Por Ricardo Stumpf Alves de Souza

sábado, 23 de julho de 2011

Rapidinhas

Acervo de Rio de Contas

     Fruto da dissertação de mestrado de Fabiano Mikalauskas de Souza Nogueira, intitulada "A Representação de Sítios Históricos: Documentação Arquitetônica Digital", realizada através do Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (FAUFBA), sob a orientação do Prof. Dr. Arivaldo Leão de Amorim, foi criado o site www.acervoriodecontas.ufba.br, que ainda está em construção, mas já conta com imagens, textos, desenhos, vídeos e contará ainda com modelos 3D de algumas construções históricas e paoramas da cidade.
     Se você se interessa por arquitetura e patrimônio histórico, vale a pena acessar e se cadastrar.

TIC 2011

     O V Encontro de Tecnologia de Informação e Comunicação na Construção, TIC 2011, ocorrerá em Salvador, nos dias 04 e 05 de agosto. O tema deste ano é: BIM - Modelando a Construção do Futuro, sobre a tecnica conhecida como Buildind Information Modeling (BIM), que está revolucionando a forma de projetar em arquitetura.
     Para maiores informação visite o site do LCAD (Laboratório de computação gráfica aplicada à arquitetura e ao urbanismo): www.lcad.ufba.br. Para se inscrever (até o dia 31 de julho) visite o site da FAPEX: www.fapex.org.br/mof/Default.aspx


Lançamento de livro I

     Recebi da Secretária de Cultura de Livramento o convite para o lançamento do livro Minhas Andanças, de Franscisco Tanajura Machado.
     Numa terra de tão poucas iniciativas verdadeiramente culturais, é uma ocasião que deve ser prestigiada.
Neste sábado, dia 23, às 20 hs.

Lançamento de livro II

     Recebi do colega Argemiro Ribeiro de Souza, professor de História da Fainor, convite para lançamento do Livro Sertões da Bahia, a ser realizado em Salvador, no dia 06 de agosto. O livro é uma coletânea de artigos, organizada por Erivaldo Fagundes Neves.

Segundo a sinopse que me foi enviada:

"Este estudo coletivo dos sertões da Bahia pretende oferecer um panorama de viveres comunitários e de recortes regionais com o objetivo de ampliar as possibilidades de investigação de suas peculiaridades e estimular novos estudos de cotidianos históricos das diversas Bahias sertanejas. Organizado para uso de alunos de História da Bahia, atende também a interesses estudiosos da economia, da sociedade, da cultura e da vida política desta unidade federativa. Apresenta análises tanto de algumas opções temáticas quanto de determinados recortes espaciais, em formato diferente dos tradicionais compêndios de história de unidades federativas, que tentam abarcar as suas totalidades territoriais. Do mesmo modo que a História do Brasil, a da Bahia não se caracteriza por um somatório de fatos e dados regionais e locais ou de assuntos sobre determinados temas, porque deve registrar os grupos sociais nas suas articulações inter-regionais, nacionais e exteriores, cujas memórias se conseguem recuperar. ..."
     Importantes para quem quer entender a história dos altos sertões da Bahia, região a qual pertencem Rio de Contas e Vitória da Conquista.
     Vale a pena conferir.







segunda-feira, 18 de julho de 2011

Rapidinhas

Uma constituinte para a Europa

     A União Européia chegou a uma encruzilhada: ou se transforma numa federação e contiua avançando na integração ou recua e abandona sua maior conquista, o moeda comum, o Euro.
     A atual crise mostrou que não adianta ter um banco central comum e uma moeda comum, se cada país tem autonomia para fazer o que quer com a sua economia. O resultado são políticas desencontradas, que formam um caldo de cultura perfeito para os especuladores.
     É claro que por trás das crises da Grécia, Portugal, Itália, Espanha e Irlanda, estão os bancos, que investiram onde não deviam, sem as garantias necessárias, muitas vezes dando aval a politicas eleitoreiras e irresponsáveis dos governos locais. Mas existe também um movimento especulatório que quer que esses países vão à falência, para impor os tais "ajustes", que implicam em privatizações e demissões em massa, reduzindo o poder dos sindicatos e aumentando o poder do capital, dentro das velhas propostas neoliberais que não convencem mais ninguém.
     Então, se os neoliberais não conseguem mais impor suas políticas através de partidos de direita, tratam de armar esses golpes especulativos para impô-las através de crises pré-fabricadas, que deixam governos e cidadãos desarmados para resisitirem ao assalto.
     A tentativa do capital europeu de impor uma Constituição neoliberal  fracassou com a recusa de holandeses e franceses em aprová-la. Agora tentam impor suas políticas de forma golpista, ilegal. A velha briga entre o que os europeus chamam de "burocracia de Bruxelas" e a vontade popular chegou a um ponto que só uma constituinte pode resolver.
     A velha direita nem fala nisso, pois uma Constituinte eleita seria soberana para construir políticas que colocassem o futuro daquelas sociedades nas mãos de seus cidadãos. A esquerda também não fala nisso, temerosa de que a perda de autonomia de seus países enfraqueça mais ainda seu poder. Mas, na verdade, não há outra alternativa ao retrocesso. Ou eles entendem que precisam se estruturar legalmente como uma federação ou a União Européia tende a se esfacelar.

O Estilo Dilma


      O Correio Braziliense reclama da falta de capacidade política da presidente, em função das medidas tomadas por ela para sanear o Ministério dos Transportes. Queriam que ela se sentasse à mesa para negociar com os corruptos, desses pequenos partidos oriundos da direita e que se abrigam agora sob as asas da chamada "base aliada".
     É claro que o Correio representa esses setores, que já tiveram tanto poder na capital federal e que agora vivem de migalhas do governo, e não se sente confortável nem para apoiar o governo Dilma, nem para deixar de apoiá-los quando eles perdem mais e mais poder.
     É uma situação ridícula e esdrúxula. Se colocam na oposição mas reivindicam apoio aos interesses dos seus aliados dentro do governo.
     Dilma resolveu o problema do Ministério da única maneira correta possível: expurgando os corruptos e indicando um ministro da confiança dela e que, ainda por cima, pertence ao PR, partido do antigo ministro. O que eles queriam? Os ministros tem que ser da confiança da presidente e não do chefe do partido. Parece que eles andaram muito mal acostumados nos últimos três governos.
     O estilo Dilma é simples e direto. Bobeou dançou.

Mia Couto


     Este é o nome do premiado autor moçambicano do livro que acabei de ler, intitutulado O último voo do flamingo (Companhia das Letras, São Paulo - 2005).
     Numa espécie de realismo fantástico africano, Couto conta as desventuras de um inspetor da ONU na longínqua vila de Tizangara, às voltas com um mistério que fazia os soldados das Nações Unidas explodirem sozinhos e, na medida em que vai nos mostrando toda a magia que regula o imaginário do povo africano, vai também revelando a grande tragédia da corrupção que vai corroendo os países da África, até que seus antepassados resolvem puni-los, roubando todo o país e deixando em seu lugar apenas um imenso buraco, por onde navega, flutuando, apenas o barco da morte, numa alegoria da roubalheira capaz de destruir tudo e todos.
     A gente recebe a opinião dos espíritos e até Zeca Andorinho já tinha dito a mesmíssima coisa_os antepassados não estavam satisfeitos com os andamentos do país. Esse era o triste julgamento dos mortos sobre o estado dos vivos.
     Já acontecera com outras terras de África. Entregara-se o destino dessas nações a ambiciosos que governavam como hienas, pensando apenas em engordar rápido. Contra esses desgovernantes se tinha experimentado o inatentável: ossinhos mágicos, sangue de cabrito, fumos de presságio. Beijaram-se as pedras, rezou-se aos santos. Tudo fora em vão: não havia melhora para aqueles países. Faltava gente que amasse a terra. Faltavam homens que pusessem respeito nos outros homens.  Vendo que solução não havia, os deuses decidiram transportar aqueles países para esses céus que ficam no fundo da terra. E levaram-nos para um lugar de névoas subterrâneas, lá onde as nuvens nascem. Nesse lugar onde nunca nada fizera sombra, cada país ficaria em suspenso, à espera de um tempo favorável para regressar ao seu próprio chão.
      Qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência.

domingo, 10 de julho de 2011

Brasília e a corrupção
     Fui criado em Brasília e acompanhei todas as etapas da evolução da cidade, mesmo depois que deixei de viver nela permanentemente, em 1972, pois sempre estou de volta para visitar minha família ou até mesmo para trabalhar, como fiz entre 1983 e 1987, entre 1993 e 94 e entre 2001 e 2004.
     Chegamos em setembro de 1960. Meu pai era do antigo IAPI e a cidade acabava de ser inaugurada e vivia-se numa espécie de acampamento de obras, uma mistura de esperança, solidariedade, modernidade e desafios para o futuro.
     Assisti a posse e à renúncia de Jânio Quadros, a posse conturbada de João Goulart e à chegada dos campeões do mundo de 1962, recebidos por Jango no Palácio do Planalto. Depois ao golpe de primeiro de abril de 1964. Nessa época minha mãe já era funcionária da Câmara dos Deputados e me levava para ver as sessões tumultuadas, das galerias do Congresso. Na véspera do golpe, impossível esquecer o debate entre o deputado golpista Padre Godinho e o deputado líder das ligas camponesas, Francisco Julião. Das galerias assisti também a posse de Castelo Branco, o primeiro presidente militar e depois assisti de perto à invasão da UnB e ao AI5, Ato Institucional que fechou o Congressou e instaurou o mais triste período da história moderna do país. Foi quando resolvi deixar a cidade, indo para o exterior.
     Assisti colegas de colégio fazerem fortuna do nada, como Luís Estevão e Paulo Octávio, ou assumirem o poder político, como Fernando Collor e Teotônio Villela, o filho. Vi muita gente subir e descer a ladeira da fortuna e da fama com a mesma velocidade e me acostumei a enxergar Brasília como uma terra de aventureiros. Qualquer um podia chegar na cidade e ter sua chance de subir na vida, pois não havia uma elite local tradicional, como nas outras cidades. Brasília sempre foi um campo aberto para os oportunistas.
     Também assisti a muita gente talentosa se perder nos meandros da burocracia, trocando vocações artísticas por um emprego seguro, um apartamento, casamentos quase sempre desfeitos, filhos e muito álcool nos bares aos sábados à noite.
     A percepção da desesperança que foi tomando conta da cidade me incompatibilizou cada vez mais com ela, até que em 2004 resolvi abandoná-la definitivamente, me mudando para a chapada diamantina e carregando comigo todas as frustrações das tentativas de viver lá.
     Antes disso tentei viver no Rio de Janeiro, onde nasci, em São Paulo, no Rio Grande do Sul, onde me formei, em Manaus, onde pude conhecer as maravilhas da Amazônia trabalhando para a Shell, mas foi a Bahia que me prendeu, apesar de todos os seus problemas, pela simpatia e generosidade de sua gente.
     Lá me casei, me separei, tive filhos, saí para tentar mais uma, duas, tres vezes viver em Brasília, mas sempre retornei. Morei em Salvador, Itabuna, Ilhéus, Vitória da Conquista e Rio de Contas, trabalhei, fiz política, amei, fui amado, me separei, chorei amores perdidos, mas plantei raízes da minha alma. Lá vivo até hoje, apesar de visitas frequentes à Brasília para acompanhar os anos difíceis da velhice de minha mãe, cercada por três dos meus cinco filhos, que permanecem ao lado dela.
     Posso dizer que conheço profundamente a alma de Brasília e me entristeço muito em dizer aos leitores, que a corrupção plantou raízes profundas na cidade, não apenas na burocracia estatal, mas na própria população que, vindo na sua maioria de pequenas cidades, enxerga nas oportunidades de pequenos golpes a possibilidade de atalhos para o enriquecimento rápido, na ausência de partidos políticos verdadeiros, capazes de guiar o povo através de princípios, de bandeiras reais de luta, em busca da construção de uma nação organizada e próspera.

     Ouso dizer que se no Brasil ainda existem valores democráticos, eles são fruto de velhas tradições, alicerçados na herança das famílias, sejam elas ricas ou pobres, criadas nos valores do respeito. Ética e cidadania são apenas palavras vãs na boca de políticos, empresários e burocratas, todos em busca de enriquecimento rápido numa sociedade que só valoriza o dinheiro e o poder.
     Por isso não me espanto com os escândalos, como o do Ministério dos Transportes. Não se trata do ministro Nascimento, ou de seu partido, o PR, como quer a grande imprensa. A corrupção está instalada em toda a Esplanada dos Ministérios e centenas de pequenas quadrilhas se eternizam, sobrevivendo ás mudanças de governo, sejam eles de esquerda ou de direita, militares ou civis, formados por gaúchos, mineiros ou paulistas.
     Cito apenas dois casos que vivi pessoalmente.
     Em 2001 entrei para o Ministério da Integração Nacional, no governo FHC. A Integração era da "cota" do PMDB. Lá trabalhei até 2003 no Programa Faixa de Fronteira, analisando orçamentos de pequenas obras e fazendo viagens de inspeção nos municípios das fronteiras do Brasil.
     Os preços das obras eram determinados por uma tabela do Sinduscon (Sindicato das Indústrias da Construção Civil), segundo uma lei promovida pelo governo de Fernando Henrique. As tabelas do Sinduscon acompanhavam mais ou menos os preços de mercado, conforme aferíamos pela revista Construção, da editora PINI, publicação séria e respeitada. A única excessão era o Acre, terra do senador Nabor Junior, que detinha grande influência na indicação do ministro.
     Lá, a tabela era muito mais elevada e não adiantava discutir isso com nosso chefe, porque ele falava que isso não nos dizia respeito e tínhamos apenas que obedecer, naquela base do "quem pode manda e quem tem juízo obedece".
     Recebíamos ordens absurdas, e houve vários conflitos e ameaças de demissão entre os funcionários, até que Lula ganhou a eleição. Na véspera de sair do poder queriam que aprovássemos uma quantidade enorme de orçamentos, sem tempo hábil para examinar nada. Tive que inventar uma doença para me livrar da pressão e só retornei após a posse. Aí tudo parou. Ciro Gomes assumiu como ministro e colocou um sujeito para bisbilhotar tudo, tentando descobrir quem deveria sair e quem deveria ficar. Me chamaram e expliquei o que sabia, que a corrupção estava ligada ao Acre. Foram desmontando a quadrilha toda. Todo dia um era demitido até que, quase no final, um deles, conseguiu ficar, pois era casado com uma petista.
     Logo tudo voltava a funcionar, com novos chefes tomando conta do butim e mantendo a mesma lambança. A quadrilha tinha conseguido sobreviver.
     Pedi demissão e fiz concurso para o MEC. Passei e fui trabalhar com um programa de escolas estaduais. O trabalho era semelhante: analisar orçamentos. Logo me jogaram um imenso processo, que já tinha três volumes, sobre uns equipamentos de video-conferências para Universidades Estaduais da Bahia. O processo era uma loucura. Começava num volume, passava para o segundo, voltava para o primeiro, continuava no terceiro... Parecia ter sido embaralhado propositalmente para que ninguém entendesse nada.
     Com a experiência acumulada na Integração Nacional, estabeleci um roteiro paralelo, onde ia seguindo os despachos até conseguir entender onde estava a falcatrua. Tinham comprado um equipamento para cada Universidade Estadual ( a Bahia tem quatro) e dois para duas faculdades particulares de Salvador.
     Questionei meu chefe e ele me disse que isso não era de nossa alçada.
     Prossegui e finalmente encontrei um imenso superfaturamento. Pagaram R$200.000,00 por um programa windows, que custava R$600,00 e muito mais. Indeferi o projeto, citando no meu despacho todas as irregularidades encontradas. Foi um corre-corre. No outro dia o representante da Bahia (eram tempos de ACM), sempre tão solícito comigo, passou por mim sem me cumprimentar. Aí começaram as pressões. Eu tinha que aprovar o processo.
     Meus colegas falavam que a quadrilha lá era antiga, formada por ex-militares (meu chefe era um deles) e que vinha desde os tempos da ditadura. Pedi demissão novamente e fui para a Chapada Diamantina, onde cheguei num nível de stress que me fez ficar seis meses estafado. Antes de sair fiz a denúncia a uma superior que me disse ter protocolado a reclamação. Nunca houve nenhuma resposta.
     Depois disso foram tantos escândalos. Mensalão, as roubalheiras de Roriz e sua turma, a queda de Arruda, e outros tantos. O Ministério dos Transportes é apenas mais um e outros com certeza virão.
      O Procurador Geral da República tinha razão quando pediu uma intervenção no DF. A corrupção não é privilégio dessa cidade, que um dia foi chamada de Capital da Esperança, mas por aqui se tornou endêmica.

     Abraço a todos

    

    

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Rapidinhas 

Adeus ao topete
     Pra quem tem mais de trinta anos, é fácil lembrar do Presidente Itamar Franco, no exercício do poder.
     Apesar de mineiro, Itamar tinha topete bastante para enfrentar alguns poderosos da época, como Antonio Carlos Magalhães, que o ameaçou com o conteúdo de uma famosa pasta cor de rosa, onde haveriam denúncias contra ele. Itamar convocou ACM ao palácio e quando este entrou no seu gabinete, mandou entrar a imprensa e disse: "pronto governador, pode revelar o que o senhor tem contra mim". ACM não tinha nada e saiu desmoralizado.
     Itamar assumiu no lugar de Collor, envolvido em escândalos de corrupção e derrubado por um impeachmeant. Com seu jeitão esquisito, conseguiu restaurar a confiança no governo, ajeitar a economia e colocar o Brasil num rumo duradouro. Antes disso foi um lutador contra a ditadura, dando muitas dores de cabeça aos militares.
     Um homem digno.
Naufrágio à vista

     O novo pacote do FMI para a Grécia, que exige a demissão de 1/4 da força de trabalho do país, redução de salários, aposentadorias, aumentos de impostos, etc, para salvar os bancos alemães e franceses que agiram irresponsavelmente emprestando dinheiro sem garantias, tem cheiro de desastre iminente.
     O povo grego tem uma longa tradição de lutas políticas e não deve se subordinar docilmente a este novo absurdo, imposto por um partido que se proclama socialista, mas que na verdade não passa de um partido social-democrata totalmente rendido ao neoliberalismo, que ainda dirige os destinos da União Européia.
     A revolta grega, assim como a revolta dos "indignados" na Espanha, aponta para um novo ciclo político no continente, em que a governança econômica deve passar a se subordinar ao poder político. Isso pode significar um giro para a esquerda nos países atingidos pela crise do Euro.
     A bancarrota da Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, deve provocar intensos movimentos sociais e talvez até a saída de alguns desses países da zona do Euro, agravando a crise na economia dos países ocidentais, o que deve se refletir nos Estados Unidos também.
     Com a Europa e os Estados Unidos cada vez mais em baixa, reféns das aventuras dos banqueiros, a China deve ir às compras, entrando no mercado europeu e adquirindo empresas em dificuldades financeiras.
     Talvez sobre também para os outros BRICS, entre os quais o Brasil, que poderiam ver nesta crise uma oportunidade de expansão de suas empresas transnacionalizadas.
     Enquanto eles insistem no esqueminha neoliberal e vão se afundando, os Brics seguem crescendo, apesar dos solavancos, o que inclui toda a América Latina à reboque do Brasil, toda a Ásia, a reboque da China, e agora também a África, a reboque da África do Sul. Como já dizia Camões:
 Cessa tudo quanto a antiga musa canta, quando um poder mais alto se alevanta.

Será que eles foram lá?
                                            A "nova" nave Orion
Os americanos anunciam que as próximas naves que vão substituir o chamado ônibus espacial, retomarão o design das antigas cápsulas Apollo 11, que em 1969 foram responsáveis por levar os astronautas americanos à lua.
     Agora vejam se isso entra na cabeça de alguém. Os ônibus espaciais, muito maiores e confortáveis, nunca saíram da órbita terrestre, para sequer dar uma volta em torno da lua, em mais de 30 anos de serviço. Como acreditar que uma pequena cápsula, que na época era toda analógica, teria conseguido este feito?
     Eu tinha 18 anos quando isso aconteceu e me lembro dos mais velhos na época dizendo que era tudo mentira. A gente ria deles, chamava de atrasados, etc, mas depois, lendo as denúncias sobre uma suposta fraude nesta ida à lua, comecei a ficar na dúvida.
     Pra quem nunca leu nada a respeito, os indícios da fraude estariam nas sombras projetadas pelo módulo lunar pousado na lua, em 1969, pois em algumas fotos elas se projetam em direções diferentes, como se as sombras fosse provocadas por refletores.
      Como os americanos treinavam seus astronautas num deserto onde as condições geológicas são muito semelhantes às da lua, poderia ter havido uma fraude, cujo objetivo seria "vencer" a corrida espacial que eles travavam com os russos.
     Nunca nada ficou provado, nem os russos denunciaram nada.
     Agora, parece que o tempo voltou atrás e estamos de volta a 1969.
            A sombra da bandeira parece ir na direção oposta à do astronauta.


domingo, 26 de junho de 2011

Rapidinhas


Delícias de Rio de Contas VII


  A fantástica obra de Zofir Brasil

    
 Zofir Brasil foi um artista riocontense, nascido em 1926 e morto em 1990, que produziu uma extensa obra de arte, feita à partir de objetos do cotidiano, de papel marché e até de coisas consideradas como descartáveis, pela maioria das pessoas.
     O que restou de sua obra está guardado em um casarão do Largo do Rosário, no centro histórico de Rio de Contas, esperando por uma restauração e por condições dignas de exposição, mas pode ser visitada, desde que se faça uma solicitação antecipada a Paulo Roberto,  zelador do seu patrimônio. Para encontrá-lo, pergunte a pessoas da cidade e elas lhe fornecerão o telefone dele.
      A família de Zofir Brasil adquiriu com recursos próprios um imóvel, localizado na mesma praça, para instalação de um museu, mas ainda espera pelo apoio de algum órgão público para concretizar este objetivo, pois sozinha não tem condições de montar o museu, o que ameaça a sobrevivência do acervo.     
     Seu trabalho poderia ser considerado precursor da obra de Vik Muniz feita com material reciclável e exposta no filme Lixo Extraordinário (ver comentário abaixo), indicado para o Oscar como melhor documentário em 2011, com a diferença de ter sido feita numa pequena cidade da Chapada Diamantina, no
 interior da Bahia, longe dos olhos da grande imprensa.                                                                       
     O cineasta Walter Salles esteve em Rio de Contas no ano 2000, filmando seu Abril Despedaçado e se impressionou com sua obra, tendo escrito um artigo na Folha de São Paulo, em 01 de setembro de 2001, intitulado O fabuloso Zofir, mas que até hoje, quase 10 anos depois, só está acessível para assinantes da UOL ou da Folha de São Paulo.
     Sua arte dialoga com o público, através de peças interativas, irônicas e críticas.
     Se for a Rio de Contas, não deixe de visitar.

Lixo Extraordinário

     O filme de Lucy Walker mostra o trabalho de Vik Muniz com os catadores de lixo (ou de material reciclável, como eles preferem classificar) do aterro sanitário de Gramacho, na baixada fluminense, periferia do Rio de Janeiro.
     O artista brasileiro, radicado em Nova Iorque, trabalha à partir de fotos feitas por ele dos catadores, para depois remontá-las com o material descartado no aterro, contando para isso com o auxílio dos próprios catadores retratados.
     O filme foi indicado para o Oscar de melhor documentário em 2011 e levanta a questão das condições de vida dos catadores de lixo nos aterros sanitários brasileiros.
     Embora organizados em associações e alimentando toda uma indústria de reciclagem que se instala ao redor dos aterros, esses trabalhadores vivem em condições sub-humanas e revelam que esse discurso de institucionalização dos catadores de lixo, assumido inclusive pelo PT, não resolve o problema, mas o torna permanente. O certo seria tornar obrigatória a coleta seletiva de lixo em todo o Brasil e contratar, via prefeituras ou empresas de reciclagem, os trabalhadores que fazem a seleção do material reciclável, dando a eles todas as garantias trabalhistas, de saúde e de sindicalização.
     Querer que os próprios trabalhadores arquem com essas obrigações através de organizações autônomas (cooperativas) de trabalho coletivo, é negar a eles um direito extendido a maioria dos trabalhadores brasileiros e uma forma muito cômoda de se livrar do problema.
     O filme está sendo exibido no Espaço Ecco, no Setor Comercial Norte de Brasília, dentro de uma exposição do artista plástico. Assisti-lo é uma aventura emocionante por um universo desconhecido para a maioria dos brasileiros. Se puder, não deixe de ver.

O Brasil na Arte Popular

     Esse é o nome da exposição que está aberta até 26 de junho no Museu Nacional, na esplanada dos Ministérios em Brasília (aquele museu que parece uma bola).
     O acervo é do Museu Casa do Pontal fundado pelo artista plastico francês Jacques Van de Beuque, radicado no Brasil e descobridor da obra de Mestre Vitalino, em Pernambuco.  Van de Beuque viajou durante 40 anos pelo Brasil, reunindo um mgrande acervo de arte popular, que deu origem ao Museu Casa do Pontal, no Rio de janeiro.(http://www.museucasadopontal.com.br/museucasadopontal/index.htm).
     A maioria das obras é de artistas nordestinos, embora também hajam peças feitas por artistas do Rio de Janeiro e de Minas, influenciados pela escola nordestina. São peças em barro e madeira, algumas móveis, retratando os tipos e o cotidiano da vida popular brasileira, mostrando a riqueza do imaginário da nosso povo e as suas origens e mitos.
     Vale a pena a visita pela exposição e também para conhecer o museu, mais uma obra de Oscar Niemeyer na Esplanada, que a meu ver, se tornou a maior concentração de obras arquitetônicas de um único arquiteto no mundo..


A volta do elefante

    Em 1990, durante o governo Collor, a direita brasileira iniciou uma violenta campanha pelas privatizações.
Para isso os empresários interessados em se apoderar das empresas estatais usavam um elefante como símbolo do Estado, que segundo eles seria pesado e lento, em oposição às empresas privadas que seriam leves e ágeis.
     Este tipo de campanha surge sempre quando os empresários neoliberais querem se expandir para atividades ocupadas pelo governo e, para quem não se lembra, os governos de Collor e Fernando Henrique Cardoso, entregaram centenas de empresas eficientes e rentáveis aos empresários, que depois as "enxugaram", demitindo milhares de funcionários, e levando muitas delas à falência, como foi o caso da antiga Vasp, pertencente ao governo paulista. Ou então aumentaram o preço dos seus serviços dezenas de vezes, fazendo com que o consumidor pagasse muito mais por serviços muito piores, como no caso das empresas de energia elétrica ou telefônicas (quem não tem queixas contra a Oi?).
     Desde o triunfo do governo Lula não se ouvia mais esse argumento, dado o desastre que foi o governo Collor e também à quase falência que FHC levou o Brasil em 1998, inclusive reprimindo greves e movimentos sociais para beneficiar o capital.
     Agora, talvez apostando no esquecimento e embalados pelo esgotamento da capacidade do Estado brasileiro em investir mais, o que levou o governo Dilma a estabelecer a concessão de alguns aeroportos para a iniciativa privada, eles voltam à carga, trazendo seu personagem principal, o elefante, de volta.
     Interessante observar que isso ocorre no momento em que a Europa vai a falência, justamente por ter adotado o modelo privatista, em que principalmente os bancos privados fazem a verdadeira governança econômica dos países, agindo irresponsavelmente, sem controle nenhum dos cidadãos e levando populações de países desenvolvidos como a Grécia, a Irlanda e Portugal ao desespero, na medida em que querem que o povo pague a conta das suas aventuras empresariais, quando estas fracassam (e sempre fracassam), para salvar...os bancos.
     Então na verdade a coisa funciona ao contrário: é o Estado que dá segurança ao cidadãos e a governança privada quem massacra o povo com o peso das sua irresponsabilidade.

    

A capa da revista Época, que mostra um elefante sentado sobre um ser humano, não deveria ser dedicada ao Estado, mas sim aos bancos e seu representante maior de sempre, o FMI, que estes sim massacram os povos do mundo inteiro.
     Os protestos europeus dizem que não haverá democracia enquanto o povo não controlar a economia e que esta não pode ficar nas mãos de uma minoria que não dá satisfações do que faz, e depois quer que o povo pague a conta. Ou seja, querem um controle maior do Estado sobre os empresários.
     Entenda-se que aqui quando se diz Estado, não se está dizendo simplesmente Governo, mas sociedade civil organizada.
     Então na verdade o elefante são eles e a legenda da capa de Época deveria ser: Bancos S.A.


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Delícias de Rio de Contas VI
  
     Manhãzinha de inverno em Rio de Contas, com a Serra das Almas encoberta pelas nuvens e o casario colonial do Centro Histórico, visto do Largo do Rosário.
     Só quem vive nesta jóia da arquitetura colonial brasileira, considerada monumento nacional pelo Instituto do Patrimônio Histório e Artístico Nacional - IPHAN, sabe a delícia que é acordar cedo e caminhar pelas ruas ainda silenciosas, podendo curtir esse patrimônio natural fantástico que envolve a cidade.
     Nem parece que a gente está na Bahia, e no meio da região semiárida brasileira, com temperaturas por volta de 15 graus, neste oásis gigantesco que é a Chapada Diamantina, berço de todos os rios baianos e verdadeiro orquidário natural.


Filhos

     O Faustão deste domingo fez a apologia de um homem pernambucano que tem 32 filhos com três mulheres. Incrível a apologia ao machismo do polígamo. Que eu saiba poligamia é crime no Brasil.
     Um sujeito desses deveria ser preso por atentado ao meio ambiente. Imagine se a moda pega? Anos e anos tentando fazer as famílias reduzirem o número de filhos e agora um sujeito irresponsável deste é considerado herói pelo horroroso programa dominical da Globo.
     Até quando vamos ter que ouvir a voz de Faustão nos nossos domingos? Até quando nossos finais de semana vão ser dominados por estes programas de auditório tão baixo nível?
     Alguém precisa tomar uma providência sobre este tipo de programação.TV é cultura e a cultura do nosso povo não pode ficar eternamente refém dos lucros das famílias que controlam essas concessões.

Viva a pátria Palestina


     Avança celeremente o movimento mundial para reconhecer a Palestina como país independente, como manda a partilha realizada pela ONU em 1948.
     O governo sionista de Israel ainda tenta consolidar sua ocupação, construindo mais e mais colônias em território palestino, na esperança de criar um fato consumado irreversível, mas parece que o mundo se cansou das eternas negativas israelenses para chegar a um acordo. Se cansou também de ver os palestinos sempre massacrados, perseguidos na sua própria terra por um invasor que não aceita nem cumpre nenhuma resolução da ONU, protegido pela sombra imperial dos Estados Unidos. Cansou de ver tanta injustiça e arrogância sobre um povo que pede apenas o direito de viver livremente em seu próprio país.
     Mais de 140 países já reconhecem a Palestina como um estado soberano, fato que deverá ser confirmado pela Assembléia Geral das Nações Unidas em setembro. Não há política nacionalista de Israel capaz de impedir esse movimento mundial de reconhecimento. Falta o povo israelense eleger um governo que respeite os direitos humanos e as resoluções internacionais para que a paz e a democracia se estabeleçam definitivamente na região, onde já sopram os ventos da chamada primavera árabe, que vai derrubando todos os ditadores que ajudaram israel a conter as legítimas aspirações do povo palestino ao longo das últimas décadas.

O amor

     Amar é difícil, mas é fundamental.
     Ninguém vive sem amor, nem mesmo uma planta, cujas raízes se beneficiam da umidade das outras ao seu lado, da chuva que cai, dos ventos, pássaros e insetos que espalham suas sementes. Nem os animais sobrevivem sem amor, seja o de uma cadela pelos seus cachorrinhos, seja de um ser humano pelo seu gato de estimação.
     O amor move a terra, tanto quanto a competição entre os que aqui habitam. Solidariedade e competição convivem nesse estranho mundo em que precisamos daqueles com os quais competimos. Sem um ou outro, perecemos.
     Mas o convívio amoroso entre os seres humanos é mais complicado pois nele interfere aquilo que nos diferencia dos outros animais: a nossa inteligência.
     Reagimos às atitudes do outro através da observação e do processamento das mensagens que suas atitudes vão nos passando. Assim podemos perceber padrões de comportamento, atos de egoísmo ou de desprendimento, que fazem a gente se afastar ou aproximar do ser amado.
     Depois de uma longa convivência, então, já conhecendo defeitos e virtudes, conseguimos fazer um balanço daquilo que é positivo e negativo no outro, tomando isso como base para decidir a continuidade ou não da convivência.
     Casamentos não são mais para sempre, mas duram enquanto o saldo do relcionamento for positivo para ambos, a não ser que haja uma sujeição de um pelo outro, que leve à submissão e à dominação, fazendo a parte dominada aceitar uma relação que lhe é prejudicial, por medo das consequências de uma separação.
     Em geral isso ocorre após um longo processo de auto-desvalorização, em que apessoa se acha incapaz de merecer algo melhor do que aquilo que tem. Desvalorizar a pessoa, é portanto, uma forma de submete-la, de dominá-la, para enfraquecer sua capacidade de reagir ao domínio.
     Depois de se libertar de uma relação dessa, quando a pessoa consegue recuperar sua auto-estima, geralmente fica mais zelosa de sua auto-preservação, repudiando logo atitudes que pretendam desvalorizá-la. Fica mais atenta e mais liberta também, o que pode causar uma impressão de soberba ou de arrogãncia no outro.
     Mas é preciso mesmo ficar atento, pois por trás das palavras calientes de amor, muitas vezes se escondem vícios e defeitos de personalidade que não tem nada a ver com os sentimentos.
     Mas apesar de todos os riscos, amar sempre vale a pena, mesmo quando a convivência se torna impossível. Na verdade o único derrotado no amor é aquele que não consegue amar. Quem ama, de uma forma ou de outra, sempre sai vitorioso, pois mesmo se sentindo prejudicado sabe que conseguiu vivenciar a experiência fantástica de sair de si mesmo e de sentir que um sentimento tão forte o invade a ponto de dar mais valor ao outro que a si mesmo.
     Ou como resumiu magistralmente Luis de Camões:

Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente,
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer

É um não querer mais que bem querer,
É um andar solitário entre a gente
É um nunca contentar-se de contente,
É um cuidar que ganha em se perder

É um querer estar preso por vontade,
É servir a quem vence, o vencedor,
É ter com quem nos mata, lealdade,

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si mesmo é o amor?


domingo, 12 de junho de 2011


A Mística da Água

                                                      A cachoeira de Livramento, na subida para Rio de Contas

O discurso contraditório sobre a água continua sendo divulgado pela mídia, inclusive em meios pseudo-científicos como a TV Escola, por exemplo.
     Agora não afirmam mais que a água vai acabar, nem que uma grande seca será a consequência universal do aquecimento global, dadas as evidências gritantes de que o clima está se tornando cada vez mais úmido e de que há mais água na atmosfera devido ao degelo.
     Mas misturam de forma intencionalmente confusa dados sobre desperdício de energia fóssil, ou sobre lançamento de gás carbônico na atmosfera através da flatulência das vacas, com indícios alarmantes de escassez de água, em algumas regiões do planeta tradicionalmente secas, como as regiões desérticas da África, para depois dizerem que o problema é que lavamos nossas calçadas com água potável, como se a água lançada nas calçadas não corresse de volta para os rios, ou para os lençóis subterrâneos, mas se perdesse misteriosamente no ar.
     Tudo com o objetivo escuso de privatizar a água do planeta, colocando sob domínio de poucos aquilo que é um bem público.
     Vivemos no planeta água, onde 4/5 da superfície são cobertos por oceanos salgados que são o principal fornecedor de água doce para os continentes, através da evaporação, que só aumenta com o aquecimento global. Portanto não vai faltar água. O que precisamos é de mais saneamento básico para evitar a poluição dos rios e também precisamos conter o aumento da população humana e o modelo econômico baseado no consumismo, que são as verdadeiras causas para a destruição do ambiente natural.
     As vacas não são as culpadas, mas o hábito de comer sua carne para alimentar 7 bilhões de seres humanos sim. Lavar os carros não ameaça o planeta, o que ameaça são os carros em si, que poderiam ser substituídos por transporte público eficiente e subsidiado.
     A competição entre as nações, faz com que o número de habitantes seja fundamental na geopolítica. Uma pequena nação com 5 milhões de habitantes não é tão respeitada quanto uma de 200 ou 300 milhões. Isso também estimula o crescimento populacional. As uniões aduaneiras, como o Mercosul e a União Européia conseguem acabar com isso e, aí sim, passam a ser possíveis políticas de controle populacional, para que num futuro próximo possamos viver mais e com mais qualidade de vida, em harmonia com o nosso ambiente natural.
     Mas tudo isso ainda passa muito longe do que dizem as TVs, sustentadas por anunciantes e governos comprometidos com políticas de crescimento sem fim.
A Globo e as greves
     Por falar em TVs, a Globo continua com sua incansável campanha contra o direito de greve.
     O script é sempre o mesmo: anuncia-se uma greve como uma coisa horrível, um tormento para toda a população, sempre anunciando quantos milhões de prejuízo ela está causando, em tom de voz alarmante, e nunca se entrevistam os grevistas para saber as suas razões, para saber se os patrões estão descumprindo acordos anteriores, se suas famílias estão passando fome, se suas condições de trabalho estão sendo desrespeitadas.
     É uma herança dos tempos da ditadura e, é claro, uma postura política tipicamente direitista, que só defende o lado patronal, procurando jogar a opinião pública contra os movimentos dos trabalhadores.
     Até nos episódios da chatíssima série adolescente Malhação, os grevistas são apresentados como irresponsáveis (no caso médicos), que deixam de atender a população necessitada.
     Se eles quisessem mesmo denunciar irresponsabilidades dos médicos haveriam muitas outras coisas melhores a dizer, como a indústria de exames desnecessários promovida pelas clínicas particulares, a privatização da saúde, que retira do cidadão um direito constitucional, etc., mas isso, é claro, eles não vão falar. A lógica é sempre: Viva o lucro. Até quando vamos ter que aturar isso?

O Ministério Dilma

     Parece que a Presidente Dilma Roussef começa a se libertar do peso da liderança de Lula e a montar seu próprio ministério.
     A nova ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, tem uma cara ótima (e um narizinho arrebitado que vai fazer a delícia dos cartunistas). Até que enfim gente nova no pedaço. Chega dessas velharias que nunca saem de cena, ao estilo José Sarney, Edson Lobão e Moreira Franco. Será que essa gente não conhece aposentadoria?
     Além disso, pela primeira vez desde os tempos de FHC os paulistas deixam de ocupar os postos mais importantes do governo. Até que enfim. O Brasil é muito maior do que São Paulo.
     Parece que a nova ministra é da mesma escola da presidente, ou seja, jogo duro. É disso mesmo que estamos precisando, mais competência administrativa e menos politicalha.
    Cada vez gosto mais de Dilminha.
    
Delícias de Rio de Contas V

Paraíso das Mandalas

A pequena loja de Waldemir, o Ni, em Rio de Contas, é cheia de Mandalas desenhadas em discos de pedra calcária brilhante, muito comum na região, que ele caprichosamente pinta, atribuindo um significado a cada uma delas.
Segundo o cartaz ao lado, que ele mantém na porta, Ni começou a sonhar desde pequeno com estranhos desenhos geométricos que ele pensava serem resultado de algum problema na sua cabeça.
Só mais tarde reconheceu nas mandalas os desenhos que via na infância e resolveu fazer deles a sua atividade na vida, passando a comercializá-los.
Hoje vende para várias cidades na Bahia e do Brasil, sob encomenda ou diretamente na sua lojinha, onde trabalha com esposa e filhos. Apesar do sucesso, Ni continua o mesmo, na sua simplicidade generosa e atividade incessante.

 

A variedade de desenhos impressiona e a beleza e harmonia das cores também. As mandalas são confeccionadas em vários tamanhos, desde as bem pequenas (abaixo na foto à direita), passando pelas médias que estão na parede da foto, até a grandes que podem ser usadas como tampos de mesa, chegando até a 1,20m de diâmetro.

Esta à esquerda é a mandala da felicidade, cujo significado está registrado da seguinte forma:
Esta é uma mandala indiana de base numérica 6, simbolicamente ligada ao amor. O número seis tem várias simbologias formadas pela multiplicação do 2 e do 3, dos quais absorve os simbolismos.Suas qualidades são: Facilidade para paixão, busca da felicidade, iniciativa. Está ligada ao amor.
                                                            
A esquerda, pela ordem, as mandalas da iniciativa, a da ampliação. À direita as da proteção e da sinceridade.
Existem muitas outras em exposição na loja e, se você acredita que esses desenhos geométricos realmente traduzem algo do equilíbrio do universo, podendo influenciar na sua vida e na sua casa, não deixe de visitar a lojinha de Ni, quando for a Rio de Contas.
Fica logo na entrada da cidade à direita. É só perguntar que todo mundo conhece.
Se quiser encomendar pode ligar para os telefones (77) 9919-9959 ou (77)8110-0537 ou pelo e-mail: paraisodasmandalas@hotmail.com
Se estiver fora do Brasil e quiser telefonar, é só acrescentar  o código 55.


terça-feira, 7 de junho de 2011

     Rapidinhas
Delícias de Rio de Contas IV
     No Restaurante Soraya, na Praça do Landim, no centro histórico de Rio de Contas, o visitante encontra uma boa culinária e um ambiente especial, à beira do Rio Brumadinho, com salão fechado, varanda coberta e terraço descoberto para aproveitar as noites de lua. Se der sorte, pode até curtir um show de voz e violão, que às vezes é apresentado nos finais de semana  .
     No cardápio, vinhos brasileiros, chilenos e portugueses, as excelentes cachaças locais,  todos os tipos de cerveja, inclusive a deliciosa Bohemia e também cervejas sem álcool.  Tira-gostos, sopas, massas, aves, peixes, carnes e pizzas, tudo com preços corretos e muita simpatia.
    O restaurante é ponto de encontro de artistas nacionais de teatro, cinema, cantores e outras personalidades famosas em visita à nossa pequena cidade e ainda se pode curtir no horizonte a fantástica vista da Serra das Almas.
     As especialidades da casa são uma galinha bêba, cozida na cerveja malzebier e um mocotó fantástico.
     Não deixe de conferir.
     A boa notícia da semana
     A eleição de Ollanta Humala como Presidente do Perú, fecha o cerco sobre os últimos regimes pró-americanos da América Latina. Na América do Sul, só a Colômbia ainda segue a liderança decadente dos Estados Unidos, preparando assim um novo futuro para o sub-continente.
     Humala, deve implementar um capitalismo com inclusão social, ao estilo do PT, mas principalmente deve ter a independencia necessária para reconstruir sua sociedade, sem influências externas, colocando seu governo a serviço dos interesses do seu próprio povo.
     Bom para o Perú, bom também para o Brasil e bom para todos os latino-americanos, que vamos assim retomando as rédeas do nosso destino.

A redivisão do Brasil
     A aprovação pelo senado para realização de um plebiscito sobre a criação do Estado do Tapajós, que seria desmembrado do Pará, traz de volta uma discussão antiga sobre a necessidade de redividir politicamente o território brasileiro.
     Apesar das críticas da mídia, que só fala em mais despesas, com mais governadores, deputados, etc., a necessidade de redivisão é evidente. Temos Estados grandes demais e outros pequenos demais.
     O que me parece errado é deixar as propostas de criação de mais Estados, nas mãos de pequenos grupos locais, com interesses políticos próprios. Não seria melhor encarregar o IBGE de formular uma proposta para todo território nacional, não apenas dividindo Estados grandes demais, como o Pará e o Amazonas, mas também propondo a fusão entre os pequenos demais, como os diminutos e pobres Estados nordestinos de Sergipe, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas, que unidos a Pernambuco poderiam formar um Estado forte e rico?
      Também Minas Gerais e Bahia são muito grandes e poderiam sofrer alterações. O sul de Minas, por exemplo, poderia se unir ao Espírito Santo e ao Rio de Janeiro, formando uma nova unidade, enquanto o oeste da Bahia, poderia se emancipar, formando o Estado de São Francisco, reivindicação antiga de sua população.
     O sul e sudoeste da Bahia poderiam também formar um novo estado, que já foi proposto na época da Constituinte como Estado de Santa Cruz, deixando uma parte de litoral para Minas Gerais, nos seus municípios do extremo sul.
     Também o sul dos Estados do Piauí, Ceará e Pernambuco poderia ser estendido de forma a tocarem as margens do lago de Sobradinho, dividindo com eles os benefícios das águas represadas do São Francisco, que hoje beneficiam apenas a Bahia. 
     A própria divisão em grandes regiões, feita pelo IBGE, está completamente superada. A região norte é um absurdo geográfico, que vai do oceano Atlântico aos Andes. O certo seria criar a região noroeste, separada da norte, composta pelos atuais estados do Amazonas, Roraima, Acre e Rondonia, onde ainda poderiam ser criados novos estados ou territórios, como no alto Rio Negro, por exemplo, enquanto o Acre deveria absorver a parte sudoeste do Amazonas ( a região de Boca do Acre), que na prática já é administrada por ele, seguindo a linha internacional da hora. Já o Maranhão poderia ser incorporado à região norte, com a qual tem muito mais afinidade cultural e ambiental (a floresta amazônica) do que com o nordeste.
     Enfim, nossa divisão territorial carece de mais racionalidade e seria muito melhor fazer logo uma proposta global do que deixar que grupos locais fiquem tentando redesenhar o mapa segundo seus interesses políticos. 

Arquitetos e sindicalistas assassinados


O que a morte dos sindicalistas assassinados recentemente na Amazônia tem a ver os arquitetos?
Simples: a cada vez que especificamos madeira nobres nos nossos projetos, estamos fazendo encomendas aos madeireiros clandestinos da Amazônia, que as retiram de reservas extrativistas ou de terras indígenas, já que as áreas livres para corte de madeira estão cada vez mais escassas, não hesitando em assassinar os que defendem o meio ambiente ou as terras indígenas.
É como encomendar um casaco de peles e fingir que não sabemos que elas virão de animais massacrados. Só que nesse caso, além das florestas, são pessoas mesmo que estão sendo assassinadas.
O mais incrível é a permanência de um tipo de corrente arquitetônica que se intitula ecológica, justamente pelo uso intenso da madeira.
Quem já não viu "pousadas ecológicas", feitas todas de madeira, ou mesmo palestras de arquitetos que mostram orgulhosamente seu trabalho ecológico todo em madeira. Projeto verdadeiramente ecológico é o que não usa madeira, ou usa apenas madeira certificada.
Se você é arquiteto ou designer, pense nisso antes de usar madeira nos seus projetos.