Por Ricardo Stumpf Alves de Souza

terça-feira, 9 de março de 2010




O que está acontecendo?

Prezados amigos

Não dá pra deixar de comentar os terremotos e inundações que se sucedem pelo mundo.
Quanto aos terremotos, é matéria especializada, da qual não entendo, mas sem dúvida a sucessão deles está muito intensa. O Chile já teve muitos grandes terremotos, mas um desta magnitude seguido de um tsunami arrasador, acho que não se tem notícia.
Algum cientista poderia nos explicar o que está acontecendo?
O noticiário das TVs segue a mesma mediocridade de sempre, mostrando e repetindo as imagens óbvias de sofrimento e destruição que aumentam a audiência, mas não vi nenhuma investigação mais séria sobre o assunto a não ser daqueles "especialistas" que a Globo arranja, completamente desconhecidos, pagos para dizerem o que a emissora quer.
Nisto tudo há um dado que ninguém levantou.
Se os grandes terremotos se dão nas chamadas falhas geológicas, principalmente no encontro das placas tectônicas, que seriam uma espécie de bandejas colocadas sobre a terra flutuando sobre o magma (aquela massa quente de lava que existe no interior da Terra) e, se a placa sul-americana sobre a qual está o Brasil, encontra-se com a placa africana no meio do oceano atlântico formando a cadeia de montanhas submarina conhecida como cordilheira meso-atlântica,  então nesse encontro podem surgir grandes terremotos.
A pergunta é: um terremoto no meio do oceano Atlântico poderia gerar um tsunami que atingisse a nossa costa? Aparentemente a resposta é sim. Então porque ninguém fala nisso se 70% da nossa população vive no litoral?
Se no Chile as vítimas foram muito menos numerosas do que no Haiti, sem dúvida é porque eles estão acostumados e preparados para os terremotos, enquanto no Haiti o povo foi pego de surpresa.
O que aconteceria no Brasil se um tsunami devastador atingisse nossa costa?

O mesmo ocorre em relação às inundações que se repetem.
Já dá para identificar um padrão. São trombas d'água que caem em pontos concentrados, despejando verdadeiros baldes gigantes de água sobre cidades que não estão preparadas para isso.
Quando se planejam redes de águas pluviais para as cidades, são levadas em conta as maiores precipitações históricas e calculada ainda uma margem de segurança, de forma que o sistema seja capaz de receber e dar passagem a grandes quantidades de água.
Mas essas trombas d'água estão muito acima das médias calculadas e não há sistema de esgotamento que consiga captá-las e dar vazão a elas.
As imagens da Ilha da Madeira foram impressionantes. Um rio invadiu as cidades repentinamente, com uma violência nunca vista, arrastando tudo.
Essas chuvas concentradas, que se repetem por toda parte, só podem ser resultado de um fenômeno: o degelo.
O aquecimento global derrete as geleiras e joga uma quantidade imensa de água no ciclo das águas, criando essas nuvens gigantescas que passeiam por aí e despejam seu conteúdo de uma só vez em cima de cidades indefesas.
Conversando com uma aeromoça da Varig, em viagem recente, ela me disse que os voos estão muito mais turbulentos de uns dois anos para cá e que em alguns casos elas não conseguem nem mesmo iniciar o serviço de bordo.
Nós que vivemos aqui em cima é que sabemos como o clima está mudando, me disse ela.

Meia-sola

Gente, estão fazendo obras de manutenção no Teatro São Carlos, em Rio de Contas.
Viva!
Trata-se de uma meia-sola, enquanto as verbas do PAC das cidades históricas não vem. A secretária do Iphan, me disse também que foram compradas cadeiras (soltas) para o Teatro.
Melhor que nada. Pelo menos alguma ação para preservar nossa única casa de espetáculos, tão maltratada.
Ela me disse também que a partir de agora os grupos de teatro não poderão mais ficar com a chave do teatro, para evitar a bagunça.
Mas não são os grupos amadores que fazem bagunça. Quem faz é a própria Coordenação de Cultura, que empresta o espaço para servir de marcenaria, para festinhas cívicas e coisas do gênero, de gente que usa e nem limpa.
Falta discutir esse critério de utilização do São Carlos de forma a garantir acesso democrático aos que praticam as artes cênicas.
A ARCA deve se pronunciar a respeito e buscar um entendimento sobre isso. O ideal seria ter alguém responsável pelo Teatro, inclusive para montar uma programação anual com grupos amadores e profissionais.

Abraço a todos

Ricardo Stumpf