade de visitar o Centro..
     No restaurante Dragão do Mar, tive o prazer de ouvir a dupla Djane Leão (à esquerda), cantando, e Ivar Luz ao violão, com um repertório fantástico de música brasileira, durante mais de três horas, sem interrupção.
    Se for a Fortaleza, não perca!
                                 A casa dos Budas ditosos

     Fantástico o livro de João Ubaldo Ribeiro.
     É o terceiro livro do autor baiano que tenho o prazer de ler. Depois de Diário do Farol e Viva o Povo Brasileiro, posso dizer que João Ubaldo não cansa de surpreender o leitor.
     Uma história contada à partir de um pacote deixado para ele, no Rio de Janeiro, onde uma mulher narra sua vida, se transforma numa reveladora sequência de experiências sexuais, que quebram (e questionam) todos os tabus morais de nossa sociedade.
     Divertido e profundo, como tudo que esse autor faz, A casa dos Budas Ditosos, publicado pela Editora Objetiva, do Rio, em 1999 foi levado ao teatro pela atriz Fernanda Torres (à esquerda), com grande sucesso.
     Não vi a peça e infelizmente, só agora li o livro. Não deixe de ler.




Os indignados chegam aos Estados Unidos


    
     Um movimento popular semelhante aos "indignados" da Espanha, que se espalhou pela Europa e que por sua vez se inspirou na "primavera árabe", chegou finalmente aos Estado Unidos.
     Lá nos Estados Unidos o movimento se chama "Occupy" (algo como "ocupemos"). Começou em Nova York, com o lema ocupemos a Wall Street, para protestar contra o sistema financeiro que causou toda a crise que começou em 2008 e se espalhou para a Europa. Depois o movimento se espalhou pelos Estados Unidos.
     Na verdade esses movimentos protestam contra a políitica econômica neoliberal (que acredita na capacidade do "mercado" de resolver todas as questões econômicas) que esses governos insistem em aplicar para sanar a crise e salvar os bancos, jogando milhões de pessoas na miséria e no desemprego.
     Até quando os povos civilizados vão aceitar ser sacrificados para salvarem os que causaram toda a crise? Parece que o tempo está se esgotando para o FMI e outras instituições financeiras internacionais que insistem nesse modelo, que levou à financeirização da economia daqueles países.  Parece que está na hora desses governos compreenderem que esse caminho não leva a lugar nenhum, coisa que os BRICS, e a Ásia em geral, já perceberam a muito tempo.
  

Testemunha do 11 de setembro contradiz versão oficial do governo americano

     Prezados amigos leitores. Transcrevo aqui matéria do site "Operamundi", na qual um repórter americano afirma ter sido perseguido por testemunhar coisas que o governo americano não queria que fossem divulgadas. Peço desculpas pela extensão do artigo, mas achei muito importante reproduzi-las.

O jornalista  Kurt Sonnenfeld, publicou o livro intitulado El perseguido (em espanhol), que pode ser adquirido através da Amazon.com, onde conta a sua história. Confira abaixo sua entrevista à Operamundi.



Testemunha inconveniente: cinegrafista do 11/09 vive refugiado na Argentina



Kurt Sonnenfeld foi o único cinegrafista autorizado a filmar as operações de resgate das vítimas do World Trade Center, em setembro de 2001. Com livre acesso ao perímetro de desabamento das Torres Gêmeas, conhecido como "Marco Zero", o norte-americano viu e registrou cenas que, segundo ele, contradizem a versão oficial dos Estados Unidos sobre os atentados.
Por ter visto o que viu e não entregar as imagens às autoridades, Kurt vive uma trama kafkiana. Acusado pelo assassinato da própria esposa, ficou 13 meses na prisão, tanto nos EUA como na Argentina, onde mora atualmente. O governo norte-americano, no entanto, alega que o cinegrafista é um fugitivo e pressiona a Argentina por sua extradição.
Novamente casado e pai de gêmeas de cinco anos, Kurt falou, em entrevistas ao Opera Mundi, sobre a perseguição que sofre até os dias atuais, que envolve ameaças, tortura, prisão em dois países, apreensão ilegal de bens e invasões a domicílio. "Tudo isso por coisas que eu nunca quis ver e que, para ser sincero, preferia não ter visto", lamenta.

11 de setembro de 2001

Minutos antes que os relógios de Denver marcassem as 07h daquela terça-feira, o telefone tocou. Ainda sonolento, Kurt reconheceu, do outro lado da linha, a voz de John perguntando se ele tinha visto a notícia de última hora transmitida pela televisão. Em tom mais carregado de ansiedade e adrenalina que de costume, o chefe ordenou:
- Ligue a televisão e coloque na CNN.
Foram segundos para que o controle-remoto, jogado no chão ao lado da cama, fosse localizado e Kurt que se deparasse com a manchete "Pequeno avião se incrusta no WTC" ao pé da imagem que se reproduziria tantas vezes depois.
- Estamos sendo atacados! – concluiu o chefe, enquanto as teorias ainda giravam em torno de um erro de cálculo da aeronave. Kurt não entendeu: um acidente com um pequeno avião não implicava em um ataque e, sim, em um desastre de proporções remediáveis pela polícia e pelo corpo de bombeiros.
A FEMA (Federal Emergency Managment Agency), órgão governamental para o qual Kurt trabalhava, somente entra em ação quando as catástrofes são de tamanha dimensão que excedem a capacidade do Estado. Enquanto ainda se perguntava sobre a constatação do chefe, a televisão mostrou um segundo avião avançando no sentido da torre Sul, até então intacta ao lado da que ardia em chamas. Uma explosão e o espontâneo “Oh my God” do apresentador do noticiário foram suficientes para que John rompesse o silêncio e decretasse:
- Estão nos atacando, eu já disse. Vá já pra Nova York.

Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi
Kurt, a esposa, Paula, e as filhas gêmeas: recomeço de vida em Buenos Aires, na Argentina


Em menos de 15 minutos, Kurt chegou à sede da FEMA, no Colorado. Em Nova York passava das 10h e relatórios de inteligência já informavam sobre um atentado simultâneo ao Pentágono e a queda de um avião na Pensilvânia.
Como diretor de Operações de Transmissão e Difusão para Emergências Nacionais, seu trabalho consistia em monitorar o conteúdo transmitido pela televisão e divulgar a versão oficial das autoridades norte-americanas, evitando a propagação de possíveis rumores e retificando informações incorretas. Foi no desempenho desta tarefa que assistiu ao vivo, impotente e indignado, a queda das Torres Gêmeas.

Chegando ao Marco Zero

Com o tráfego aéreo suspenso e a autorização para que caças militares abatessem qualquer avião que sobrevoasse o território, Kurt se desdobrou para chegar à ilha de Manhattan, onde seu trabalho seria essencial: produzir a maior variedade possível de imagens dos escombros e operações de resgates.
Há nove anos na FEMA, o cotidiano profissional de Kurt se resumia a frequentar zonas afetadas por catástrofes. Kurt também foi a televisão durante os resgates do WTC, já que era o único que podia descumprir a mensagens de "proibido filmar" anunciadas nas dezenas de cartazes espalhados pelo local. A permissão teve que ser provada inúmeras vezes por ele, tanto para agentes do FBI que circulavam como para bombeiros, que reagiam indignados à presença da câmera.
No primeiro dia, enquanto filmava um carro de bombeiros deformado sob toneladas de escombros, um jovem vestindo um uniforme cheio de barro empurrou sua câmera violentamente. Após os esclarecimentos, o bombeiro afirmou, com tristeza e raiva:
- Dentro deste caminhão morreram muitos companheiros meus.
A frase foi concluída com uma cabeçada no nariz do cinegrafista, que não protestou. Kurt conhecia de perto a dor e os horrores sofridos pelas vítimas das catástrofes.

Dimensões do desastre

Apesar da experiência em zonas devastadas, o cinegrafista se impressionou com o que viu no Marco Zero. "Nada do que me mostraram antes me preparou para uma devastação tão massiva. Era enorme, surreal. Os escombros pareciam se estender por quilômetros, como uma vasta e pavorosa cadeia de montanhas", descreve.
O cenário apocalíptico, em meio a colunas de fumaça negra, estava conformado por destroços de vidro, concreto, metais retorcidos, quase incandescentes, que convertiam em vapor os jatos d’água saídos das mangueiras dos bombeiros, vigas de ferro cravadas no asfalto como lanças, carros (inclusive de bombeiros) soterrados pelas toneladas de escombros que vieram abaixo e restos de material de escritório cobertos por grossas camadas de cinza e pó. Abaixo de tudo, corpos soterrados.
Uma de suas principais tarefas era o registro do momento em que partes dos aviões fossem encontradas. "Filmei pedaços da fuselagem, do trem de aterrissagem, pneus e poltronas", explica ele, ressaltando que nenhuma das quatro caixas-pretas (duas de cada avião) foi localizada, apesar de serem feitas para suportar impacto e temperaturas extremas.

"O perseguido"

Kurt parecia contar com plena confiança das autoridades norte-americanas: além do registro de catástrofes, disse ter conhecido os mais herméticos segredos militares dos EUA em trabalhos para os departamentos de Defesa e de Energia, quando acompanhou de perto o transporte e armazenamento de armas químicas, nucleares e biológicas, com acesso a instalações desconhecidas pela maioria dos norte-americanos, por abrigar gás sarin e ogivas nucleares.
Os resgates do WTC, no entanto, seriam um irreversível divisor de águas em sua vida. Acostumado a ter suas fitas perdidas no desorganizado escritório da FEMA e com a falta de pedido oficial para que entregasse o material, segundo explica, Kurt guardou a gravações em casa, sem imaginar as consequências da decisão.

Gentileza de Kurt Sonnenfeld/ FEMA

Uma das imagens captadas por Kurt dias após a queda das Torres Gêmeas, em Nova York

"Quando voltei de Nova York a Denver, minha cidade no Colorado, fui recebido como um herói local. Todos os jornalistas queriam me entrevistar e as pessoas pediam para tirar foto comigo. Mas isso mudou muito rápido e para sempre. De herói, eu passei a ser um inimigo público", diz o cinegrafista.
Após o Réveillon de 2002, ao chegar em casa com a esposa, Nancy disse que queria dormir. Poucos minutos depois, o som de um disparo se propagou pelo corredor. "Corri até o quarto. Os cachorros saíram correndo, tropeçando um no outro, horrorizados. Nancy estava sentada no canto, como se estivesse em um sofá, com a arma no chão, o sangue, seus olhos ainda abertos", descreve ele, que conta ter chamado aos gritos o 911.
A morte da mulher, aparentemente um suicídio, foi apenas o início de um pesadelo, detalhadamente narrado pelo cinegrafista em seu livro publicado pela editora argentina Planeta, com o título El Perseguido, em 2009. Kurt foi acusado de assassinato de Nancy e diz ter sido colocado em cela fria e precária, sofrido torturas e maus tratos policiais.
A promotoria pedia pena de morte por assassinato, com o argumento de que Kurt não abriu a porta de casa para a entrada dos policiais e ofereceu resistência para o resgate de Nancy. "Eu estava atordoado e não encontrava as chaves, mas quando os agentes quebraram a janela, eu até os ajudei a entrar, afastando os móveis", defende-se o cinegrafista.
Segundo informações divulgadas pela imprensa dos EUA durante o julgamento, amigos e familiares de Nancy asseguraram que Kurt era viciado em heroína, o que levou o casamento a ruínas, e a polícia disse ter informações de que ele foi flagrado pela esposa consumindo a droga e dormindo com uma mulher durante uma viagem de férias à Tailândia, em 2001.
O cinegrafista, por sua vez, garante que a esposa vinha de uma família com um histórico de suicídios e que sofria, há meses, de depressão. A mãe de Nancy diz nunca ter acreditado na versão de suicídio: "Nós amávamos o Kurt, mas ele já não era a mesma pessoa", afirmou Eleanor Campbell. "De qualquer maneira, não sei por que razão a polícia de Denver não acreditou estar lidando com um caso de suicídio e o prenderam preventivamente por meses antes do julgamento", disse.
Um dia antes do julgamento, em junho de 2002, a advogada de defensa Carrie Thompson apresentou uma prova que a polícia não incluiu entre as evidências. "Nossos investigadores encontraram uma carta de Nancy, que consiste em uma mensagem de suicídio, que perguntava "o que é mais bonito que o amor e a morte? Kurt, por favor, procure ajuda".

Gentileza de Kurt Sonnenfeld/ FEMA

O cinegrafista (à direita), ao lado de um amigo, posa em meio aos escombros deixados após o atentado ao WTC

No julgamento, a Corte de Denver constatou que Nancy se suicidara e inocentou o cinegrafista. Durante os meses que passou na prisão, no entanto, Kurt diz ter tido sua casa invadida sem autorização judicial. Ao regressar, seu computador e algumas gravações tinham desaparecido. Os colegas da FEMA nunca mais entraram em contato. Seus sogros o trataram como um assassino. "Perdi tudo: casa, família, trabalho, reputação. Virei um pária no meu próprio país", conta.
Em liberdade, Kurt diz ter sido perseguido nas ruas, vigiado por agentes em cyber cafés e sofrido contínuas intimidações, novas tentativas de invasões a sua casa. Foi quando decidiu aceitar o convite de uma amiga para passar uma temporada no litoral argentino, em fevereiro de 2003. Durante a viagem, conheceu Paula, uma tradutora poliglota, com quem se casou e foi morar em um sobrado de um bairro portenho.
Em Buenos Aires, Kurt trabalhou como produtor áudio-visual e transmitia algumas imagens do WTC em programas da TV argentina. No fim de agosto de 2004, a promotoria dos EUA reabriu o caso de Kurt após receber "informações que surgiram com o depoimento de dois homens que passaram pela mesma prisão que ele em 2002".
Segundo a acusação, um dos companheiros de cela afirmou que Kurt disse ter colocado o dedo de Nancy no gatilho após ter efetuado o disparo. Outro deles, que diz ter conhecido o cinegrafista já em liberdade, afirmou que ele admitiu ter matado a esposa por não suportar a idéia de que ela o abandonasse.
Certo dia, Kurt foi abordado por agentes da Interpol em frente à sua casa. Ao ouvir a gritaria, Paula correu e tentou livrar o marido das mãos dos agentes. Kurt teve o rosto coberto com um casaco e foi empurrado para dentro de um carro. Ele foi levado a Devoto, a única e super-povoada penitenciária de Buenos Aires, com uma ordem de extradição pelo homicídio de Nancy, contradizendo a determinação da Corte de Denver. A ordem de prisão enviada às autoridades argentinas dizia que o cinegrafista era um fugitivo da justiça e solicitava que os bens de Kurt fossem confiscados e enviados aos EUA.
Nos sete meses em que Kurt permaneceu detido, Paula acionou todos os contatos e organizações de Direitos Humanos que conhecia para denunciar a situação do marido e recebeu apoio de entidades como as Mães e Avós da Praça de Maio, Familiares de Presos e Desaparecidos por Razões Políticas e do Serviço de Paz e Justiça (Separj), liderado pelo prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel.
A ação, no entanto, teve consequências: Paula denuncia ter sido perseguida, fotografada na rua, ameaçada por mensagens de texto no celular e nas ruas. Grávida durante a prisão de Kurt, Paula acabou perdendo o bebê. Na prisão, o cinegrafista conta ter sido visitado por uma diplomata norte-americana que afirmou as cortes argentinas "não diriam não" a um pedido de extradição dos EUA.
O juiz federal argentino Daniel Rafecas, porém, considerou pouco claras "algumas considerações" do pedido de extradição, afirmando que não havia garantias de que Kurt não seria condenado à pena morte – cuja aplicação é permitida no estado do Colorado e não prevista no código penal argentino -, e ordenou a liberação imediata do réu. O governo dos EUA, por sua vez, apelou à sentença e, em fevereiro de 2008, a Suprema Corte argentina rejeitou mais uma vez a extradição.
Hoje, Kurt conta com um refúgio provisório na Argentina e espera que as autoridades lhe concedam o status de refugiado político. Para a mãe de Nancy, a liberação de Kurt e a negativa à extradição pela Argentina se deve a um sentimento anti-imperialista no país vizinho. “Eu acho que ele foi [para lá] e encontrou pessoas que concordavam com o seu ódio pela ‘América’”, afirmou Eleanor Campbell à imprensa dos EUA.
Paula e Kurt, no entanto, ainda denunciam serem perseguidos e fotografados quando saem às ruas, mas se adequaram a uma rotina cautelosa, circulando somente durante o dia e em lugares frequentados por pessoas conhecidas, e trocando periodicamente o número de celular.

Versão dos atentados em cheque

Kurt revelou ao Opera Mundi que, nas semanas prévias aos ataques ao WTC, treinamentos incomuns de evacuação foram realizados nas torres e que um dia antes da catástrofe, agentes do governo se preparavam para uma simulação, prevista para o dia 12 de setembro naquele mesmo local. “Os oficiais da FEMA instalaram uma base de operações próxima às torres um dia antes do ataque”, diz ele.

Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi

Kurt em sua casa, em Buenos Aires: para o norte-americano, os atentados de 11/09 foram mal explicados

Outro fato relevado por Kurt é sobre o edifício Sete do WTC, que sofreu poucos danos estruturais, mas acabou caindo. “Tenho imagens de como o edifício ficou, após uma queda vertical perfeita, reduzido a uma pequena e organizada pilha de escombros”, conta ele, sugerindo uma implosão. Posteriormente o governo norte-americano admitiu que este prédio abrigava a maior base clandestina da CIA fora de Washington.
O edifício Seis, onde funcionava a Alfândega do país, possuía uma abóbada subterrânea onde agências governamentais armazenavam documentação classificada. O edifício foi espremido por toneladas de escombros, mas uma  Força Especial de Resgate, acompanhada por Kurt, conseguiu chegar ao local secreto no subsolo.
Equipado com lanternas, o grupo encontrou um depósito cheio de estantes vazias. “Naquele momento, não dei atenção, porque estávamos no meio do caos e corríamos perigo. Depois, a gravidade do que descobrimos começou a me intrigar”, relata. “Quando a abóbada foi evacuada? O local só pode ter sido esvaziado antes dos ataques”, conclui ele, explicando que a evacuação durou poucos minutos e que seria impossível esvaziar o local após o ataque do primeiro avião.
“A CIA não parecia preocupada com as perdas. Um porta-voz afirmou que uma equipe enviada ao local constatou que todos os documentos se reduziram a cinzas”, ironiza Kurt, recordando que “meses depois, a agência anunciou o desbaratamento de uma quadrilha colombiana de lavagem de dinheiro, graças a fotos e gravações de escutas telefônicas recuperadas no local”.
Todas as imagens que foram gravadas por Kurt no Marco Zero foram entregues a “especialistas independentes e de confiança”. Com base nas análises feitas por eles até agora, no constatado durante seu trabalho e na perseguição que sofre há 10 anos, o cinegrafista afirma: “O governo dos EUA tinha tanta necessidade de iniciar uma guerra, que não só previa os atentados e permitiu que se concretizassem, como também colaborou para que acontecessem”.

domingo, 25 de setembro de 2011

Uma nova arquitetura?
 
     
 Dentro de um seminário acadêmico sobre Correntes contemporâneas de arquitetura realizado na disciplina de projeto que ministro, numa faculdade de arquitetura, foram analisados oito temas contemporâneos, na seguinte ordem: arquitetura tradicional brasileira (ela existe?); arquitetura vernacular, movimento moderno internacional, arquitetura moderna brasileira, arquitetura pós-moderna, arquitetura high tech, arquitetura orgânica e arquitetura sustentável.
     Os trabalhos foram muito interessantes e o debate que conseguimos mais ainda, aproveitando um período em que a arquitetura mundial não tem uma tendência dominante muito forte, aceitando vários tipos de contribuições e se revelando um campo relativamente aberto a novas tendências.
     Tenho discutido muito com os alunos de graduação sobre a possibilidade de iniciarmos um novo momento na arquitetura brasileira, na medida em que vivemos também um novo momento político e econômico no Brasil, superando os maneirismos e decorativismos da febre consumista que nos atingiu, especialmente no âmbito da arquitetura de interiores.
     É natural que a nova classe média e até a nova classe rica queira consumir, e nosso mercado de consumo precisa mesmo crescer agregando novos produtos e materiais, o que nos abre um leque considerável de opções para criar coisas novas. O problema é dar uma organicidade a essas novas possibilidades, de forma a permitir que nossa arquitetura recupere a inciativa sem perder a qualidade, sem cair na tentação fácil do consumismo fútil e vulgar.
     Dentre todas as correntes analisadas, todas vigentes simultaneamente neste início de século, as mais recentes, como a orgânica e a sustentável, se destacam pelas preocupações ambientais, embora a sustentável não seja propriamente um estilo, já que a variável de sustentabilidade pode ser agregada a qualquer expressão formal. A orgânica sim surge como um estilo, voltada para as formas da natureza, embora seu surgimento esteja lá atrás no início do modernismo, com Frank Lloyd Wright nos Estados Unidos e Alvar Aalto na Finlândia, que fundaram a chamada corrente organicista do movimento moderno, representada especialmente pela famosa Casa da Cascata de Wright (acima à esquerda).
     Muitos alunos me perguntaram se Oscar Niemeyer ainda é moderno, pois pesquisando na internet, a Wikipédia (...) cita algumas de suas obras como pós-modernas  e outras até como orgânicas.
     Tenho explicado a eles que os arquitetos transitam pelos movimentos ao longo de suas vidas profissionais, mas que Niemeyer decididamente não é pós-moderno. Talvez algumas de suas obras tenham incorporado muito do organicismo, especialmente a famosa Casa das Canoas (a direita), muito integrada à natureza, mas que as curvas são uma característica sua desde o início de sua carreira, com o conjunto da Pampulha em Belo Horizonte, e que ser moderno não significa necessariamente usar linhas retas, muito identificadas com o chamado estilo internacional.
     Na verdade o modernismo, de tão duradouro, permitiu que várias gerações de modernistas se sucedessem, dando a esse movimento a possibilidade de se reinventar ao longo de décadas, sendo hoje muito mais livre de cânones do que inicialmente, podendo incluir manifestações de cor (como as de Fernando Peixoto na Bahia) e de alegria e ludicidade como em alguns projetos orgânicos, se afastando da rigidez funcionalista inicial.
      Outra constatação interessante foi feita sobre o movimento high tech, que estetizou a aplicação de materiais de alta tecnologia e usa amplamente a técnica de modelagem computadorizada para projetar volumes, que seriam impossíveis de serem desenhados com as técnicas projetivas tradicionais. Geralmente os autores desses projetos realizam grandes obras governamentais ou empresariais, se destacando as grandes torres (à esquerda), algumas já chegando perto de um quilometro de altura.
     Perguntei aos alunos porque o Brasil não está construindo alguma torre dessas, com pretensão de ser a mais alta do mundo, e fiquei satisfeito com a resposta de que esse tipo de arquitetura é, antes de tudo, uma manifestação de poder e que o Brasil não precisa disso, ao contrário, precisa de mais democracia, mais distribuição de renda e de uma arquitetura mais voltada para as necessidades da sua população.
     Depois dizem que a juventude de hoje não tem uma visão de mundo.
     É claro que as técnicas da modelagem tem que ser incorporadas à prática dos novos arquitetos, não apenas na modelagem das formas mas também das informações, usadas nos softwares conhecidos como BIM (Building Information Modeling), mas a intenção formal e a responsabilidade social e cultural serão sempre dos profissionais arquitetos, que definirão o rumo que a arquitetura brasileira vai tomar, podendo superar sua atual fase que prima pela falta geral de ousadia (com grandes excessões).
     Mas pensando sobre os resultados do nosso pequeno seminário, tive o pressentimento de que talvez uma quarta geração de arquitetos ainda muito marcada pelo modernismo mas já voltada para o orgânico (como na obra do japonês Kotaro Ide, à direita) e, certamente para  a sustentabilidade, possa nos dar uma nova safra de bons projetos, aliando a simplicidade e o despojamento modernista com a poesia das formas da natureza, usando para isso as técnicas da modelagem e incorporando alguns elementos da tradição brasileira, seja ela erudita ou vernacular, da qual faz parte a alegria do nosso povo, representada pelas nossas cores e ritmos.
    
    
    
    
    

      

Rapidinhas
    
Dilma na ONU


    Nossa presidente e deu bem na ONU, fazendo um discurso equilibrado, mas incisivo, defendendo as posições do Brasil. Aos poucos Dilma está conseguindo impor seu estilo firme e tranquilo e, talvez por isto, esteja conseguindo o respeito e o apoio de setores que tinham contradições com o jeito popular de Lula.
     Bem legal a ênfase na questão feminina, quado ela disse se sentir representando todas as mulheres do mundo, especialmente as que sofrem, as mais pobres, etc. Bom também ela ter comentado tranquilamente que sofreu torura no cárcere e fazer sua profissão de fé na justiça e na democracia.
     O apoio ao ingresso da Palestina na organização foi claro e inequívoco.
     A comparação com o discurso vacilante e populista de Obama é inevitável.
     Muito estranho ver o Brasil puxando as orelhas dos países ricos por não fazerem o "dever de casa". Confesso que não esperava viver pra ver o Brasil assumir este protagonismo.

Dois irmãos

     O Filme argentino Dois irmãos é mais uma surpresa agradável que o cinema portenho revela, depois do sucesso de O segredo de seus olhos.
     Com muita delicadeza e um ritmo tranquilo, o filme vai desenrolando a história de um casal de irmãos maduros, que tem que refazer a vida após a morte da mãe, na tranquila cidade uruguaia de Vila Laura.
     Os atores Antonio Gasalla e Graciela Borges, dirigidos por Daniel Burman, nos fazem refletir sobre a possibilidade de resolução velhos conflitos familiares e de redescobertas de vida na terceira idade.
     Vale a pena conferir.
    
     
     Por trás dos palácios...



     Interessante a reação às críticas que fiz à Brasília dos anos 60. Foi como tocar em um nervo exposto.
     Ainda está por ser contada a história da formação da sociedade conservadora que se instalou no Plano Piloto de Brasília, na década de 1960, formando sua primeira elite, e sua contradição com as cidades satélites.
     No início da cidade, a repressão aos trabalhadores foi feroz, com muitos massacres em canteiros de obras, comandados pela antiga GEB (Guarda Especial de Brasília), enquanto a nova classe média se divertia no Iate Clube.
     Poucos historiadores se dedicaram a pesquisar este período.
     Essa geração que produziu políticos como Collor, Luis Estevão, Paulo Octávio e José Roberto Arruda, dominou a cidade por muitas décadas, num ambiente que misturava provincianismo com modernidade e que ainda repercute no imaginário de seus cidadãos.
     Brasília, de projeto democrático, quase socialista, de cidade, se transformou num verdadeiro apartheid, com os pobres segregados e reprimidos em cidades dormitórios, servidas por péssimos (e caros) transportes e dotadas de indicadores urbanos muito inferiores aos do Plano Piloto, sem equipamentos de cultura e lazer.
     Como exemplo, o projeto do Centro de Cultura de Ceilândia que elaborei para o GDF em 1986, continua inacabado, 25 anos depois.
     Do projeto inicial foram construídos apenas a biblioteca e o pavilhão de cursos, faltando o teatro de arena, o cine-teatro, as quadras poliesportivas e a cobertura do forró.  
     Mesmo assim o Centro (que deveria ser cultural e desportivo), foi eleito pela população como um dos símbolos da cidade. Quem sabe o governador Agnelo Queiroz não resgata essa dívida com o povo da maior cidade satélite de Brasília.
     
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sábado, 17 de setembro de 2011

Rapidinhas

Pina Bausch

     Confesso minha ignorância: eu já tinha ouvido falar, mas não conhecia o trabalho de Pina Bausch, até assistir a defesa de tese em Artes Cênicas da diretora Carmem Pasternostro, em Salvador. Mas o fato é que estou apaixonado por tudo que essa fantástica bailarina e coreógrafa alemã fez.
     É impressionante a força da dança teatro, uma dança dramatizada, que emociona e faz a gente viajar junto com ela. Vi apenas umas poucas coisas, baixadas do Youtube, entre as quais a montagem de "A Sagração da Primavera", cujo link vai abaixo.
     Sugiro aos leitores que cliquem para assistir essa maravilha. No Youtube há muito mais, inclusive uma chamada Vallmond (lua cheia), em que os bailarinos dançam na água, que é fantástica. Há uma outra chamada´"Água", dedicada ao Brasil. Muito bonito.
     Pina nos deixou inesperadamente em 2009, aos 68 anos. Morreu apenas cinco dias após ser diagnosticada com câncer, enquanto estava em plena atividade.
    
O Pré-sal e a saúde

     Não dá pra entender. Os políticos ficam brigando pelos enormes recursos que vão entrar do Pré-sal, com Municípios e Estados lutando pelos "royalties" (impostos) que serão cobrados por um petróleo extraído a mais de 300 Km da costa.
     Por outro lado o governo arma estratégias para criar um novo imposto para financiar a saúde, que está com poucos recursos para atender sua expansão e cumprir sua finalidade constitucional de garantir atendimento gratuito e de qualidade a todfos os cidadãos brasileiros.
     Porque não destinar parte dos recursos do pré-sal para a saúde? Acho que esses recursos, retirados fora das águas territoriais brasileiras (embora estejam na zona econômica exclusiva do Brasil), não pertencem a Estados e Municípios, simplesmente porque estão em frente a eles. Pertencem à todo o povo brasileiro.
     Deveria ser feito um plebiscito a respeito do destino dessa riqueza toda, afinal ela é nossa e não dos políticos.

A semana da palestina

      Dia 23 de setembro, o Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, apresenta à ONU o pedido de reconhecimento do seu Estado Palestino.
      Mais de 130 países do mundo, inclusive o Brasil, já reconhecem o Estado Palestino, baseado nas fronteiras anteriores à guerra árabe-israelense de 1967, quando Isarel invadiu e ocupou a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, até então ocupadas por países árabes.
     A desocupação e o reconhecimento do Estado Palestino abrirão às portas para a paz no Oriente Médio, coisa que o atual governo de Israel, comandado pelo conservador Benjamin Netanyahu, não desejam de jeito nenhum, pois contraria sua política expansionista, de ocupação dos territórios palestinos.
     O governo do Israel vem sofrendo um isolamento cada vez maior no mundo inteiro, devido à sua intransigência em negociar e à política de construir assentamentos judaicos nos territórios ocupados, para criar um fato consumado que impeça a devolução dos territórios.
     As revoluções democráticas no Oriente Médio e a crise na Europa e nos Estados Unidos, deixam seus principais aliados sem muita energia para ajudá-los. Europeus e norte-americanos, ás voltas com seus próprios problemas, começam a apresentar cansaço em relação a Israel e ao governo de Netanyahu. É hora do povo israelense tirar esse radical do poder e eleger um novo governo, capaz de entender que o mundo mudou e Israel não poderá continuar fazendo o que bem entende, como disse recentemete o primeiro ministo da Turquia.
     Nossa presidente, Dilma, que vai abrir a Assembléia Geral da ONU, deve fazer um discurso em defesa do reconhecimento da Palestina. O Brasil tem moral para isso, pois foi o brasileiro Oswaldo Aranha quem propôs, em 1947, na ONU, a partilha da Palestina , para dar origem a dois estados, Israel e Palestina. Até hoje a Palestina tem sido impedida de existir. Talvez seja chegada a sua hora.

Saudosismo e Facebook

     Pois é, amigos leitores, outro dia me inscreveram numa comunidade do Facebook (Brasília 1960), sem me consultarem, dessas que a gente reencontra gente de muitos anos atrás. Fiquei curioso e comecei a olhar as pessoas que estavam na lista. Não me lembrei de quase ninguém, mas recebi algumas mensagens de gente que me conhecia.
     Alguns eu me lembrei quem eram, outros não, pois não tenho o hábito de ficar cultivando coisas antigas, pelo contrário, meu costume é ir deletando tudo e sempre olhando pra frente.
     Mas fiquei impressionado com o espírito saudosista de pessoas que parecem ter parado no tempo.
     Alguns, aposentados, parecem viver do passado, como se não tivessem mais nada a ganhar da vida. Lembram-se de velhos produtos que não existem mais, de velhos hábitos e uma senhora me mandou um anúncio do Fusca 1961, acompanhado de uma legenda onde se lia: "bons tempos".
     Francamente, não acho que 1961 tenha sido um tempo bom. Me lembro da renúncia de Janio Quadros, da CASEB, colégio em que estudei em Brasília e do qual não tenho boas recordações. Me lembro também do atraso em que vivíamos, num país em que não havia divórcio, analfabetos não podiam votar, as mulheres tinham que ser submissas aos homens, os filhos tinham que ser obedientes e de muita caretice, como festas de debutantes, cabelos cortados à escovinha e coisas do gênero.
     Me lembro também do machismo reinante, dos assassinatos de mulheres em nome da "defesa da honra", do preconceito contra os gays, dos valentões da escola, das meninhas idiotas e da guerra fria, que nos ameaçava diariamente com um holocausto planetário.
     Acho que sou muito mais feliz hoje, com meus 60 anos, e muito mais produtivo também.
     Continuo descobrindo coisas novas, amando e vivendo com muito mais intensidade do que naqueles anos de atraso.
     Acho que a vida é uma sucessão de ciclos, que vão passando e a gente tem que ir vivendo todos eles. Outro dia me dei conta de que, na minha idade, não tenho mais muita vida pela frente. Foi um choque. Eu nunca tinha pensado nisso e confesso que fiquei meio deprimido durante algum tempo. Mas depois pensei: isso é como um sorvete gostoso, só porque ele vai chegando ao fim não vamos deixar de saboreá-lo.
     A gente faz o que pode, erra, acerta, faz grandes amizades (poucas), vive paixões que um dia terminam, casa, cria filhos, mas o importante é saber recomeçar, saber reconhecer as pessoas que realmente amam a gente e as que valem a pena ser amadas.
     É claro que existem pessoas que entram na vida da gente para sempre, outras apenas passam. A maioria passa, assim como a gente também passa por eles.
     Mas hoje, se eu pudesse voltar, não retornaria de jeito nenhum. Não gostaria jamais de retornar no tempo e sigo sempre curioso sobre o que o amanhã me reserva em termos de coisas novas para aprender, mesmo que elas representem algum sofrimento.
     E agradeço a Deus todos os dias por poder ter percorrido todo este caminho, semeando frutos e colhendo também. Peço sempre por todos que amam, pelos que sofrem, pelo Brasil e pela humanidade e tenho mania de ser otimista, como Cora Coralina, que no fim de sua longa vida escreveu: nunca se esqueçam de que o presente é sempre infinitamente melhor do que o passado, o que é uma idéia fantástica, partindo de uma senhora de 90 anos.
     Não quero fusca 61, nem quero viver de saudosismo. Quero construir mais e mais coisas boas, enquanto tiver forças para trabalhar e amar.

     Abraço a todos
    

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Rapidinhas
11 de setembro
     Dia 11 se completaram dez anos do atentado das torres gêmeas e 38 anos do golpe no Chile, patrocinado pelos americanos. A grande imprensa só fala das torres, onde os americanos foram as vítimas, esquecendo-se do golpe de Estado orquestrado pelo goveno dos Estados Unidos, que bombardeou o Palácio Presidencial de La Moneda, matando o Presidente Allende e causou mais vítimas que o atentado da Al Qaeda, destruindo a democracia e os sonhos de um país, que até hoje luta para se recuperar das consequências de quase 20 anos de ditadura fascista, como se vê pelos protestos diários dos estudantes chilenos, contra o modelo de ensino implantado pelo ditador Pinochet.

     Sou absolutamente contra qualquer tipo de terrorismo, principalmente porque vitima pessoas inocentes, mas não dá pra esquecer que os Estados Unidos já causaram milhões de vítimas civis em outros países, para defender seus interesses econômicos e políticos, o que não deixa de ser um terrorismo de Estado.
     Então, ao vê-los amargar a decadência depois de 10 anos dos atentados,  não dá pra deixar de ter aquela sensação de; aqui se faz aqui se paga.
      
A privatização dos cartórios na Bahia

     Pronto, eles conseguiram de novo. No Brasil, sempre que se quer privatizar algum serviço público, segue-se um modelinho de sucatear o serviço e colocar a culpa no Estado, depois faz-se intensa propaganda de que só a privatização pode resolver e aí, com a opinião pública favorável, fica fácil defender os interesses daqueles que querem se apoderar do setor para auferir lucros enormes.
     Agora, que a Assembléia Legislativa aprovou a privatização, exige-se que os cartórios ampliem seus serviços, fazendo concursos para contratar mais funcionários e aumentem seu horário de funcionamento. Antes ninguém cobrava essas providências do Estado.
     Os titulares dos cartórios, que estão por trás dessa campanha, vão ganhar muito dinheiro e quem vai pagar somos todos nós, os contribuintes. Com certeza muita gente está levando dinheiro nessa história.

Água com fluor: uma ameaça?

     Muito interessante e instigante o artigo de Claudia Rodrigues, no Operamundi, sobre os possíveis malefícios que a adição de fluor na água pode causar à saúde humana. Depois de décadas ouvindo as autoridades dizendo que era preciso fluoretar a água para proteger nossos dentes, agora vem uma opinião radicalmente contrária, dizendo que essa história começou na Alemanha nazista.
     Um alerta sobre a introdução indiscriminada de produtos químicos na nossa dieta diária. Vale a pena ler. no link abaixo:
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/AGUA+FLUORETADA+UMA+HERANCA+NAZISTA_1606.shtml
Um recado para a Embraer
     Pois é, amigos leitores, sempre fui um aficcionado por aviões. Quando menino colecionava postais de empresas aéreas e escrevia para os fabricantes de aviões americanos pedindo fotos para colocar em um álbum. Também sou um passageiro tarimbado. Nos meus 60 anos de vida já voei em muitos modelos e empresas aéreas, do Brasil e do mundo.
     Meu primeiro voo comercial foi num Costellation da saudosa Panair do Brasil (à esquerda), na rota Rio-Belém, em 1959. Seis horas de voo direto, com muito conforto e glamour, coisas que desapareceram nessa era de transporte aéreo de massa. Já voei também nos antigos DC-3,  DC-6  e Avro 748, da FAB, DC-4 e Curtiss Comander, da extinta Paraense Transportes Aéreos, a PTA, como chamava minha tia Suzette lá de Belém.
Depois a empresa comprou uns turbo-hélices para se modernizar, os Fokker 27, também conhecidos como Hirondelle nos quais também voei, quando ia passar férias na ilha do Marajó. Outros turbohélices foram o Electra II da Varig e os Viscount da Vasp, ambos excelentes aviões. Os Electra II (abaixo à direita) tinham uma sala de estar no fundo, pra gente sentar e ficar lendo jornais e revistas. Uma delícia.
Nos jatos voei em quase todos. Caravelles da Panair, da Varig, da Cruzeiro do Sul (abaixo à esquerda), e da SAS numa viagem à Suécia, entre Estocolmo e Gotemburgo.
Nessa mesma viagem peguei um DC-9 (abaixo à direita), de Frankfurt para Estocolmo. Tinha uma asa pequenininha de dar medo.
Andei no Boeing 720 (abaixo à esquerda) da antiga PanAm, na Rota Brasília-Cidade do Panamá (com conexão para Miami num 727), no 707 da Varig, nos 727 da Varig, Vasp (o antigo super-200) e Transbrasil, nos 737 (de todas as séries), 747, 757 esses dois últimos da Ibéria, numa viagem à Europa em 1996, e nos 767 da Transbrasil.
Só não conheço os 777. Voei também no DC-10 da Varig, na rota São Paulo-Manaus. Uma delícia de avião. Nos Airbus voei no primeiro, o A-300 da Vasp, que era grandão, depois nos A-320 e A-330 da TAM, empresa em que não voo mais depois daqueles dois acidentes horríveis em Congonhas. Não acredito na manutenção dela e no treinamento de seus pilotos. Tem um dos maiores índices de acidentes do mundo.
     Na antiga Ocean Air, agora Avianca, voei nos Fokker 100 (da TAM também) e nos turbo-hélices de asa alta, Fokker 50, da Ocean Air e da Nordeste linhas aéreas, subsidiária da Varig. Também pela Nordeste e pela antiga TABA (Transportes Aéreos da Bacia Amazônica) voei de Bandeirante e depois pelos Brasília e ERJ-145 da Passaredo (abaixo à esquerda), todos fabricados pela Embraer. Só não andei ainda nos ERJ-190 da Azul.
     Voei também nos velhos Ilyushin 62 soviéticos, (à direita) da Cubana de Aviación, entre Rio e Havana, em 1997. Uma beleza de avião, com quatro turbinas na cauda. Tinha uma estabilidade enorme, nem se mexia quando estava lá em cima.
     Ultimamente tenho viajado nos novos ATR (42 e 72) da TRIP (abaixo à esquerda), que pousam em Vitória da Conquista. Um turbo-hélice de asa alta, muito simpático e confortável, feito pela mesma fabricante dos Airbus.
     Essa experiência como passageiro e minha inquietação natural de arquiteto que me faz ficar sempre pensando em organizar melhor os espaços,  me trazem algumas idéias sobre a próxima geração de aviões que a Embraer está preparando. Sei que a empresa está esperando para ver o rumo que o mercado vai tomar, para se decidir se passa a fabricar aviões maiores, para competir com os Boeings e Airbus, ou se fica mesmo no mercado regional, com aviões médios, quem sabe retornando aos turbo-hélices que abandonou.
     Como passageiro experiente, embora não seja engenheiro aeronáutico, queria dar algumas sugestões, à nossa fabricante de aviões, a terceira maior do mundo, desde o ponto de vista do usuário.
     Creio que a Embraer deveria continuar a pensar mais nas rotas curtas, de cidades médias, que estão se expandindo muito no Brasil e também na integração cada vez maior da América do Sul, que deve levar no futuro a ligações internacionais entre cidades médias (principalmente do Mercosul), ou seja, mais voos com muitas escalas.
     O problema com os aviões atuais é que eles são muito compridos e estreitos. Leva-se muito tempo para entrar e sair e mais um tempo enorme esperando as malas, especialmente em aeroportos regionais. Os novos aviões da Embraer poderia ser mais largos, para se manterem curtos. Explico.
     Pegando uma fuselagem do tamanho de um Boeing 747, por exemplo, que tem dois corredores (foto abaixo) e 10 cadeiras em cada fileira (3, 4 e 3), a Embraer poderia inovar e fazer mais um corredor, por exemplo, com uma configuração de 2 cadeiras do lado da janela, um corredor, mais 2 cadeiras, outro corredor, mais 2 um terceiro corredor e mais 2 na janela do outro lado. 
Assim teríamos 8 assentos por fileira, dois a dois, sem o incômodo assento do meio. Além disso as cadeiras poderiam ser mais largas. Assim, com apenas 20 fileiras de 8 assentos, o avião poderia levar até 160 passageiros, sem ficar tão compridão, podendo inclusive pousar em pistas mais curtas.
     Com tres corredores, os passageiros poderiam entrar e sair com mais rapidez e também se movimentar durante os voos sem aquela chatice de ficar esperando aquele carrinho do serviço de bordo passar.
     Além disso os bagageiros internos poderiam ser maiores, permitindo que a gente levasse bagagens de mão maiores, diminuindo o tempo no chek-in, as perdas de bagagens e o tempo que a gente espera pelas malas.
     Deviam também acabar com o serviço de bordo que atualmente é ridículo, oferecendo barrinhas de Nutre ou biscoitinhos que não enchem a barriga de ninguém. Melhor seria instalar umas máquinas de refrigerantes, sucos e sanduíches no fundo do avião e quem quisesse ia até lá, colocava sua moedinha e pegava o seu lanche.
     A largura extra da cabine podia inclusive permitir fazer mais banheiros e, quem sabe, até uma sala de estar como a do antigo Electra II, no fundo, com mesinha para quem quisesse comer seu lanchinho por lá mesmo. Como os voos em geral duram entre 30 minutos e duas horas, daria tranquilo para as pessoas circularem, evitando aquela sensação ruim de ficar preso à poltrona.
     Mais conforto, rapidez e economia.
     Ainda por cima o avião poderia ser espichado, a depender da demanda por aviões maiores capazes de cruzar o oceano, sem precisar refazer todo o projeto.
     Outra coisa que faz falta é um elevador para cadeirantes e corredores internos com largura suficiente para as cadeiras de rodas. Até nos ônibus urbanos o elevador para cadeirantes virou obrigatório (foto à esquerda). Não entendo porque não existe uma legislação que obrigue os aviões a adotá-los. É humilhante para os que andam em cadeiras, serem carregados escada acima em aeroportos que não tem os tais "fingers", que são aqueles tubos, tipo sanfona, que se esticam até a porta do avião pra gente desembarcar sem precisar de escadas.
    Aliás esses "fingers" restringiram a entrada e saída às portas dianteiras, atrasando o embarque e desembarque. Melhor seria usar aviões de asa alta, que ficam mais próximos do solo e tem escadas com poucos degraus e criar coberturas altas nos aeroportos, como se fossem hangares abertos, de um jeito que os aviões entrassem por baixo, protegendo os passageiros do sol e da chuva, sem nenhum "finger". Aí o avião poderia ter muitas portas e permitir uma saída rápida por todas elas. É claro que isso implicaria numa mudança na arquitetura dos aeroportos para atender uma nova geração de aviões. Mas não é isso que sempre acontece?
     Em relação à segurança, porque não colocar flutuadores sob as asas, como nos primeiros aviões transatlânticos, permitindo que eles pousem na água em caso de emergência? Qualquer rio ou lago serviria de pista de pouso, salvando muitas vidas e evitando catástrofes como a do Airbus da Air France na rota Rio-Paris.
     A Embraer está desenvolvendo um jato de asa alta para transporte militar, o KC-390 (à direita),  que talvez pudesse atender a essas especificações, se fosse adaptado para uso civil .
Quem sabe a Embraer possa introduzir um diferencial de conforto e segurança nos seus projetos, ao invés de ficar copiando velhos modelos americanos e europeus.