Por Ricardo Stumpf Alves de Souza

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Rapidinhas
Você conhece esse olhar?

     

É impressionante, mas a foto à esquerda é de Ayrton Senna e a da direita a de Bruno Senna.
         Dentro do capacete parecem a mesma pessoa. O olhar é o mesmo.
         Parece que o tio baixou no sobrinho, para reviver suas glórias no automobilismo.
         Isso me recorda uma entrevista de Ayrton que assisti, em que ele afirmava que depois de algumas voltas nos circuitos que disputava, se sentia entrando numa espécie de túnel, onde o tempo passava mais devagar e ele não via nem os adversários, nem a platéia, como se estivesse em outra dimensão.
         Parece que seu fantasma voltou para assombrar os pilotos do mundo inteiro, principalmente alguns alemães, que só conseguiram se sobressair depois da sua morte nunca explicada.
Adeus Whitney


     Mais uma voz fantástica nos deixa, depois de confusões com drogas e remédios.
     A vida dos astros da música parece ser cheia desses altos e baixos. Para quem olha de fora é só glamour e fama, mas a realidade do trabalho deles é o stress e a dificuldade em harmonizar  a vida particular com a profissional.
     Vai fazer muita falta Whitney Houston, essa verdadeira diva da música americana.


A Grécia em pé de guerra


     A governança européia ultrapassou todos os limites do bom senso, exigindo do governo grego mais 150.000 demissões, num país que já conta com 21% de desemprego, além da diminuição do salário mínimo, diminuição de aposentadorias e cortes de pensões, entre outros absurdos. Estão jogando o povo grego na miséria para salvar alguns bancos.
     A situação beira o descontrole e as perspectivas são de rebelião civil contra a "troika" integrada pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), além dos partidos políticos tradicionais. A insensibilidade  dos políticos conservadores europeus, Angela Merkel à frente, só coloca mais lenha na fogueira das manifestações anti-capitalistas que se espalham pelo mundo.
     Pelo jeito os maias tinham razão: o mundo que conhecemos está prestes a acabar.


     Em apenas 5 meses pulamos de 10 para 15.000 acessos. Isso é uma recompensa enorme aos esforços para manter atualizado esse espaço de reflexão e notícia. Obrigado amigos.
V chega ao Brasil

     Pois é, queridos amigos, custou mas o movimento anti-capitalista global (cujo maior símbolo é a máscara do personagem do filme V de Vingança)  chegou ao Brasil e da forma mais inusitada, através das greves de policiais.
     A incapacidade dos governos da coalizão governista em dialogar com o movimento grevista, aliada ao territorismo midiático da TV Globo, em sua eterna campanha contra as greves, produziram algumas jóias do pensamento fascista, entre elas a acusação ao bombeiro carioca, de estar incitando a greve, como se fosse um crime um dirigente sindical fazer isso. Outra foi a acusação à deputada do Psol de estar orientando o mesmo dirigente sobre como agir para reforçar o movimento grevista, como se fosse um crime um partido de esquerda apoiar uma greve (e foi triste ver a deputada na defensiva ao invés de reafirmar seu direito de apoiar os grevistas).
     É a criminalização dos movimentos sociais voltando com toda força, em defesa dos interesses dos donos do capital.
     A violência com que os governos tem reprimido manifestações pacíficas pelo Brasil mostra que PT e PSDB realmente trilham o mesmo caminho, e que as disputas entre esses dois partidos se tornaram apenas cosméticas. Ambos defendem o controle do capital sobre nossa sociedade em detrimento dos direitos dos cidadãos, expressos na nossa Constituição. 
     A absurda desocupação do Pinheirinho, a polícia no campus da USP, a repressão violenta aos estudantes capixabas que protestavam contra o aumento de passagens em Vitória e outros episódios tristes, mostram qual o resultado da política de alianças do PT com a direita, a fim de se consolidar no poder. O PSDB, que se proclama social-democrata, já trilhou este caminho há muito tempo, fechando com a velha direita para conseguir governabilidade.
     O projeto deles (e quem são eles?) é criar um sistema bi-partidário, ao estilo norte-americano, em que ambos os partidos defendem o capitalismo, com algumas diferenças. As nuances estão na ênfase do PT ao controle do capital nacional, priorizando o mercado interno, enquanto o PSDB quer entregar tudo ao capital internacional, dentro da velha proposta neoliberal. Além disso, aqui, como em muitas partes do mundo, agora tentam censurar a internet, um espaço que se tornou realmente democrático e passou a ter um papel importante na manifestação e mobilização dos povos de todo o planeta.
     Agora Lula manda às favas a história do PT em São Paulo e se junta à direita mais abjeta para expulsar o PSDB do poder. Ótimo, mas qual será a verdadeira mudança? O que o povo ganhará com isso?
     O que vai ficando cada dia mais evidente é o controle da nossa sociedade por um grupo  reduzido de pessoas, em detrimento do nosso povo. A renda aumentou? O consumo vem melhorando? Muito bem, mas e nossa democracia, conquistada com tanto sangue e suor? Ela vai sendo vendida na bacia das almas em troca de bugingangas, carros, eletrodomésticos e outros bens supérfluos, enquanto nosso bem maior, que é a liberdade está sendo ameaçado por projetos de poder, que não tem mais ideologia, mas representam apenas grupos de interesses que lutam por benefícios.
     São muitos os sinais de que a estrutura do poder está apodrecendo. Juízes que se recusam a ser investigados e abrir suas contas, um sem fim de ministros corruptos, que acham que podem roubar à vontade e o máximo que lhes acontece é perder os cargos, sem ter que devolver nada nem ir para a cadeia.
     A própria greve dos policiais revelou um aspecto tenebroso da nossa sociedade: sem polícia nas ruas nos sentimos órfãos. E porque? Porque nossa sociedade está cada dia mais violenta.
     É um vale-tudo para conseguir dinheiro e bens, para ficar rico e usufruir de bens materiais e ao diabo com os princípios morais.
     Mas o Brasil agora é a sexta economia do planeta! Muito bem. Parece que voltamos ao tempo do ditador Garrastazu Médici, do milagre brasileiro e do Brasil Grande, só que em vez de ditadura temos um arremedo de democracia cada vez mais podre.
     Pude ter um bom exemplo do que está acontecendo esta semana, quando em visita a minha pequena Rio de Contas recebi várias queixas de militantes do PT de que um dirigente do partido está oferecendo a legenda aos coronéis da região, em troca de futuros cargos no governo. Eles se declaram chocados com a situação. Mas não tinham visto ainda o que estava acontecendo? Só quando a desgraça bateu à sua porta se deram conta do nível de descomprometimento desse partido com seus proclamados ideais?
     Quando saí do PT em 1990 e publiquei o livro Contracorrenteza em 1993, eu já denunciava os desvios no Partido e prenunciava o que haveria de vir. Hoje dizem que fui profético, mas eu digo que eles é que foram crédulos e se recusaram a ver o que estava diante dos seus olhos.
     O PT fez muitas coisas boas no Brasil, mas seu manancial de propostas se esgotou. Virou um partido desenvolvimentista, que tem medo do povo e não tem propostas para os principais desafios que estão à nossa frente, como a questão do meio ambiente, do desenvolvimento sustentável e de uma democracia realmente participativa, onde o povo não apenas eleja quem vai administrar a máquina do governo, mas controle a própria economia da nação, obrigando governo e empresas a se submeterem ao interesse de cada um e de todos.
     A última grande diferença entre PT e PSDB foi ao chão com a privatização dos aeroportos. Agora ficaram quase iguais, só que um é azul e o outro é vermelho.
     Pois é, amigos leitores, o sonho acabou e está na hora de arregaçar as mangas e lutar outra vez, acreditando que um outro mundo é possível.