Por Ricardo Stumpf Alves de Souza

domingo, 16 de dezembro de 2012

O Paiz
 
 
Royalties para a educação
 
     A direita mais reacionária deste país se prepara para impedir mais uma vez que o Brasil faça uma verdadeira revolução na sua educação.
     A tentativa de derrubar o veto da presidente Dilma à lei dos Royalties do petróleo, que estipula que a distribuição dos recursos dos novos contratos do petróleo será equitativa para todos os estados, respeitando-se os contratos já existentes, e destinando todos esses recursos à educação nos estados e municípios, é mais um episódio numa história que se repete desde a independência do Brasil.
     A constituição de 1824, outorgada por D. Pedro I estabelecia a educação pública e gratuita em todo território nacional, como obrigação do estado. Assim que o monarca abdicou, os fazendeiros escravistas trataram de transformá-la em letra morta, passando para as antigas províncias a responsabilidade com a instrução pública.
     Os grandes latifundiários que governavam as províncias nada fizeram para educar o povo, pois a eles não interessava um povo instruído. Antes, precisavam de gente analfabeta, que não soubesse contar, que não conhecesse seus direitos, para poder seguir sendo explorada, seja como mão de obra escrava, seja como trabalhadores "livres", sem direito a nada.
     Na República a manobra se repetiu e o Brasil foi seguindo com um povo analfabeto até a revolução de 30, quando Getúlio Vargas criou o Ministério da Educação. Mas as tentativas de fazer reformas educacionais, sempre foram no sentido de retirar direitos dos trabalhadores, transformando-os em mera mão de obra para as indústrias que se instalavam, tendo sempre o cuidado de impedir que o povo adquirisse consciência de sua situação, alcançando uma cidadania plena.
     No Governo de João Goulart, quando se tentou mais uma vez implantar a educação universal púbica e gratuita, a direita moveu uma verdadeira guerra à proposta da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, guerra esta capitaneada por Carlos Lacerda, notório direitista, defensor dos interesses das oligarquias econômicas e políticas brasileiras e mentor do golpe de estado de 1964, acabando por descaracterizar completamente a proposta e implantar um sistema que só aprofundou a dualidade do sistema educacional, com escolas boas para os ricos e ruins para os pobres.
     Na época da ditadura militar houve uma grande expansão do ensino público, mas instalou-se de vez a dualidade entre ensino de qualidade para as classes média e alta e o ensino profissionalizante para os filhos dos trabalhadores, que só precisariam ir até a oitava série e aprender a manipular as máquinas que as fábricas empregavam na produção industrial.
     Com a redemocratização, sucessivos governos falaram em priorizar a educação, mas foram só palavras ao vento. O PSDB, de Fernando Henrique, conseguiu colocar 97% das crianças em idade escolar nas salas de aula, mas só na primeira série, pois a evasão escolar continuou altíssima. Na quarta série este percentual cai para 50% ou mais, dependendo da região.
     As escolas rurais continuaram no século XIX. Uma sala de aula com uma professorinha, sem nenhum recurso, dando aulas ao mesmo tempo para as quatro primeira séries em salas multisseriadas. Uma vergonha. A educação básica continuou sob responsabilidade de municípios e estados, entes mais atrasados da federação, a maioria dos quais governados por elites retrógradas que não tem nenhum compromisso com a educação do povo.
     As escolas municipais são horríveis, pelo Brasil todo. Pense, querido leitor, e veja se você se lembra de uma escola municipal excelente. Lembrou? Nem eu.
     As escolas estaduais são menos ruins, pois cuidam dos que já sobreviveram ao sistema básico de ensino. Mesmo assim são muito fracas. Existem, é claro, as escolas modelo, mas são uma minoria, destinada a uma classe média que ainda acredita na educação pública. A grande maioria das escolas estaduais é muito ruim também.
     Agora pense novamente, amigo leitor, e veja se você se lembra de alguma escola federal ruim. Lembrou? Nem eu. Todas são boas. E porque? Porque o governo federal está distante do contencioso político local, não participa da política miúda de estados e municípios e dá uma educação de qualidade para todos.
     Darcy Ribeiro lutou até o último dos seus dias pela federalização da educação no Brasil, mas essa mesma direita que quer se apoderar dos royalties do petróleo, não deixou. Querem que o povo continue ignorante, pobre, não-cidadão, para que eles continuem dominando a política municipal e estadual, com seus favores, com suas compras de voto, com suas intimidações.
     A proposta da presidente Dilma é a primeira em muitos anos que mexe nesse vespeiro. Pretende dar 10% do PIB para a educação: uma verdadeira revolução. E olhe que ela nem tentou mexer nessa tal descentralização, que deixa a educação nas mãos das oligarquias locais. Mas eles sentiram o cheiro do perigo. Mais dinheiro para a educação é perigoso, o povo pode aprender a pensar e a votar e aí eles estarão perdidos. Vão tentar impedir de todas as maneiras, pois a sobrevivência dos corruptos e dos coronéis do interior depende da ignorância popular.
     Cabe a nós, cidadãos esclarecidos, apoiar esta proposta e fazer bastante barulho nas redes sociais.
     Queremos os royaltes do petróleo para educação!
 
     (Se alguém quiser saber mais sobre esta história, dei minha pequena contribuição no livro Escola, Espaço e Discurso).
 
    
    
     
 Rapidinhas
 
Morre um mito
Ravi Shankar
 
     Pôxa, já estou me cansando de dar notícias de falecimento de gente que fez o século XX. Agora foi Ravi Shankar, o grande músico indiano que inspirou os Beatles com sua cítara e que além de ser um artista maravilhoso, também era pai de Norah Jones, a grande cantora norte-americana.
Ouça Ravi Shankar tocando numa antiga entrevista à TV americana.
 
Corinthians campeão mundial

     Vencendo o Chelsea da Inglaterra por 1x0, gol do peruano Guerrero, o Corinthinas sagrou-se campeão mundial de clubes, neste domingo, no Japão, jogando com muita categoria e merecendo a vitória.
     A nação corinthiana encheu o estádio com incríveis 25.000 torcedores, do outro lado do mundo, com a presenção da Fiel de vários países do mundo. Impressionante.
     Parabéns Corinthians!
 
Vitória campeão da Copa do Brasil sub-20
 
 
     Em outro resultado importante, o Vitória da Bahia sagrou-se campeão da primeira Copa do Brasil sub-20, jogando em Minas Gerais contra o Atlético Mineiro. Apesar de ter perdido a partida final por 2x1, o Vitória foi campeão, graças ao resultado anterior, quando havia goleado o Galo por 4x1 no Barradão, em Salvador.
     O Vitória tem um time de base excelente para montar parte da sua equipe para 2013. Agora é saber trabalhar.
     Wallace do Corinthians e David Luiz do Chelsea, foram frutos dessa mesma divisão de base do Vitória. A turma que vem por aí promete.
 
Que país é este?
 
     Mais um massacre nos Estados Unidos, desta vez atingindo crianças.
     Sei que este tipo de ação assassina e suicida não acontece apenas lá, mas surgiu lá e vai se espalhando pelo mundo. Tanto que é chamado de doença americana.
     Como é possível que um país permita que qualquer pessoa entre numa loja e compre todo tipo de armamento que quiser, sem o menor controle? Até pelo correio se pode comprar armas pesadas nos Estados Unidos. Um país de gente desequilibrada, uma sociedade doente de violência.
     É só olhar os filmes deles, 90% tem um assassinato como tema central. Vivem em guerra contra o mundo, só pensam em matar. São especialistas em matar. Quando não tem outro povo para praticar tiro ao alvo, atiram neles mesmos.
     O que eu não entendo é a fila no consulado americano para tirar um visto. O que essa gente quer fazer num país como este?
 Dia do Arquiteto
 

 
      Em homenagem à data de nascimento de Oscar Niemeyer, o CAU, Conselho de Arquitetura e Urbanismo, resolveu criar o dia do arquiteto e do urbanista em 15 de dezembro, separado dos engenheiros. Antes comemorava-se o dia do engenheiro e do arquiteto em 11 de dezembro.
     Agora até nisto engenheiros e arquitetos estão separados (os arquitetos saíram do CREA), reafirmando a importância desta classe, a qual me orgulho de pertencer, fundamental para a qualidade das nossas edificações, do design em geral e das nossas cidades.
     Para ver a resolução, clicque no link abaixo:
 


Hacker quebra o sigilo da urna eletrônica
 

     Um hacker do Rio de janeiro, confessou que invadiu o sistema da justiça eleitoral e modificou resultados da região dos lagos, do Estado do Rio, provando que o sistema é falho e permite fraudes.
     Há muito tempo esta discussão vem se arrastando e o TSE chegou a provar o uso de urnas eletrônicas que além de enviar o voto pelo sistema, também imprimiam os votos que caíam numa urna lacrada, para permitir a conferência e a fiscalização das totalizações, mas seu uso não foi aprovado.
     A simples recusa de adotar o sistema já era considerada suspeita há muito tempo. Porque se recusar a aperfeiçoar o sistema, a não ser que grupos políticos poderosos estivessem se beneficiando da impossibilidade de conferir os resultados?
     A alegação de que esta urna custaria mais caro não faz o menor sentido, pois o TSE não poupa esforços nem despesas para aperfeiçoar o sistema eleitoral, como se pode ver nas últimas eleições, com a introdução da identificação digital em centenas de municípios.
     Acoplar uma pequena impressora na urna eletrônica resolveria todo o problema, mas o Senado não aprovou a mudança.
     Agora, com a confissão do hacker de que o sistema é vulnerável, resta perguntar quantos "eleitos" assumiram cargos neste país, sem ganharem de fato as eleições, desde que a urna eletrônica foi implantada, em 1996.
     Para ler a reportagem toda acessem o link abaixo:
 
Novo Movimento Cultural em Rio de Contas
 
      Um grupo de artistas e produtores culturais se uniu em torno da ONG Oásis e do Ponto de Cultura de Rio de Contas, para promover uma série de eventos importantes.
     Um deles já vem ocorrendo há algumas semanas, o Animeco, curso de animação com bonecos, que resultará em um curta metragem feito pelos alunos com o título; A Dança das Caveiras, a ser exibido em data próxima no Teatro São Carlos. O curso está sendo ministrado por André Mello, formado em artes visuais pela Rietveld Academie, de Amsterdã, na Holanda.
     Neste mês de dezembro é a vez do projeto Tocando a Cidade, um festival de música com bandas regionais cuja programação é a seguinte: dia 15 apresentação no Mato Grosso das bandas Flor Nativa e Folha, de Guanambi, que misturam música regional com reggae. Dia 21, apresentação na sede do município, das bandas Caboco Caipiroba de Salvador, de música regional, e Mucambo de Macaúbas, que mistura rock com maracatu e baião. Dia 30 Jon França e Banda Trifásica farão uma apresentação que mistura rock com MPB.
     Além das apresentações haverão oficinas e jam sessions, que são uma espécie de encontro musical em que músicos vão tocando sem um roteiro prévio e vão criando e inventando na hora. Jam é geléia em inglês. Jam sessions é uma espécie de geléia musical, onde um músico vai influenciando o outro e entusiasmando o público.
O programa das oficinas e outras informações sobre a programação do evento estão disponíveis no site: www.tocandoacidade.blogspot.com.br
Além desses eventos, outros estão previstos pelo grupo de realizadores culturais que está agitando a cidade, composto por Rosa do Ponto de Cultura, Glaucia e Maurizio, do Espaço Imaginário, André Mello, David e Sol.
O Carnaval Mandú, com oficinas de máscaras e 04 pré-carnavais nos finais de semana de janeiro, o Largo jardim, com intervenções para reiventar usos para a Praça do Rosário e a Rua dos Inventos, para ocupação dos espaços públicos com arte, são alguns dos eventos previstos para este verão.
Poesia da Semana



Há Momentos
Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

Clarice Lispector
Delícias de Rio de Contas
 
Cana-ah
Uma das maiores delícias de Rio de Contas é este pequeno bar, ao lado da igreja da Santíssima Trindade, onde se pode admirar a tranquilidade da praça, saboreando uma taça de vinho ou uma cerveja gelada, enquanto prova-se os deliciosos petiscos servidos. Pastéis, coxinhas e kibes, feitos na hora, que atraem muitos consumidores para as poucas mesas do bar ou para levar pra casa.
 
Sempre atendidos pela simpatia de Marisa
Pode-se colocar uma mesa na calçada e contemplar o cenário da cidade colonial...
ou da praça iluminada para o Natal.
Em Rio de Contas é meu ponto predileto, as sextas, sábados ou domingos.
Vale a pena experimentar.

sábado, 8 de dezembro de 2012

O Paiz
 
Brasil potência: pra que?
 
 
     Semana passada, um consultor indiano de uma agência internacional, dessas que fica dando notas para os bancos e para os países e lucrando em cima disso, analisando nosso fraco crescimento em 2012, disse que o Brasil não tinha capacidade, nem vontade de assumir uma posição de liderança no cenário internacional.
     Ressaltou inclusive que o termo Brics, não fazia sentido porque as cinco economias (Brasil Rússia, India, China e África do Sul) eram muito diferentes e nenhuma delas teria condições de assumir o papel das principais economias atuais do mundo, ou seja, Estados Unidos, Europa e Japão.
     Este tipo de análise parte do princípio que todos os países do mundo querem ser hegemônicos, ter uma posição econômica e militar que lhes permita dominar os outros. É uma visão que coloca os países como se fossem competidores no que eles chamam de tabuleiro internacional, como um jogo, onde é preciso se esforçar para ganhar dos outros.
     Essa mentalidade é uma resultante histórica das políticas dos antigos impérios coloniais (a agência é inglesa), que ainda se reflete na política de muitos países modernos, principalmente nos Estados Unidos. O analista, é claro, não entende que um país não tenha essas ambições, mas deseje apenas melhorar a vida de seu povo, viver bem e em paz.
     Para ele isso é falta de liderança, ou pelo menos, falta de vontade de liderar.
     No entanto, os povos que vivem melhor no nosso planeta são justamente aqueles que não se importam com isso. A Noruega, se não estou enganado, é o maior PIB per capita do mundo. Seus habitantes tem uma renda altíssima e vivem muito bem. Nem quiseram fazer parte da União Européia com medo de estragar seu bem estar, se misturando com outros povos mais atrasados economica ou politicamente, como esses que ainda são nostálgicos de seus antigos impérios (como os ingleses).
     A Suíça é outro exemplo. Vivem bem sem se meter em guerras e confusões e não querem liderar ninguém. Estão na deles.
     Então porque o Brasil teria que ter essa ambição de liderar o mundo, de tomar o lugar dos americanos? Não é muito melhor a gente continuar construindo nosso futuro tranquilamente?
     Pessoalmente, acho uma bobagem essa insistência do Brasil em querer fazer parte do Conselho de Segurança da ONU. Pra que, se nem somos uma potência militar? Temos tantos problemas ainda pra resolver na educação e na saúde, tanta pobreza, tanto atraso na infraestrutura, para que nos metermos a policiar os outros, nos metendo em confusões de povos que só sabem resolver as coisas através de guerras e violência?
     Acho que estamos vivendo um momento de profunda transformação no Brasil. Os investimentos em portos, aeroportos, ferrovias, rodovias, mobilidade urbana, só agora começam a sair do papel.
     Nos próximos anos vamos colher os frutos do pré-sal e se o projeto do governo de investir todo esse recurso em educação conseguir vencer a mentalidade retrógrada de senadores e deputados, vamos viver uma revolução do conhecimento no nosso país.
     O aumento continuado do salário mínimo, a redução de impostos (renúncia fiscal) dos juros, da energia elétrica, as políticas de incentivo à indústria e à agricultura familiar, fazem parte de um conjunto de medidas estruturais de longo alcance, cujo objetivo é substituir a exportação pelo crescimento do mercado interno, num mundo deprimido pelas crises das grandes economias.
     Isso é muito mais importante do que obter um crescimento econômico imediato, sem uma base sustentável. Vamos crescer dentro das nossas possibilidades, nos planejando, sem nos preocupar em liderar nada, estimulando a inovação e a integração dos países da América do Sul, formando um grande mercado comum e retirando, isso sim, a influência maléfica desses países hegemonistas da nossa região, o que vai beneficiar a todos os sul americanos, deixando essas ambições imperiais para os que gostam de se iludir, achando que são superiores.
     A mudança da matriz energética, que está apenas começando no Brasil, também é importantíssima. As novas concessões para instalação de parque geradores de energia eólica, devem elevar a participação deste tipo de energia limpa dos atuais 1% para 15% nos próximos 20 anos. Com isso não precisaremos fazer mais hidrelétricas, tão caras e de impacto ambiental tão grande. E a energia solar só agora vai chegando ao ponto de exploração comercial em grande escala. Ventos, sol e biomassa, são o que o Brasil mais possui.
     A inclusão dos negros e índios, através da política de cotas, já começa a dar resultados e em breve vamos superar a defasagem entre as etnias que compõem o país, enterrando definitivamente a herança maldita do modelo escravista colonial. Também a ascensão das mulheres aos cargos de comando, em igualdade com os homens, vai enterrando nosso passado machista e preconceituoso, construindo as bases para um futuro realmente democrático e promissor.
     Estamos mudando e por isso os resultados vão custar um pouco a aparecer, mas estamos no caminho certo. Ser potência militar não nos interessa, a não ser para obter a capacidade necessária para a defesa da nação e das nossas riquezas, e acho correto apostarmos na integração com nossos vizinhos, ao invés de pensarmos em competição.
     O futuro do mundo está na cooperação e não na competição. Querer liderar e dominar é um sintoma de atraso político, que só pode preocupar este tipo de gente que vive de especular com a riqueza alheia.
     A paz é mais do que uma situação provisória, é um patrimônio conquistado pelo Brasil através dos séculos e que deve ser preservado para as futuras gerações, junto com a justiça social e o progresso material em equilíbrio com a natureza.
    
    
     
Rapidinhas
 
 Morre um mestre
                       Universidade de Constantine, em Argel                                Oscar Niemeyer
 
     Mais um grande nome do século XX se vai. Desta vez foi Oscar Niemeyer o arquiteto de 105 anos que dedicou sua vida à criação e à justiça social.
     Sua característica principal foi explorar ao máximo as possibilidades plásticas do concreto armado, misturando a sensualidade das curvas ao ideário modernista e racionalizador.
     Suas principais obras se encontram em Brasília, cidade projetada por Lúcio Costa, seu mestre, com o qual trabalhou por muitos anos e com quem participou da epopéia da construção da nova capital. Tem também trabalhos espalhados por todos os continentes, como na Argélia (foto acima).
     O Eixo Monumental de Brasília (abaixo à esquerda) reúne o maior conjunto de suas obras, no que deve ser o maior conjunto arquitetônico no mundo inteiro projetado por um só arquiteto. Desde a extremidade leste, onde se situam a Estação Ferroviária, o Setor Militar Urbano e o Governo do Distrito Federal até a ponta oeste, onde está a Praça dos Três Poderes, quase todas as construções são de sua autoria.
     As excessões são o Centro de Convenções e o mastro gigante da bandeira, projetados pelo arquiteto Sergio Bernardes, a estação rodoviária e a Torre de TV, obras de Lúcio Costa. Cresci em Brasília, para onde meu pai foi transferido em 1960, e brincava em meio aquelas obras que iam surgindo do barro vermelho. Muitas vezes, no início da cidade, víamos Niemeyer sozinho, dirigindo seu Saab (um carro sueco) pelas ruas.             
     Tive o privilégio de estar com ele em duas ocasiões: a primeira quando trabalhava para o Governo do Distrito Federal e apresentei ao governador de Brasília, José Aparecido, o projeto para o Centro Cultural da Ceilândia, em 1986. Niemeyer estava presente (foto acima à direita) e aprovou minha proposta. A outra foi no ano seguinte, quando resolvi pedir demissão do GDF e temendo que depois da minha saída deformassem o projeto do Centro Cultural, fui pedir conselho a ele, que me atendeu muito gentilmente e disse: meu filho, eles mudam os meus projetos, não vão mudar o seu?
     De fato, meu projeto foi todo deformado. Construído em parte,  agora resolveram barateá-lo,  sem a menor consideração pelo que havia sido aprovado.
     Na nossa rápida conversa, falando sobre minha intenção de deixar aquele emprego e se referindo aos remanescentes da ditadura que infestavam o governo, ele me disse: Isso mesmo meu filho, vá fazer outra coisa, vá viver a vida. Isto aqui está cheio de filhos da puta!
    Niemeyer não foi apenas um mestre das curvas, mas ensinou a gerações de arquitetos a beleza da vida e a importância da luta pela justiça social.
    Ultimamente seus projetos eram cada vez mais escultóricos, e tinham importância por si mesmos, por serem de sua autoria, embora nem sempre tivessem maior valor funcional.
                                                                                                                  

Globobagens
 
 
 
     Gente, que nomes idiotas são esses que estão dando aos símbolos das copas?
     Brazuca será o nome da bola da copa 2014, Cafusa a da Copa das Confederações e Fuleco do pobre tatú-bola, mascote da copa.
     Quem é o responsável por isto? Pode ser que eu esteja delirando, mas tenho a impressão de que tamanhas idiotices só podem ter saído da fábrica de bobagens da rede Globo, mais especificamente do mais odiado de todos os locutores esportivos brasileiros: Galvão Bueno.
     Brazuca é típico de gente do tempo da ditadura militar, como ele, que tinha a preocupação em ficar exaltando o Brasil com essas patriotadas, que só nos expõe ao ridículo aos olhos do mundo.  
     Cafusa é a síntese desse tipo de mentalidade, que no tempo dos militares vendeu o Brasil como a terra do Carnaval, Futebol e Samba, como se fôssemos incapazes de criar algo além disso.
     No momento em que o Brasil começa a assumir um novo protagonismo, voltam essas demonstrações de  futilidade e provincianismo.
     Fuleco, nem se fala. Além de horroroso é um desrespeito a um mascote tão bonito e cujo nome já remete ao futebol: Tatú-bola tinha que ser o nome dele, mais nada.
     E o sorteio da copa das confederações, com aquelas apresentações ridículas de sambistas, como se a cultura brasileira fosse só aquilo? Arlindo Cruz já é um horror, ainda por cima representando a cultura brasileira. E as músicas que falavam de futebol? Tirando a do Skank todas eram dos anos 70. Só faltou cantarem Pra Frente Brasil.
     Será que vamos ficar prisioneiros desses clichês medíocres, justo na hora em que o mundo estará de olho na gente?

 O trem vem aí
 
    Parece que finalmente vai sair a licitação para o trem de alta velocidade (TAV) entre Rio, São Paulo e Campinas. O governo já anunciou que após a implantação deste trecho pretende estender a linha para Curitiba e Belo Horizonte.
     Os governos da Argentina e do Chile também já anunciaram a construção de um desses entre Buenos Aires e Santiago do Chile. Quem sabe algum dia poderemos viajar de Buenos Aires a Caracas, de Salvador a La Paz em TAVs, seguindo a tendência mundial de substituir as viagens aéreas por trens deste tipo, que poluem muito menos e são confortáveis e rapidíssimos.
 
Atoleiro europeu
 
     Críticos europeus dizem que o governo Dilma é incompetente por não ter conseguido fazer o Brasil crescer mais durante o ano de 2012. Alguns inclusive pedem a renúncia do Ministro Mantega e outros até mesmo que Dilma não se candidate a reeleição em 2014.
     Baseado neste critério, todos os governos da União Européia deveriam pedir demissão, já que não conseguiram fazer o bloco crescer nada, ao aplicarem suas políticas de ajuste fiscal.
     Conclusão: eles promovem a crise e a culpa é do Brasil.
     Engraçadinhos, não? Quando a gente não faz o que eles querem se metem logo a ditar regras, mas eles mesmos não conseguem sair do atoleiro.
 
Futebol 2013
 
     Depois de nove anos a Bahia contará com dois times na primeira divisão.
     Com a permanência (sofrida) do Bahia na série A e a ascensão (também sofrida) do Vitória, poderemos ver dois Ba-Vi na nova arena da Fonte Nova em Salvador.
     Esperamos que os dois times agora passem a se comportar realmente como grandes equipes, fazendo um planejamento realista e adequado para o ano, inclusive em relação à divulgação das suas marcas, com mais lojas vendendo seus produtos e não inventem de fazer contratações malucas, acima de suas possibilidades.
     A decisão de investir nas categorias de base é boa, mas é preciso também ter jogadores experientes para orientar a moçada.
     A Fonte Nova está ficando linda e deve estar pronta já em março. Até que enfim uma boa notícia para Salvador.
     Por via das dúvidas já garanti meu ingresso para ver Brasil-Itália. Haja coração!

Poesia da Semana
 
     Em homenagem ao ingresso da Bolívia no Mercosul, contribuindo para o avanço do sonho de concretizar a grande pátria latino-americana, deixo aqui para vocês um poema de Pablo Neruda, em homenagem à nossa América.
 
Amor America
 

Antes do chinó e do fraque
foram os rios, rios arteriais:
foram as cordilheiras em cuja vaga puída
o condor ou a neve pareciam imóveis;
foi a umidade e a mata, o trovão,
sem nome ainda, as pampas planetárias.

O homem terra foi, vasilha, pálpebra
do barro trêmulo, forma de argila,
foi cântaro caraíba, pedra chibcha,
taça imperial ou sílica araucana.
Terno e sangrento foi, porém no punho
de sua arma de cristal umedecido
as iniciais da terra estavam escritas.
Ninguém pôde
recordá-las depois: o vento
as esqueceu, o idioma da água
foi enterrado, as chaves se perderam
ou se inundaram de silêncio ou sangue.

Não se perdeu a vida, irmãos pastorais.
Mas como uma rosa selvagem
caiu uma gota vermelha na floresta
e apagou-se uma lâmpada da terra.

Estou aqui para contar a história.
Da paz do búfalo
até as fustigadas areias
da terra final, nas espumas
acumuladas de luz antártica,
e pelas Lapas despenhadas
da sombria paz venezuelana,
te busquei, pai meu,
jovem guerreiro de treva e cobre,
ou tu, planta nupcial, cabeleira indomável,
mãe jacaré, pomba metálica.

Eu, incaico do lodo,
toquei a pedra e disse:
Quem me espera? E apertei a mão
sobre um punhado de cristal vazio.
Porém andei entre flores zapotecas
e doce era a luz como um veado
e era a sombra como uma pálpebra verde.

Terra minha sem nome, sem América,
estame equinocial, lança de púrpura,
teu aroma me subiu pelas raízes
até a taça que bebia, até a mais delgada
palavra não nascida de minha boca. 
 
(Pablo Neruda, Canto geral)


Delícias de Rio de Contas
 
 

Balaio de Gato
 
     Clovis e Ana Paula, ele acupunturista e ela nutricionista, saíram de Salvador para viver em Rio de Contas, buscando qualidade de vida e a realização de projetos ligados a arte e à poesia.
     Agora começam a concretizar o sonho de harmonizar o trabalho profissional na área da saúde com a arte, feita por eles próprios ou por outros artesãos e artistas que eles vão descobrindo pelo Brasil.
     Com o término da construção de sua casa na Estrada da Cachoeira do Fraga, abriram a loja Balaio de Gato, onde além de vender sua arte servem um delicoso café expresso e até uma cerveja gelada para seus clientes, amigos e visitantes.
                 O casal desenvolve trabalhos em pintura e mosaico, além de venderem objetos de arte elaborados em várias técnicas.
 
Na loja pode-se tomar um bom café ou uma cerveja
 

 Comprar produtos elaborados em palha de côco...
em pedras...
Assim como cerâmica, literatura de cordel...
Mosaicos diversos
Geléias
                     Bebidas regionais
                                                                                                                           A arte faz parte do delicioso ambiente
 
 Onde se é sempre recebido com muita simpatia, para compras ou para um bom bate-papo.

     Para maiores informações use os telefones (77)8132-1361 ou (77) 9998-2337, ou então visite o site www.gamboa.com.br/balaiode gato.
Estrada da Cachoeira do Fraga, s/n, Rio de Contas-Ba
      Vale a pena conferir.
     


domingo, 2 de dezembro de 2012

O Paiz

 
O Planeta perdido
 
A notícia é essa:
     Uma equipe de astrônomos franceses e canadenses descobriu um planeta errante no espaço. Sem uma estrela hospedeira, o CFBDSIR214 está a cerca de 100 anos-luz do Sistema Solar, a distância mais próxima da Terra até agora encontrada para um objeto do tipo.
     Para detectar o planeta, o Observatório Europeu do Sul (ESO) contou com o chamado Very Large Telescope, um telescópio gigante localizado no topo do vulcão adormecido Mauna Kea, no Havaí.
     Fiquei pensando sobre este astro errante, perdido no espaço, sem a companhia de um sol que lhe aqueça e dê vida. Enquanto nós aqui na terra, termos água, sol, e muita vida e o que fazemos com ela?
     Pra quem acompanha o noticiário do Brasil e do mundo, dá uma tristeza enorme.
     Em São Paulo assassinatos em série, favelas sendo incendiadas com gente dentro, por especuladores imobiliários, no Brasil corrupção endêmica nos órgãos públicos, índios Guarani-kaiowá sendo expulsos de suas terras por capangas de fazendeiros, a educação em penúltimo lugar no mundo, entregue a municípios e estados que não se interessam ou não tem capacidade de gerenciá-la.
     No mundo guerras, terrorismo, carros bomba matando inocentes, na Síria um ditador que não hesita em massacrar seu povo para se aferrar ao poder, em Israel um povo que já foi tão perseguido, perseguindo outro povo, o palestino, e repetindo com eles tudo que sofreu nas mãos da loucura nazista. Nas calotas polares o gelo derrete rapidamente graças ao aquecimento global movido pela ganância empresarial.
     Preconceitos contra negros, homossexuais, violência generalizada...
     Tento me divertir um pouco no facebook e vejo um festival de besteiras, gente que não tem o que fazer atormentando os outros com suas "verdades", defendendo interesses próprios disfarçados de "causas", tentando impor suas religiões, falando de sua vida sexual...
     Dá vontade de largar tudo e sair por aí como fazia a juventude dos anos 60, como um planeta errante, sem rumo.
     Talvez eu seja mesmo como um planeta perdido, já que ainda acredito no socialismo. Vendo todo o potencial de regressão que o capitalismo é capaz de desenvolver na sociedade humana, estimulando os piores instintos, dando asas à fantasias de riqueza e poder nas pessoas, que perdem seus escrúpulos para realizá-las, ou então enchendo de frustração aqueles que não conseguem concretizar os sonhos idiotas de "ter mais" ou "ser mais" do que os outros.
     Quando vejo as crianças nos videogames das lan houses, brincando com seus jogos de matar ou de atropelar pessoas com suas armas e carros virtuais, não vejo nada que preste no futuro.
     Quando vejo as ideologias desaparecerem e os partidos se misturarem, num grande bolo sem sabor e sem recheio, penso no que será de nós, país emergente, destinado a comandar o mundo junto com Índia, China, Rússia e África do Sul, os Brics, enquanto o chamado mundo ocidental afunda.
     Eu ainda acredito em Deus, não como um ser superior, mas como um princípio, uma luz que dá sentido ao universo e que guia todos os acontecimentos. Quem sabe esteja mesmo na hora deste mundo acabar, não fisicamente, mas espiritualmente. Quero dizer esta civilização materialista, destruidora, egoísta e cada vez mais sem sentido. Talvez esteja mesmo na hora dela chegar ao seu fim, como predisseram os maias, para dar lugar a uma nova era, onde a ciência, a arte e o progresso venham ocupar o lugar de tanta estupidez.
     Para mim esta era deveria ter sido o socialismo, mas não foi. O homem não estava preparado para realizá-la e confundiu tudo, perdendo a oportunidade de construir o paraíso sobre a terra, transformando o sonho num terrível pesadelo. Mas o sonho não morreu, ele vive no coração confuso dos homens e mulheres deste pobre planeta, cada dia mais perdido.
     E quando vejo a vida tão difícil do povo e o egoísmo tão cego dos ricos, só consigo pensar que está na hora de parar, de mudar, de transformar e peço a Deus pelo nosso Brasil e por esta pobre humanidade.