Por Ricardo Stumpf Alves de Souza

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Um recado para a Embraer
     Pois é, amigos leitores, sempre fui um aficcionado por aviões. Quando menino colecionava postais de empresas aéreas e escrevia para os fabricantes de aviões americanos pedindo fotos para colocar em um álbum. Também sou um passageiro tarimbado. Nos meus 60 anos de vida já voei em muitos modelos e empresas aéreas, do Brasil e do mundo.
     Meu primeiro voo comercial foi num Costellation da saudosa Panair do Brasil (à esquerda), na rota Rio-Belém, em 1959. Seis horas de voo direto, com muito conforto e glamour, coisas que desapareceram nessa era de transporte aéreo de massa. Já voei também nos antigos DC-3,  DC-6  e Avro 748, da FAB, DC-4 e Curtiss Comander, da extinta Paraense Transportes Aéreos, a PTA, como chamava minha tia Suzette lá de Belém.
Depois a empresa comprou uns turbo-hélices para se modernizar, os Fokker 27, também conhecidos como Hirondelle nos quais também voei, quando ia passar férias na ilha do Marajó. Outros turbohélices foram o Electra II da Varig e os Viscount da Vasp, ambos excelentes aviões. Os Electra II (abaixo à direita) tinham uma sala de estar no fundo, pra gente sentar e ficar lendo jornais e revistas. Uma delícia.
Nos jatos voei em quase todos. Caravelles da Panair, da Varig, da Cruzeiro do Sul (abaixo à esquerda), e da SAS numa viagem à Suécia, entre Estocolmo e Gotemburgo.
Nessa mesma viagem peguei um DC-9 (abaixo à direita), de Frankfurt para Estocolmo. Tinha uma asa pequenininha de dar medo.
Andei no Boeing 720 (abaixo à esquerda) da antiga PanAm, na Rota Brasília-Cidade do Panamá (com conexão para Miami num 727), no 707 da Varig, nos 727 da Varig, Vasp (o antigo super-200) e Transbrasil, nos 737 (de todas as séries), 747, 757 esses dois últimos da Ibéria, numa viagem à Europa em 1996, e nos 767 da Transbrasil.
Só não conheço os 777. Voei também no DC-10 da Varig, na rota São Paulo-Manaus. Uma delícia de avião. Nos Airbus voei no primeiro, o A-300 da Vasp, que era grandão, depois nos A-320 e A-330 da TAM, empresa em que não voo mais depois daqueles dois acidentes horríveis em Congonhas. Não acredito na manutenção dela e no treinamento de seus pilotos. Tem um dos maiores índices de acidentes do mundo.
     Na antiga Ocean Air, agora Avianca, voei nos Fokker 100 (da TAM também) e nos turbo-hélices de asa alta, Fokker 50, da Ocean Air e da Nordeste linhas aéreas, subsidiária da Varig. Também pela Nordeste e pela antiga TABA (Transportes Aéreos da Bacia Amazônica) voei de Bandeirante e depois pelos Brasília e ERJ-145 da Passaredo (abaixo à esquerda), todos fabricados pela Embraer. Só não andei ainda nos ERJ-190 da Azul.
     Voei também nos velhos Ilyushin 62 soviéticos, (à direita) da Cubana de Aviación, entre Rio e Havana, em 1997. Uma beleza de avião, com quatro turbinas na cauda. Tinha uma estabilidade enorme, nem se mexia quando estava lá em cima.
     Ultimamente tenho viajado nos novos ATR (42 e 72) da TRIP (abaixo à esquerda), que pousam em Vitória da Conquista. Um turbo-hélice de asa alta, muito simpático e confortável, feito pela mesma fabricante dos Airbus.
     Essa experiência como passageiro e minha inquietação natural de arquiteto que me faz ficar sempre pensando em organizar melhor os espaços,  me trazem algumas idéias sobre a próxima geração de aviões que a Embraer está preparando. Sei que a empresa está esperando para ver o rumo que o mercado vai tomar, para se decidir se passa a fabricar aviões maiores, para competir com os Boeings e Airbus, ou se fica mesmo no mercado regional, com aviões médios, quem sabe retornando aos turbo-hélices que abandonou.
     Como passageiro experiente, embora não seja engenheiro aeronáutico, queria dar algumas sugestões, à nossa fabricante de aviões, a terceira maior do mundo, desde o ponto de vista do usuário.
     Creio que a Embraer deveria continuar a pensar mais nas rotas curtas, de cidades médias, que estão se expandindo muito no Brasil e também na integração cada vez maior da América do Sul, que deve levar no futuro a ligações internacionais entre cidades médias (principalmente do Mercosul), ou seja, mais voos com muitas escalas.
     O problema com os aviões atuais é que eles são muito compridos e estreitos. Leva-se muito tempo para entrar e sair e mais um tempo enorme esperando as malas, especialmente em aeroportos regionais. Os novos aviões da Embraer poderia ser mais largos, para se manterem curtos. Explico.
     Pegando uma fuselagem do tamanho de um Boeing 747, por exemplo, que tem dois corredores (foto abaixo) e 10 cadeiras em cada fileira (3, 4 e 3), a Embraer poderia inovar e fazer mais um corredor, por exemplo, com uma configuração de 2 cadeiras do lado da janela, um corredor, mais 2 cadeiras, outro corredor, mais 2 um terceiro corredor e mais 2 na janela do outro lado. 
Assim teríamos 8 assentos por fileira, dois a dois, sem o incômodo assento do meio. Além disso as cadeiras poderiam ser mais largas. Assim, com apenas 20 fileiras de 8 assentos, o avião poderia levar até 160 passageiros, sem ficar tão compridão, podendo inclusive pousar em pistas mais curtas.
     Com tres corredores, os passageiros poderiam entrar e sair com mais rapidez e também se movimentar durante os voos sem aquela chatice de ficar esperando aquele carrinho do serviço de bordo passar.
     Além disso os bagageiros internos poderiam ser maiores, permitindo que a gente levasse bagagens de mão maiores, diminuindo o tempo no chek-in, as perdas de bagagens e o tempo que a gente espera pelas malas.
     Deviam também acabar com o serviço de bordo que atualmente é ridículo, oferecendo barrinhas de Nutre ou biscoitinhos que não enchem a barriga de ninguém. Melhor seria instalar umas máquinas de refrigerantes, sucos e sanduíches no fundo do avião e quem quisesse ia até lá, colocava sua moedinha e pegava o seu lanche.
     A largura extra da cabine podia inclusive permitir fazer mais banheiros e, quem sabe, até uma sala de estar como a do antigo Electra II, no fundo, com mesinha para quem quisesse comer seu lanchinho por lá mesmo. Como os voos em geral duram entre 30 minutos e duas horas, daria tranquilo para as pessoas circularem, evitando aquela sensação ruim de ficar preso à poltrona.
     Mais conforto, rapidez e economia.
     Ainda por cima o avião poderia ser espichado, a depender da demanda por aviões maiores capazes de cruzar o oceano, sem precisar refazer todo o projeto.
     Outra coisa que faz falta é um elevador para cadeirantes e corredores internos com largura suficiente para as cadeiras de rodas. Até nos ônibus urbanos o elevador para cadeirantes virou obrigatório (foto à esquerda). Não entendo porque não existe uma legislação que obrigue os aviões a adotá-los. É humilhante para os que andam em cadeiras, serem carregados escada acima em aeroportos que não tem os tais "fingers", que são aqueles tubos, tipo sanfona, que se esticam até a porta do avião pra gente desembarcar sem precisar de escadas.
    Aliás esses "fingers" restringiram a entrada e saída às portas dianteiras, atrasando o embarque e desembarque. Melhor seria usar aviões de asa alta, que ficam mais próximos do solo e tem escadas com poucos degraus e criar coberturas altas nos aeroportos, como se fossem hangares abertos, de um jeito que os aviões entrassem por baixo, protegendo os passageiros do sol e da chuva, sem nenhum "finger". Aí o avião poderia ter muitas portas e permitir uma saída rápida por todas elas. É claro que isso implicaria numa mudança na arquitetura dos aeroportos para atender uma nova geração de aviões. Mas não é isso que sempre acontece?
     Em relação à segurança, porque não colocar flutuadores sob as asas, como nos primeiros aviões transatlânticos, permitindo que eles pousem na água em caso de emergência? Qualquer rio ou lago serviria de pista de pouso, salvando muitas vidas e evitando catástrofes como a do Airbus da Air France na rota Rio-Paris.
     A Embraer está desenvolvendo um jato de asa alta para transporte militar, o KC-390 (à direita),  que talvez pudesse atender a essas especificações, se fosse adaptado para uso civil .
Quem sabe a Embraer possa introduzir um diferencial de conforto e segurança nos seus projetos, ao invés de ficar copiando velhos modelos americanos e europeus.



 

domingo, 4 de setembro de 2011

Rapidinhas

Carmem


     Foi com prazer que assisti, na terça-feira passada, dia 30 de agosto, em Salvador, à banca de doutorado em Artes Cênicas, da diretora teatral Carmen Pasternostro Schaffner, intitulada: "Da dança expressionista alemã ao teatro coreografado da Bahia: aspectos interculturais e pós dramáticos em Dendê e Dengo e Merlin." 
     A autora fez um histórico do surgimento da dança expressionista na Alemanha, mostrando como essa escola influenciou o teatro baiano, através de profesores alemães que vieram para cá após a guerra, e a repercussão disso nos espetáculos montados por ela, intitulados Dendê e Dengo e Merlin, na década de 1990.
     Além da belíssima exposição da doutoranda (agora já doutora), a banca de altíssimo nível a arguiu durante mais de duas horas, demonstrando conhecimento profundo do seu trabalho e dos temas por ela abordados, resultando numa verdadeira aula para os assistentes.
     Um dos aspectos mais intrigantes, levantados pelo trabalho, foi a relação proposta por ela entre a dança expressionista alemã e o nazismo, que teria se apropriado de muitos elementos presentes no imaginário dessa escola para criar o mito da raça superior, do corpo perfeito, etc.
     Muitos desses mitos, que surgiram no início do século na Alemanha, como o naturismo, o vegetarianismo, a busca pela saúde, perfeição e beleza do corpo, ainda estão presentes na sociedade atual, sem que essa relação nunca tivesse se revelado para mim.
     Também a questão da colaboração entre artistas da época e o regime nazista provocou celeumas muito interessantes, fazendo eco a situações contemporãneas, como a possibilidade de que artistas brasileiros tenham também colaborado com a nossa ditadura militar e a espécie de censura que o neoliberalismo exerce hoje em dia sobre as artes, através de sua lógica mercadológica.
     Valeu a viagem.
    
Chega de Corrupção


     Não dá mais.
     A absolvição de Jaqueline Roriz, em votação secreta, pela Câmara dos Deputados, foi um tapa na cara dos cidadãos brasileiros.
     Não podemos nem saber quem votou a favor de tal vergonha.
     Está na hora de mudar um sistema que permite essas coisas e que mantém uma presidente, que está disposta a fazer uma faxina ética, como refém de grupos de ladrões, escondidos dento do Congresso Nacional.
     Não dá mais pra aguentar prefeitos roubando ou permitindo que seus protegidos roubem, e fazendo o que bem entendem, enquanto uma justiça lerda não consegue impedir que merenda escolar seja desviada e crianças fiquem passando fome na escola, porque a lei permite sempre mais um recurso, mais um adiamento, mais uma forma de enganação, e nosso dinheiro continua indo para o bolso dos ladrões.
     O Brasil precisa de duas reformas urgentes: uma na justiça e outra na política. Na justiça pra que ela se desburocratize e possa ser fiscalizada pelos cidadãos e na política para que se formem maiorias estáveis no Congresso Nacional, que não dependam de apoios de patidos de aluguel, onde se alojam a maioria dos corruptos.
     Uma solução seria o parlamentarismo, onde a maioria governa e pronto. Mas isso á foi rejeitado duas vezes, em plebiscito, no Brasil. Quem sabe adotamos a solção francesa, que mistura os dois sistemas, dividindo poderes entre o presidente e o parlamento.
     Nada a ver com a tal reforma política que gente do PT, ligada à José Dirceu, quer aprovar, que é o tal voto em lista, que na prática significa a cassação do nosso direito de escolher e a consagração dos grupinhos corruptos, que ficariam livres para montar seus esqueminhas no Congresso, amarrando as eleições aos seus interesses.
     Ao contrário, o que precisamos é acabar com as listas e coligações eleitorais, para que os mais votados entrem, sejam eles do partido que forem, acabando com essa prática de transferir votos de um candidato para outro.
     Só assim pequenas minorias conseguirão ser representadas.
     Depois, dentro do Congreso, baseado em interesses coletivos claros e explícitos, poderão se formar coligações.
     Está na hora do Brasil se levantar contra tudo isso, caso contrário nunca seremos um país forte e desenvolvido e permaneceremos para sempre reféns desses bandidos engravatados.

O ovo da serpente

     Quando Ingmar Bergmann fez o filme O ovo da serpente, em 1977, expôs o nervo mais frágil do sistema capitalista: o fascismo adormecido, intrínseco ao sistema, que poderia ressurgir à qualquer momento, como um ovo deixado por uma serpente dentro do guarda-roupa de uma casa, depois de uma reforma.
     A terrível revelação das experiências médicas realizadas pelos americanos na Guatemala, nos anos 1940, e no próprio território americano, em cidadõas negros do sul, revela que ele tinha razão.
     Médicos americanos inocularam virus de doenças venéreas em pessoas saudáveis na Guatemala, inclusive crianças, simplesmente para usá-las como cobaias, observando o avanço de doenças como sífilis, gonorréia e outras, de modo a poder desenvolver medicamentos contra essas doenças. 
     Essas pessoas não sabiam que estavam sendo usadas, mas antes, achavam que estavam sendo cuidadas pelos médicos. A comparação com as experiêncas nazistas em seres humanos não é mera coincidêcia.
     Observem o conteúdo racista das "experiências", feitas em latinos-americanos e negros e nunca em caucasianos brancos. 
     Nos Estados Unidos, as experiências prosseguiram, pasmem, até 1972.
     Como reação às revelações devastadoras, o presidente americano pediu "desculpas". Só isso? Ninguém vai ser preso? Ninguém vai ser indenizado? Não haverão investigações para saber se as indústrias farmacêuticas, agora mesmo não estarão fazendo outras experiências em países da África ou da América Latina (como no filme O jardineiro fiel de Fernando Meireles)?   
     Essa é a pátria da democracia e dos direitos humanos?

Adiós Piñera 


     O presidente do Chile Sebástian Piñera já provou que não tem nada a dizer ao povo.
     Continua insistindo em manter a educação privatizada, modelito implantado pelos americanos, adeptos do ultra neoliberal Milton Friedman, nos anos 90, durante a ditadura de Pinochet, quando tentaram transformar o Chile numa vitrine do neoliberalismo na América Latina.
     Aliás nossos colonizados meios de comunicação continuam repetindo essas besteiras, de que o Chile é um país desenvolvido, o país mais civilizado da América do Sul e outros coisas do gênero. 
     Estive lá em 2009 e, tirando alguns espigões de muito mal gosto construídos no centro, encontrei a mesma pobreza de quando eu vivi por lá, há quase 40 anos atrás, com a diferença de que naquela época havia muita esperança de transformação e agora o povo não aguenta mais uma transição para a democracia que não acaba nunca.
     O que o Chile precisa é de uma Assembléia Constituinte, livre e soberana, para reconstruir suas instituições destruídas pela direita e retirar o que no Brasil chamávamos de "entulho autoritário", ou seja, um monte de leis feitas pela ditadura e que impediam o livre exercício da democracia.
     Os estudantes querem educação pública e gratuita em escolas públicas. Não é uma coisa lógica?
     Ao se negar a dialogar, Piñera assina seu atestado de óbito político e prepara o terreno para uma renovação das esquerdas chilenas. Entre as novas lideranças que surgem está a belíssima líder estudantil, Camila Vallejos, de 23 anos.
     Adiós señor Piñera. Viva Chile!

10.000 acessos


     Esta semana atingimos a marca de 10.000 acessos, nos dois anos do blog.
     Para um blog de opiniões, creio que é uma marca expressiva e agradeço aos leitores eventuais e aos meus 28 seguidores pelo interesse e participação.
    
Políticas Públicas:
A experiência dos comunistas

     Esse é o título do livro organizado pela Fundação Maurício Grabois e publicado pela Editora Anita Garibaldi, reunindo experiências de gestores pertencentes ao Partido Comunista do Brasil, o PCdoB, nos dois governos do Presidente Lula e em alguns governos estaduais e municipais.
     Dividido em 12 temas, Gestão Pública; Esporte e Lazer; Energia; Cidades, Meio Ambiente e Sustentabilidade; Identidades e Segmentos Populacionais; Cultura; Educação, Ciência e Tecnologia; Saúde; Regularização Fundiária e Reforma Agrária; Trabalho e, finalmente, Políticas públicas: o papel da coordenação política, o livro se divide em 29 artigos, além de uma apresentação, de Adalberto Monteiro, um prefácio de Mário Pochmann e uma introdução de Renato Rabelo, o Presidente do Partido.
     Os artigos, relatando experiências de membros do PCdoB na gestão pública tem algumas coisas em comum e outras muito diferentes.
     Entre as coisas em comum, a mais frequente é a referência a um novo projeto nacional de desenvolvimento (subtítulo do livro), projeto este que não fica claro em nenhum momento, a não ser em alguns aspectos mais ligados às suas consequências sobre o bem estar da população, como a "busca por mais empregos, melhores salários, salário igual para trabalho igual entre homens e mulheres, ampliação dos direitos trabalhistas e previdenciários; pela formalização do mercado de trabalho" (pg 402), o que configura uma antiga agenda trabalhista.
     Outra coisa em comum, mais significativa, é a busca pelo reaparelhamento e reorganização do Estado, de forma que este possa desempenhar seu papel de transformar a vida das pessoas, trazendo melhorias e ampliando seus direitos. Também a questão da busca pela probidade administrativa e do combate aos interesses personalistas em detrimento do interesse público, parece estar presente em quase todos os depoimentos. Coisas positivas, num Brasil que padece do mal crônico da corrupção.
     Como não podia deixar de ser, os depoimentos diferem na maneira de expor os fatos e na visão dos gestores. Alguns fazem mera propaganda dos seus trabalhos, ocultando as dificuldades e os méritos de seus antecessores,  talvez usando a publicação como trampolim para alguma futura oportunidade eleitoral, como o artigo de Orlando Silva e Cássia Damiani intitulado "O Esporte e o projeto de Desenvolvimento para o Brasil".
     Outros relatam suas experiências, contorcendo-se entre justificativas para trabalharem sob o capitalismo, dando a impressão de se sentirem mal nos postos, como se estivessem traindo a revolução, desconfortáveis pelo fato de serem responsáveis por políticas públicas dentro de um sistema que condenam, embora sigam em frente e apresentem bons resultados.
     Há ainda os que tem muito a apresentar, mas o fazem em forma de verdadeiros relatórios de prestação de contas, o que torna a leitura cansativa, como no caso do Grupo Hospitalar Conceição, de Porto Alegre, ou tem pouco a mostrar e se perdem em palavras de ordem e bonitas intenções, como no caso da Coordenadoria da Juventude do Rio de Janeiro.
     Mas há os que são tranquilamente honestos e relatam suas dificuldades, suas lutas para vencer a burocracia, a ineficiência, destacando também as contribuições de pessoas que não são do Partido, mas que tiveram participação importante, revelando transparência de caráter e nos passando um panorama mais real da administração pública no Brasil.
     Dentre estes gostaria de destacar os textos "Construindo um sistema municipal de esporte e lazer", de Luiz Carlos Orro de Freitas, que conta sua interessante e criativa experiência como titular da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer de Goiânia; "Experiência exitosa em regulação de serviços públicos na capital do Rio Grande do Norte", de Urbano Medeiros Lima, descrevendo a experiência de transformar uma pequena e desprestigiada agência reguladora de águas em um órgão atuante e ligado ao movimento social; " Não é fácil", de Célo Turino, que descreve a importantíssima experiência de implantação dos pontos de cultura no Brasil à partir do Minstério da Cultura e faz uma análise devastadora da lógica da burocracia; "Jogo de Xadrez", do médico João Ananias, relatando sua administração à frente do Município cearense de Santana de Acaraú e depois como Secretário de Saúde do Ceará e "Superintendência do Patrimônio da União no Pará: uma fábrica de cidadania", de Lélio Costa da Silva, sobre o excelente trabalho de regularização fundiária realizado pelo SPU no Pará.
     É claro que uns tem o dom de escrever melhor, o que não desmerece as outras experiências, mas o que salta aos olhos é o caráter subalterno da maioria das repartições públicas atribuídas ao PCdoB, com grandes excessões, como a Agência Nacional de Petróleo, dirigida por Haroldo Lima, cuja competência e compromisso com os interesses nacionais ninguém questiona.

     Mas é nas pequenas experiências que o caráter inovador e reconstrutor do papel do Estado se destaca.
     A impressão que se tem é que dão ao PCdoB, inicialmente, órgãos públicos completamente desaparelhados e desmoralizados, coisas que ninguém quer, talvez apenas para satisfazer um partido minoritário na divisão de cargos, talvez na tentativa de desmoralizar os comunistas, apostando no seu fracasso, ou ambos. E é aí que os comunistas fazem mais bonito, recuperando, reaparelhando, criando legislações, reorganizando carreiras, formando quadros funcionais, colocando a casa em ordem e botando pra funcionar órgãos propositalmente esquecidos por décadas de abandono e, o mais importante, construindo laços entre o poder público e a população através de uma prática democrática participativa.
     Realmente uma nova escola de gestão pública, que vai, inclusive, muito mais fundo na ligação com o movimento popular do que os governos petistas, mais limitados nas suas consultas ao povo, através dos seus orçamentos participativos.
     É claro que existem também alguns depoimentos ruins, inclusive o que fecha a edição, do deputado Aldo Rebelo, se dizendo orgulhoso em defender o governo no episódio daquela triste reforma da previdência feita logo no início do primeiro governo Lula, em defender o governo das denúncias do mensalão, em defender Severino Cavalcanti na presidência da Câmara dos Deputados e, finalmente, em defender o novo Código Florestal, que anistia os desmatadores, do qual ele foi inclusive relator.
     Justifica tudo isso dizendo que o mais importante era "defender o governo". Podemos imaginar onde isso poderia parar, na medida em que em seu depoimento parece não existir princípios a defender, mas apenas circunstâncias favoráveis que tinham que ser preservadas a qualquer preço.Um filme antigo, de trágicas consequências em muitas partes do mundo, que levou inclusive à derrocada do socialismo no leste europeu.
     Mas prefiro ficar com as palavras de João Ananias, o médico cearense, este sim muito sensível ao sofrimento do povo e às suas necessidades, além de um excelente escritor. Fazendo uma analogia entre o ato de governar e o de jogar xadrez, ele encerra seu artigo com essas bonitas palavras, que me encheram de esperança na possibilidade de renovação do Brasil:

     
  "..., digo enfaticamente que o jogo de xadrez continua. E que nosso adversário - esse modelo econômico que nega a um número cada vez maior de pessoas a satisfação de suas necessidades, que constrói um cinturão de miséria na periferia das grandes cidades, que alimenta a concorrência no lugar da convivência, que permite famílias inteiras sobreviverem sob os mais terríveis e insalubres dos ambientes - não sabe ou não quer definir um destino adequado para seu lixo, negligencia na tarefa de cuidar de seus rios, lagos e florestas e expõe para o mundo a mão estendida de milhões de seus filhos. Este modelo deve ser reconhecido como uma das nossas mais nocivas epidemias."

     As diferenças nos depoimentos me fazem pensar que uma nova geração de comunistas está surgindo, construindo na prática a possibilidade real de superar o capitalismo através de um novo socialismo democrático.
     Parabéns à Márvia Scárdua e Ronald Freitas, organizadores do livro. Se mais administradores se expussem desta forma, talvez a gestão pública no Brasil fosse objeto de um debate mais amplo e significativo, escapando do mero denuncismo da grande imprensa, e pudesse nos levar a outros e melhores caminhos.


     
    
    
 

domingo, 28 de agosto de 2011

Rapidinhas
O futuro da Líbia


     Tomada Trípoli, seguem os últimos combates na Líbia e intensificam-se as buscas pelo ditador Muamar Kadafi, que pelo visto tinha seu plano de fuga muito bem arquitetado. Saiu pela rede de túneis que fluía à partir do seu bunker e deve ter se mandado para algum lugar seguro, junto com sua família e seus tesouros. 
     Talvez esteja em algum emirado árabe, hospedado por algum Sheik amigo, ou quem sabe na Coréia do Norte, ou Irã, onde as forças da Otan não ousam entrar.
     A discussão agora é com o futuro da Líbia, que deve ser comandada pelo CNT, Conselho Nacional de Transição, até que se estruturem instituições democráticas no país capazes de realizar eleições limpas que possibilitem a formação de um governo constitucional e uma economia integrada ao mundo globalizado, o que não significa necessariamente aderir às políticas decadentes do FMI, como bem demonstra a crise da Europa e Estados Unidos. 
     Uma Líbia democrática, tende a se tornar uma pequena potência econômica em pouco tempo, assim como o Egito, e pela sua posição geográfica, tende a desenvolver uma integração econômica muito forte com a União Européia, sua vizinha, logo ali do outro lado do mar mediterrâneo.
     A próxima pedra a cair no Oriente Médio deve ser a Síria, completando a limpeza dos ditadores nas margens do mediterrâneo (a monarquia marroquina já se apressou em promover reformas democráticas e o governo da Argélia suspendeu leis de excessão prometendo eleições livres), permitindo que todas aquelas economias se integrem, entre si e com a Europa, o que pode incluir Israel, se aquele país se libertar dos seus sonhos expansionistas sobre o território palestino.
     Com o provável reconhecimento do Estado Palestino pela ONU em setembro, estariam dadas as condições para uma expansão sem precedentes da União Européia, com a inclusão da Turquia, Síria, Iraque, Líbano, Israel, Egito, Líbia, Argélia, Tunísia e Marrocos, passando a ser uma União Euro-mediterrânea, com um pezinho na Ásia.
     Utopia? Vejam o mapa do Império Romano, no momento de sua expansão máxima e observem como as fronteiras naturais da Europa são o deserto de Saara, ao sul, os montes Urais à Leste e a Península Arábica a sudeste, sendo a Turquia uma passagem para a Ásia.
     Com a fronteira do leste esbarrando na gigantesca Rússia, a expansão do grande mercado europeu só pode se dar para o sul e pelas margens do mediterrâneo, consolidando o velho sonho expansionista de todas as antigas potências européias, a última das quais foi a Alemanha de Hitler.
     Quem sabe este antigo sonho imperial não se construa agora, democraticamente, pela integração econômica e política entre esses povos, libertando o mundo de tantas tensões políticas e das inúmeras guerras que se originaram na região ao longo dos séculos.

O Rio Verruga outra vez


     Como consequência da manifestação realizada pela Faculdade de Arquitetura da Fainor em defesa do Rio Verruga, no dia mundial do meio ambiente, 5 de junho, intitulada Abraço ao Rio Verruga, o Conselho Municipal de Meio Ambiente de Vitória da Conquista, entrou em contato com a Fainor, aventando a possibilidade de que alunos daquela faculdade, supervisionados e orientados por professores, inciem estudos sobre a área do Rio Verruga, no sentido de subsidiar um futuro projeto de despoluição e implantação do Parque Municipal, previsto no Plano Diretor da cidade, ligando as bacias do Rio Verruga e da Lagoa das Bateias.
     O parque, cuja proposta inicial se desenvolve ao longo do curso do rio, viria atender a necessidade premente de áreas verdes e de espaços de lazer para a população da cidade (com índices de depressão entre os mais altos da Bahia), além de recuperar a saúde do único curso d'água da sede municipal, melhorando, em muito, a qualidade de vida dos seus habitantes.
     Parabéns ao Conselho Municipal do Meio Ambiente pela iniciativa. Esperamos que essa cooperação possa gerar bons frutos, englobando inclusive outras instituições da cidade.

CEDECA em Conquista

     O Centro de Defesa da Criança e do Adolescente, entidade sediada em Salvador e dedicada à proteção de crianças e adolescentes contra a violência, promoveu reunião em Vitória da Conquista, no último dia 19 de agosto, com o intuito de implantar um núcleo regional na cidade.
     Compareceram à reunião, representantes do Creas Central e Rural, do Coselho Municipal de Defesa da Criança e do Adolescente, do gabinete do Vereador Vivi Mendes e do Conselho de Psicologia de Vitória da Conquista, além do CEDECA Salvador, que conduziu toda a reunião, dirigida  pela advogada, Dra. Isabella Costa.
     Excelente iniciativa do CEDECA, que traz para Conquista sua experiência em prevenção da violência contra as crianças e adolescentes. Agora o CEDECA-Conquista deve entrar em fase de estruturação, o que significa inclusive fazer uma pesquisa preliminar para conhecer melhor a realidade de Conquista e região.
     O Site do CEDECA apresenta a entidade da seguinte forma:

O que é o CEDECA?



O Centro de Defesa da Criança e do Adolescente da Bahia - CEDECA/Ba , fundado em 1991, é formado integralmente por entidades sociais e administrado por um Conselho de nove ONGs, das quais se elege uma diretoria de três membros com mandato de dois anos.
O Coordenador-executivo é um técnico especializado responsável pela criação e desenvolvimento de projetos, administração, articulações e representação.
O CEDECA/Ba tem como principal missão institucional participar do esforço coletivo no sentido de assegurar proteção jurídico-social (art. 87 do ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente), oferecendo mecanismos de garantia de seus direitos fundamentais quando violados ou ameaçados.
Suas ações, estratégias e alianças são dirigidas a partir de um trabalho prévio de pesquisas setoriais, colhendo dados de uma determinada realidade ou situação, para em seguida intervir com seu instrumental sócio-político-jurídico.
Foram selecionadas, inicialmente, três linhas de ação:
  1. o combate à impunidade dos homicídios praticados contra crianças e adolescentes, que apresentava um índice de 100%;
  2. o combate à violência e exploração sexual de crianças e adolescentes, visando o desmantelamento das redes, a responsabilização do explorador e mudanças na cultura nacional e na legislação a respeito dessa problemática;
  3. a localização e identificação de crianças e adolescentes considerados desaparecidos, com o objetivo de proporcionar seu retorno e reintegração à família e à comunidade originais.
José

     Dia 27 de agosto de cada ano eu me lembro de José.
     Sim, foi nesse dia que um pequeno ser veio ao mundo, em 1975, vivendo apenas 3 dias.
     Nascido de seis meses e meio, numa época em que não haviam ainda recursos para garantir sobrevivência aos prematuros, meu pequeno filho nasceu sem que seus pulmões estivessem ainda completamente formados. Mais duas semanas de gestação e ele teria sobrevivido, mas ele se foi no dia 30.
     Eu tinha apenas 24 anos, quando carreguei seu pequeno caixão com minhas duas mãos, sozinho, enquanto a mãe se recuperava da cesariana em um hospital. Na lápide, em sua sepultura, apenas uma palavra: Zezinho, como o chamamos desde o princípio da gravidez.
     Hoje teria 36 anos. Como seria o homem José? Como teria sido sua vida?
     Uma lembrança que nunca morre em um coração de pai.
     Uma dor que não tem remédio.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Rapidinhas

Faltou uma

     A presidente Dilma anunciou a criação de duas novas Universidades Federais para a Bahia: a UFOBA (Universidade Federal do Oeste da Bahia), sediada em Barreiras e com outros campus também em Luis Eduardo Magalhães, Bom Jesus da Lapa e Barra; e a UFESBA (Universidade Federal do Sul da Bahia), com sede em Itabuna e subsedes em Teixeira de Freitas e Porto Seguro.
     Além disso anunciou uma extensão da UFBA em Camaçari, uma da UFRB (Universidade Federal do Reconcavo) em Feira de Santana e a criação aé 2013 da UNILAB (Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira, em São Francisco do Conde.
     Com isso, todas as regiões da Bahia ficam atingidas pelo ensino universitário federal, com excessão do sudoeste baiano, já que o norte do Estado já conta com a UNIVASF (Universidade Federal do Vale do São rancisco), em Paulo Afonso.
     O governador Jaques Wagner já se pronunciou sobre esta carência, dizendo que fica faltando uma Universidade situada mais ao centro da Bahia, já que a UFOBA está mais ao noroeste.
      Esta é a oportunidade para Rio de Contas reivindicar a instalação de uma universidade no município, pois a exemplo de Cachoeira, sede da UFRB, e de Ouro Preto, sede da UFOP, é uma cidade histórica, tombada pelo patrimônio, que precisa de novas funções econômicas para alavancar o seu desenvolvimento, sem prejudicar sua arquitetura antiga.
     Seu clima frio, devido à sua altitude e sua posição geográfica, ao sul da chapada e no centro da região sudoeste, lhe dão uma vantagem enorme para reivindicar a instalação desta última Universidade Federal.
     Não podemos esperar que o atual governo do município, que prima pela mesquinharia política e pelo imobilismo, corra atrás disso. É preciso que toda a sociedade riocontense se mobilize nessa luta para sediar uma Universidade Federal da Chapada Diamantina.
    
O eucalipto ameaça o Sudoeste da Bahia


     A CPT (Comissão Pastoral da Terra) e outras organizações populares ligadas à agricultura familar, denunciam que a empresa Veracel, que fabrica celulose, está pretendendo implantar um gigantesco projeto de reflorestamento no sudoeste baiano, região semiárida que já conta com poucos cursos d'água, que tendem a desaparecer rapidamente sob as florestas de eucalipto.
     Pra quem não sabe, os reflorestamentos de eucalipto, expulsam os pequenos agricultores do campo e empobrecem a terra, causando tremendo impacto social e ambiental.
     Para discutir o assunto, será realizado um seminário na UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia), no dia 27 de agosto.
     É preciso que a população seja informada de um projeto tão impactante, para que não seja pega de surpresa por esse tipo de empreendimento, que ao invés de criar, tem a capacidade de exterminar empregos e expulsar os moradores do campo, criando ondas de migrantes para as cidades da região, que não estão preparadas para recebê-los, além de prejudicar a própra produção agrícola.
     Atenção Prefeitos e Vereadores de Conquista, Brumado, Tremedal, Condeúba e região. Atenção também Deputados Federais e Estaduais da Bahia, para esta ameaça contra o nosso estado.
    
Kadafi no fim


     Tropas rebeldes entraram em Trípoli, capital da Líbia, neste domingo, encurralando as forças do ditador Muamar Kadafi, que está no poder desde 1969.
     Este é o fim de um episódio sangrento da chamada Primavera Árabe, que luta para derrubar os regimes autoritários naquela região. A resistência do ditador ao avanço das forças rebeldes, durou 6 meses e mostra a dificuldade em remover esses regimes, que se acostumaram a governar com mão de ferro, numa região onde a democracia é deconhecida como cultura política.
     A próxima batalha deve ser a da Síria, onde uma dinastia de ditadores já se perpetua no poder há décadas e onde as forças de segurança não hesitam em atirar contra o povo desarmado, quando este se manifesta pelo fim do regime.
     É preciso lembrar, que esses regimes um dia contaram com grande apoio da população, na medida em que derrubaram monarquias feudais e modernizaram seus países, promovendo o desenvolvimento e a melhoria das condições de vida de seus povos. mas da mesma forma que os comunistas do leste da Europa, não souberam lidar com os anseios pela democracia, quando as necessidades materiais da população já haviam sido atendidas e pretenderam perpetuar ditaduras que criavam pequenos grupos de privilegiados.
     Quando passam a massacrar seus próprio povo, essas ditaduras perdem legitimidade rapidamente e a oposição a elas só faz aumentar.
     Quem não deve estar gostando nada disso é Israel, que usava o pretexto de ser a única democracia do oriente médio, como desculpa para massacrar e ocupar as terras palestinas. Agora os povos árabes dirão como querem que seus governos lidem com Israel e, pelo que se observa no Egito, o resultado deve ser amplamente favorável aos palestinos.
Festival de Inverno em Conquista

     Cada vez melhor o Festival de Inverno de Vitória da Conquista. Desta vez brilharam no palco, Vanessa da Mata, Ana Carolina e Frejat, entre outros.
     Os artistas e visitantes se surpreendem com a dimensão e a organização do evento, e também com o frio das madrugadas conquistenses, o que levou o roqueiro J. Quest a dizer que é o único lugar onde se vê baiano de cachecol.

     Bom para mudar esse imagem do povo baiano como atrasado, preguiçoso e religioso, promovida pela mídia do sudeste, e apoiada pela Rede Bahia, da família de Antono Carlos Magalhães, que ainda domina a comunicação no estado.
     Dentre todas as apresentações, Frejat deu um banho de profisionalismo e musicalidade. Ana Carolina com seus pandeiros e Vanessa da mata rodando e cantando, também emocionaram.
     Acho que o parque de exposições já ficou pequeno para a festa.
     Que bom um festival de música na bahia sem a decadente axé-music, que ninguém aguenta mais.
     Parabéns a Conquista que se afirma cada vez mais como uma pólo de desenvolvimento econõmico e cultural no sudoeste do estado.

domingo, 14 de agosto de 2011

Rapidinhas 
Com amigos como esses...

     Caramba, mais escândalos nos ministérios ocupados pelos aliados do governo. Agora é no turismo.
     Quem viu aquele ministro octagenário tomando posse viu logo que isso não ia dar certo. Sem nenhum preconceito contra os idosos (já que agora sou um deles), o Ministério do Turismo precisava de sangue novo, inclusive para aproveitar os eventos esportivos (Copa do Mundo e Olimpíadas) pra ver se a atividade deslanchava no Brasil.
     Mas antes mesmo de tomar posse, nosso vetusto ministro já se envolveu em um escândalo, em que pagou com verbas públicas uma farra num motel para alguns "amigos".
     Bom, pelo menos foi o que divulgou a imprensa da época.
     Mas ver policiais federais prendendo um Secretário Geral de um Ministério é uma bofetada em qualquer governo. O pior são as reclamações desses partidos, dizendo que o governo Dilma não sabe lidar com seus aliados... E mais. reclamando que o Ministro da Justiça sabia das operações da Polícia Federal e não fez nada.
     O que eles queriam, que o ministro avisasse os corruptos?
     Com amigos como esses, quem precisa de inimigos?
 
Trem bala neles!


     A oposição não se conforma com o projeto de trem bala entre Rio, São Paulo e Campinas.
     O grande argumento deles é que os Estados Unidos ainda não tem um desse tipo. Então pra que fazer um aqui? Claro, dentro da cabecinha colonizada desse pessoal não podemos ser melhores que os americanos. Temos que esperar eles resolverem fazer um para depois fazer outro por aqui, senão estaríamos afrontando os patrões deles.
     Que coisa!
     Outro dia um colunista desses da Folha da São Paulo, metido a sério, dizia que tínhamos que copiar o programa de economia de combustíveis do governo americano para os automóveis e que nós não estávamos fazendo nada nesse sentido.
     Esquece que há mais de trinta anos temos o pró-alcool, que eles mesmos sempre combateram, porque não havia nada igual no "primeiro mundo".
     Agora ninguém me convence que por trás desta campanha contra o trem bala não esteja o lobby das empresas aéreas, que vão perder muitos passageiros para o trem.
     Espero que esse trem saia logo. E mais. Que ele seja estendido a várias outras capitais brasileiras, nos libertando desse complexo de vira-latas da elite colonizada e dessas empresas aéreas que nos matam de fome e de aperto nos seus voos "econômicos".

Choque de eficiência

     O Governo federal avisa que vai cortar as verbas para os planos de mobilidade para a Copa do Mundo, que não cumprirem os requisitos técnicos econômicos, ambientais e sociais exigidos. 
     Parece que muitos governos estaduais simplesmente não dispõem de técnicos com competência para fazer os projetos e ficam enrolando ou mudando os projetos de acordo com interesses políticos locais.
     Uma pena. Isso é reflexo do hábito de fazer indicações políticas para cargos técnicos. Gente sem formação e sem capacidade, querendo arrecadar dinheiro público para obras faraônicas que depois ficam paradas por anos, como o metrô de Salvador.
     Nossa presidente parece que está sacudindo a roseira e botando as coisas nos eixos.
     Além disso ainda tem a corrupção nos ministérios. Mas disso cuida a Polícia Federal e o Ministério Público. 
     Como diziam os chineses: não importa de que cor é o gato, o importante é que ele pegue o rato!
     
2012

     Pois é, pessoal, parece que o mundo vai mesmo se acabar em 2012.
     Não o mundo físico, ou seja, o planeta Terra, como no filme, mas a civilização como tem sido até agora.
    Ver os cidadãos israelenses fazendo manifestações gigantescas, semelhantes as que acontecem no mundo árabe, pedindo políticas mais justas e democráticas, foi um sinal dos tempos. Além disso, a Europa se revolta contra seus velhos governos e partidos políticos, os Estados Unidos descem ladeira abaixo, sufocados pelo conservadorismo fanático do Tea Party, setor do Partido Republicano que quer fazer a civilização voltar ao tempo das cavernas, conseguindo com isso a façanha de nos libertar das garras do gigante imperialista.
     Parece que estamos vivendo uma nova era de mudanças em que os países vão perdendo sua importância, e a cidadania vai passando a ser um valor universal, por cima de velhos nacionalismos e ideologias ultrapassadas.
     Antes essas mudanças na civilização levavam séculos para acontecer, agora parece que estão se acelerando. Quem sabe em breve seremos um só país neste lindo planeta, numa civilização liberta de guerras, opressões, de mercados e de bancos.
       
Tecnologia e neologismos


     A coincidência de estar lendo um romance do escritor angolano José Eduardo Agualusa (Milagrário Pessoal, editora Língua Geral, Rio de janeiro - 2010) e ao mesmo tempo estar presente em um seminário sobre novas tecnologias de informação, aplicadas à construção civil (Tecnologia da Informação na Construção - TIC-2011), me expôs a um confronto de idéias surpreendente e muito significativo.
     Enquanto no romance os personagens principais, um velho professor aposentado e uma jornalista, mergulham numa busca por neologismos na língua portuguesa, passando por Lisboa, Recife e Angola, referindo-se a outros países da lusofonia (ou da lusosfera se vocês preferem ser mais contemporâneos), e descobrindo outros personagens mais radicais na defesa do idioma português, construído conjuntamente por todos seus quase 300 milhões de falantes no mundo, no seminário de Salvador abundavam neologismos e estrangeirismos, pronunciados por palestrantes com a maior naturalidade, como se todos nós tivéssemos a obrigação de conhecê-los, ou ainda, nos impondo a obrigação de conhecê-los e utilizá-los.
     Impossível não fazer a correlação entre o romance que eu lia à noite e as palestras que assistia durante o dia.
     Enquanto no livro, Agualusa nos brindava com belíssimos trechos como o que descrevo abaixo, falando sobre a importância dos quintais na lusofonia:
          Em Luanda, no Dundo, na Chibia, os quintais foram desde sempre espaços amáveis de convívio e de permuta.
          ...
          Nos quintais, em Luanda, o quimbundo misturava-se com o português. Também no Brasil o quintal foi durante séculos o lugar onde África repousava do esforço escravo. Ali se contavam histórias, cultuavam ancestrais e orixás, e se festejava a vida. Em Salvador, no Recife, São Luis do Maranhão, Ouro Preto ou no Rio de janeiro a nossa língua convivia com os idiomas indígenas e africanos, e era por eles namorada e ampliada.
           Gosto de entrar por esses quintalões antigos, em Olinda ou em Benguela, afagando os cansados muros de adobe, afastando as pesadas folhas de bananeira e a humidade ofegante, para finalmente me sentar no chão, a cabeça encostada ao tronco rugoso de alguma árvore centenária. Um abacateiro. Uma mangueira. Uma figueira. Um pau de fruta pão. Fecho os olhos e logo um vago rumor de vozes ascende da terra negra.
            Os quintais estão cheios de vozes. Para as escutar exige-se disponibilidade de espírito, ou seja, tempo e inteligência, soma de qualidades que nos dias que correm poucas pessoas possuem.
     Em um artigo relativo a implantação da tecnologia BIM na arquitetura (Building Information Modeling) , tema do seminário do qual eu participva, a revista AU afirmava em um dos seus parágrafos:
          Em escritórios de médio e grande porte também é recomendada a presença do "BIM manager", que será o responsável por criar templates, objetos e gerenciar as informações contidas nos softwares. Semelhante ao q-user, ele também deverá se atualizar constantemente para melhorar o uso do software no escritório.
     Me pergunto se tal profusão de estrangeirismos, simplesmente transcritos do inglês para o nosso dia-a-dia é realmente necessária.
     Assistindo às palestras e comunicações do seminário observei como muitos brasileiros residentes no exterior, especialmente nos Estados Unidos, se envaidecem com o uso de termos desconhecidos para a maioria dos brasileiros, que correm para tentar entendê-los e absorvê-los.
     Me entristeço com tal demonstração de colonização cultural. Os que moram fora, orgulhosos de absorver a cultura estrangeira do colonizador e os de dentro, ansiosos para não demonstrarem desconhecimento dos novos vocábulos, como se isso os diminuísse aos olhos da ciência.
     Mas ao atentar para o conteúdo das comunicações outra coisa me chamou a atenção. O palestrante que abriu o seminário, um americano legítimo, disse que devíamos cobrar dos fabricantes de novos programas de computador o atendimento as nossas necessidades, enquanto arquitetos e projetistas brasileiros. Mas os restantes palestrantes brasileiros, ao invés disso, só se preocupavam em demonstrar que estavam adaptados aos programas feitos para a realidade americana.
     A preocupação era sempre a de absorver e se adaptar e nunca de cobrar algo feito para nós.
     Triste postura.
     A excessão, para confirmar a regra, foi a de um grupo de pesquisadores da Unicamp, que mostrou-se muito à vontade em analisar a realidade das faculdades de arquitetura brasileira, desenvolvendo excelente perspectiva de adaptação das novas tecnologias à nossa realidade, sem se preocupar em beijar a mão dos estrangeiros, nem em utilizar estrangeirismos para tentar se legitimar junto a eles.
     Quais serão os arquitetos que produzirão nossa expressão arquitetônica no futuro? Tristes arremedos colonizados ou legítimas expressões da cultura lusófona brasileira? Um prato cheio para o velho professor do romance de Agualusa e uma preocupação autêntica para os que realmente se preocupam em formar novos profissionais em um Brasil que cada vez mais se afirma no mundo com uma expressão própria.
    

         
    

domingo, 7 de agosto de 2011

Rapidinhas

Dilma 3 x 0

     Nossa presidente tirou mais um ministro da era Lula.
     O agora ex-ministro Nelson Jobim, fazia parte de uma ala de direitistas que Lula incorporou ao seu governo para poder governar. Não dá pra esquecer que foi ele, como Ministro do Supremo, que defendeu a tese de que não existiam direitos adquiridos para os aposentados, naquela absurda reforma previdenciária que Lula fez logo no início do seu primeiro governo, reduzindo direitos e benefícios dos que trabalharam e contribuíram a vida toda, e criando o famoso "fator previdenciário". Tudo com a intenção de ganhar a confiança de setores do empresariado que achavam que ele ia fazer uma revolução comunista.
     Os aposentados pagaram a conta.
     Depois como Ministro da Defesa, Jobim ganhou a confiança dos generais conservadores que não querem abrir a caixa preta dos crimes que eles cometaram durante a ditadura.
     Agora com o talento de Celso Amorim, pode ser que o Brasil tenha uma política de defesa que realmente defenda nossa soberania, ao invés de fazer média com o decadente império americano.
     Depois de tirar Paloci da Casa Civil, Nascimento e sua corja dos transportes, Dilma faz mais um gol a favor do Brasil.

O Máscara

     Gente, esse mascarado aí em cima não é nenhum terrorista, nem refém da Al Qaeda. Sou eu mesmo fazendo tratamento de pele com a Dra. Simone Karst em Brasília.
     Doutora Simone cuida de mim desde 2002, quando tive um câncer de pele e fui salvo pela destreza e habilidade dela.
     Todo ano tenho que fazer uma revisão e este ano ela me mandou fazer esse tratamento chamado terapia fotodinâmica, em que a gente fica 3 horas com um produto no rosto (debaixo da máscara) e depois entra numa espécie de "forninho", para tirar todos os pontos que podem vir a se tornar câncer nos próximos anos.
     É, portanto, um tratamento preventivo.
     Muito competente e gentil a Dra Simone. Brasília pode se orgulhar de ter uma profissional a altura dela.
     E gente, por favor, usem protetor solar, para não terem que passar por isso.

Festival de Música em Livramento


     A Secretária de Cultura de Livramento, Esther Lígia, mais uma vez mostrando serviço (ao contrário do paradeiro em Rio de Contas), promove o festival de música Canta Livramento.
     As inscrições estão abertas até o dia 22 de agosto e o festival será realizado no dia 01 de outubro, na Praça D. Hélio Paschoal.
     As premiações serão de R$800,00 para o primeiro lugar, R$500,00 para o segundo e R$300,00 para o terceiro. Além disso haverá prêmios de R$200,00 para o melhor intérprete e melhor desempenho musical.
     Informações pelo (77)3444-2013, (77)3444-2037 - ramal 16 ou pelo 9966-1230, com a própria Esther Lígia.
     Parabéns Livramento.

(Conto curto)

FAXINA

     Ele não soube bem quando começou.
     Talvez quando seu amor o deixou. Sim, parece que foi isso.
     Tantos anos de dedicação respondidos com traição e desprezo.
     Seus últimos filhos já estavam a sair de casa e ele foi ficando sozinho, como sempre temeu.
     No fundo ele sempre soube que ficaria sozinho, mas tentava adiar esse dia, sendo bom para os outros, se preocupando, se desdobrando, mas no fundo... esperando. Quando o dia da solidão chegou ele se desesperou. Não sabia mais como viver.
     Sua casa vazia era um enorme monumento à derrota.
     Sim, à derrota. Se sentia velho e doente. Abandonado, sem rumo. Mas tinha que seguir porque não conseguia se imaginar se matando.
     Pensou em várias formas de se matar, mas nenhuma delas o agradou. Então resolveu seguir e começou a esvaziar tudo.
     A empregada, que vinha às sextas-feiras estranhou.
     Ele abria os armários e revirava as coisas e depois mandava jogar fora tudo que lembrasse o passado, os filhos, os amores, a vida que acabara de acabar, embora ele continuasse vivo.
     Eram montanhas de lixo na porta.
     Os meninos da vizinhança vinham catar seu lixo, pois sabiam que ali estavam coisas bem aproveitáveis, que aquele homem maduro, sabe-se lá por qual motivo não queria mais.
     Mandou um afilhado, que teimava em permanecer, cuidar da própria vida.
     Comprou uma TV nova e deu a velha ao homem que veio fazer a entrega.
     Arranjou um emprego novo e retomou um ofício que ele não exercia há muitos anos. Ficou surpreso ao ver que, apesar da idade se desempenhava bem e as pessoas o respeitavam mais do que antes.
     Começou a recusar trabalhos chatos, que fazia só para agradar aos outros, na esperança vã de que eles não o deixassem sozinho.
     Começou a emagrecer, livrando-se de décadas de banhas acumuladas na espera e no medo da solidão.
Agora que ela chegara, não precisava mais ficar esperando.
     Um dia redescobriu seus livros na estante, livros que a bagunça da casa não deixava mais que ele chegasse perto e se lembrou de como gostava deles. Sim, os livros acumulados eram a história de sua vida.
     Lembrou dos tempos em que sabia denunciar as coisas, as injustiças, as mentiras que as igrejas contavam e os jornais repetiam pra manter o povo anestesiado. Lembrou que podia sair e tomar uma cerveja na esquina, olhando a cidade silenciosa e ver como ela era bonita.
     Olhou as árvores que plantara e viu como elas lhe floriam.
     Remexendo gavetas achou seus discos e pode enfim voltar a ouvir suas músicas.
     Olhou em volta e viu que não tinha mais amigos e que aqueles a quem ele chamava de amigos eram apenas pessoas a quem ele se agarrava pelo medo de ficar sozinho. Mas não eram amigos verdadeiros.
     Havia amigos de verdade? Não importava mais.
     Resolveu vender as terras e os imóveis que acumulara durante toda a vida, como acumulava gorduras, com medo de ficar sozinho. Resolveu viajar com o dinheiro que guardara para dar aos filhos, que já cuidavam das próprias vidas. Às vezes eles ligavam, alguns diziam que se preocupavam, mas tinham que seguir suas vidas. Melhor.
     Assim começou a se livrar de tudo, das marcas que os outros deixaram na sua vida, dos medos, das reservas e recomeçou a viver.
     Finalmente a tão temida solidão chegara: ele estava livre!