Por Ricardo Stumpf Alves de Souza

domingo, 12 de agosto de 2012

Rapidinhas
Show de humor
     O desfile dos advogados de defesa dos réus do mensalão está se tornando realmente um espetáculo de humor. Não, sei, nunca ouvi falar, não tenho a menor idéia, isso tudo é invenção...
     Coitadinhos tão inocentes!
     Tem um que se chama Jacinto Lamas.
     Ô dó! Quem foi esta mãe cruel que previu o destino deste pobre?
     Espero que ele consiga provar sua inocência para fugir ao destino prenunciado pelo seu nome.
     E ainda falaram mal do Tiririca quando ele se candidatou.
     Quem disse que humorista não serve pra ser político?
Dia dos pais
     Vou pedir licença ao meu amigo Altemar, do blog Notícias de Rio de Contas, para reproduzir esta maravilhosa charge sobre este dia, e a campanha para que os filhos comprem presentes para seus pais. As imagens dispensam explicações.

Umbuzeiro

     Em 2001 trabalhei por seis meses na cidade de Itaberaba, em pleno semi-árido baiano.
     Lá pude conviver e entender um pouco mais o que é esse bioma fantástico, chamado caatinga, e tão estigmatizado pela sua agressividade ao homem.
     Uma verdadeira farmácia, cheia de ervas medicinais importantíssimas, que se fossem pesquisadas talvez nos trouxessem a cura de muitos males que afligem os seres humanos.
     Dentre toda aquela vegetação tão diferente, uma árvore sobressai pelas suas qualidades de dar água (que armazena em bulbos nas suas raízes), frutos (o delicioso umbú) e sombra, em meio à paisagem mais seca do sertão.
     Mexendo nos meus arquivos, achei esta poesia que fiz naquela época em homenagem ao umbuzeiro, à caatinga brasileira e à cidade de Itaberaba.
    

Umbuzeiro
Que dá sombra
E fruta fresca
No meio da caatinga.
Você, como o Umbu-Cajá
E o Cajá-Manga
Oásis e remansos
Do agreste brasileiro.
Me explique, como pode
Uma natureza
Tão agressiva
Frutificar tão protetoramente?
Que gente é essa
Que mora aqui
De onde vieram...
Há quanto tempo vieram?
Terão eles adquirido
Esse contraditório da natureza
Agressivos e espinhentos
Mas capazes dos frutos mais doces?
Suas lágrimas
Serão como seus rios
Intermitentes
E salgados?

Seus corações
Lagoas
Que se enchem e secam
Com a mesma facilidade veloz?
Quem são seus ancestrais?
Aborígenes
Que deixaram pinturas nas pedras
Por toda parte!
Quem são eles
Quem sou eu
No meio deles
No meio dessa aridez?
Dá-me tua sombra generosa
Pé de umbu
Para que eu também me refaça
Sob tua espinhenta proteção.
Deixe-me entender
Tua mensagem agridoce
De equilíbrio e resistência
De elo com o mistério dos antepassados.
Ensina-me essa magia
Da fartura e da fertilidade
No meio das pedras
E do sal

Ricardo Stumpf Alves de Souza - 2001


A Manilha e o Libambo III

O Reino do Congo
Jinga, a Rainha de Angola
     Em 1482, o rei de portugal, D. João II, enviou, em segredo, o navegador Diogo Cão ou Caão (abaixo à direita) para explorar a costa africana, ao sul do golfo da Guiné (então chamado Golfo de Benin), onde os portugueses estavam erguendo o forte de São Jorge da Mina, e tentar descobrir a passagem para o oceano índico e o caminho para a Índia das especiarias.
     Diogo Cão fez duas viagens. Na primeira, em 1483, aportou na foz do Rio Congo, onde foi acolhido pelo mani, ou senhor de Sônio, a província noroeste do antigo Reino do Congo.
     Este rio, que é o maior da África central, nasce no Lago Tanganika, corre para o norte e depois se curva para sudoeste, até chegar ao oceano atlântico.
     Os nativos da etnia bakongo, que viviam na embocadura do rio, o denominavam Nzere, que na sua língua significa o rio que engole os outros rios. Diogo Cão, deformou seu nome para Zaire.
     Diogo Cão ainda desceu a costa africana até a Namíbia, chegando ao litoral do deserto do Kalahari no ponto hoje conhecido como Cape Cross (na foto de satélite abaixo, à direita) e depois retornou, deixando marcos de pedra com inscrições, que ele chamou de padrões.
     Na foto à esquerda o padrão de Diogo Cão no cabo Cross, na atual Namíbia.
     Diogo Cão achou que o Cabo Cross era a extremidade sul do continente africano e por isso retornou à foz do Rio Zaire.
     O navegador, com a concordância do Mani, enviou presentes para o Rei do Congo, que vivia no interior, na cidade de Banza Congo, (ou M'Banza Congo) que naquela época já tinha cerca de 60.000 habitantes, junto com uma embaixada de portugueses (localização de Banza Congo na foto de satélite abaixo). Como seus enviados demorassem a voltar, ele retornou a Portugal levando alguns nativos, que tomou como reféns, prometendo trazê-los de volta dentro de 15 luas.
     Cumpriu o prometido, e em 1485 "...estava de volta, com os reféns em boa saúde, vestidos à européia e falando português. Diogo cão mandou um deles ao Manicongo, com ricos presentes, a mensagem de amizade do rei de Portugal e a proposta de troca dos portugueses que haviam ficado em Banza Congo pelos congueses que levara consigo."
     O Manicongo ficou muito impressionado com os relatos dos que haviam sido levados a Europa e resolveu aceitar a oferta de D. João II para uma aliança, inclusive militar, aceitando o batismo na fé católica. Para o rei de Portugal, seu sonho de encontrar um rei africano que se cristianizasse e se tornasse seu aliado, evitando a concorrência de árabes, espanhóis e holandeses, parecia finalmente se concretizar.
     O rei do Congo, Nzinga a Nkuwa, se tornou D. João I, procurando europeizar seu país segundo o modelo português e seu filho primogênito, Mbemba Nzinga, que o sucedeu (com a ajuda militar portuguesa) derrotando seu irmão Mpanzu a Kitima (que contava com a preferência dos clãs matrilineares que tradicionalmente elegiam o novo rei), se tornaria D. Afonso, um rei muito católico e estudioso das escrituras.
     Mas a tentativa de europeização do Congo não avançou muito, devido ao próprio desinteresse dos portugueses, para quem servir no reino do Congo era quase uma condenação à morte, devido às doenças que os abatiam facilmente. Depois da descoberta do caminho para as Índias, a importância do Congo diminuiu e os portugueses passaram a ver ali, apenas a oportunidade de obter escravos, com os quais tentavam enriquecer rapidamente e voltar à Europa, prática comum inclusive entre os padres enviados para a conversão dos africanos.
     Os mercadores de escravos de São Tomé, começaram a se opor aos esforços da coroa para desenvolver uma colônia no Congo, retendo os padres enviados para lá e muitas vezes escravizando jovens congueses enviados a Lisboa para estudar e que passavam pela ilha.
     O tráfico desenfreado de escravos fez com que o Manicongo tentasse regulá-lo, para impedir que congueses fossem escravizados (apenas os estrangeiros capturados em guerra podiam ser vendidos). Essa medida deslocou o comércio de seres humanos para o lago Malebo (à esquerda, na foto de satélite), muito acima da foz do rio, área de fronteira e constantes guerras entre os congos e os angicos, conflito que produzia uma grande quantidade de cativos.
     A procura por escravos fez com que as guerras se intensificassem e os pumbos, (mercados de escravos), se multiplicassem em volta do lago, sob controle do rei do estado Makoko, da etnia tio, que mandava prear em razzias no centro da África, ambundos, angicos, bobangis, sucus, ianzis, bomas, teges, e cotas. O Manicongo, continuou a lucrar com o tráfico, que pagava tributo para passar por seu território e ainda vendia produtos agrícolas para alimentar os cativos que aguardavam para serem embarcados no litoral atlântico.
     Mais ao sul, a costa era povoada pelos congos até a ilha de Luanda. Porém mais para o interior do continente, na embocadura dos rios Lucala e Kwanza, havia um outro reino, tributário do Manicongo, o reino de Dongo ou Andongo, cujo rei se intitulava ngola a kiluanje, a quem os portugueses chamaram o Angola.
     Esse reino se desenvolvia no planalto que existe à partir da embocadura de dois grandes rios, o Kwanza que deságua ao sul de Luanda e seu principal afluente, o Lucala.

A Invasão dos Jagas
    
     O Angola a Kiluanje era tributário do Manicongo, mas frequentemente negociava diretamente com os mercadores de São Tomé, fornecendo escravos, marfim e tecidos. Essa situação levou a uma guerra entre os dois estados, com a vitória do Angola, que consolidou sua independência, com apoio dos jesuítas que mercadejavam escravos e queriam romper o monopólio do manicongo sobre este comércio.
     Esta situação enfraqueceu o poder do Manicongo, que se viu ás voltas com revoltas internas, estimuladas por intrigas estimuladas pelos portugueses que habitavam o reino, que se aliaram aos pumbeiros do lago Malebo, que também não se conformavam com o controle sobre o tráfico de escravos exercido pelo rei conguês.
     Quando o Manicongo conseguiu controlar a situação viu-se invadido por uma verdadeira horda de bárbaros, os Jagas, que entraram no reino destruindo e matando, abrindo caminho para o oceano atlântico.
     Segundo Costa e Silva, esta onda de violência que desceu sobre o reino Congo foi resultado de uma seca terrível que assolava a região central da África e também do desespero causado nas pequenas comunidades agrícolas pelo crescimento das razzias para captura de escravos, realizadas pelo rei Makoko e os mercadores do lago Malebo.
     Não tendo como sobreviver e cada vez mais à mercê dos traficantes de escravos, os povos da África central começaram a abandonar as estruturas tradicionais de poder dos seus clãs matrileneares e passaram a se reunir em hordas de guerreiros móveis, onde os reis eram escolhidos entre os mais fortes. De vítimas das razzias, passaram a capturar gente, inclusive entre os makokos, para vender aos traficantes. Depois, percebendo que o grosso dos lucros ficava com os mercadores, quiseram abrir eles mesmos o caminho para o mar, para comerciar com os portugueses.
     Contam as lendas que os jagas (ilustração à esquerda) eram antropófagos e matavam seus próprios filhos, para que estes não atrasassem sua marcha, enquanto adotavam os pequenos rapazotes dos povos que iam conquistando pelo caminho, e que iam sendo treinados na disciplina militar. Mas Costa e Silva diz que essas lendas eram propagadas pelos europeus, intimidados por essa nova forma de organização social guerreira, tão distinta das tradicionais sociedades africanas que eles se habituaram a dominar.     O Manicongo, derrotado pelos jagas, refugiou-se numa ilha do Rio Zaire e pediu ajuda aos portugueses, que enviaram 600 homens sob o comando de Francisco de Gouveia, que após 5 anos fez os jagas recuarem para sua região de origem.
     No meio dessa guerra, muitos europeus ficaram no Congo e se misturaram com mulheres locais, criando uma população mestiça que passou a ameaçar o poder do Rei. Tudo isso foi minando as estruturas políticas tradicionais do reino, que ficou cada vez mais à mercê dos europeus e dos seus interesses, alimentados principalmente pelo tráfico de escravos. A sociedade conguesa foi se tornando fortemente escravista. "O Congo passara a girar em torno da escravidão".
     A guerra de Conquista
     Insistentes boatos sobre a existência de minas de prata em território Dongo, fizeram o rei de Portugal, D. Sebastião, se decidir pela conquista do território, abandonando a política de fundar feitorias no litoral e passando à tentativa de fundar uma colônia que avançasse para o interior.
     Para isso criou em 1571, a Capitania e Governança de Angola, no mesmo feitio das capitanias hereditárias do Brasil, cujo primeiro donatário foi Paulo Dias de Novais.
     "Deu-lhe D. Sebastião o que não era dele. Transferiu-lhe o governo e a posse de terras que não pertenciam a Portugal, mas a reis africanos".
     De início o Angola observou à distância o desembarque dos portugueses, já que as terras do litoral pertenciam ao Manicongo. Quando perceberam que os portugueses vinham para ficar, os próprios congueses começaram a lhes dar combate, em 1575, através do seu líder regional conhecido como kassanje
     Mas logo que os portugueses começaram a subir o rio Kwanza, o Angola entrou na guerra dando-lhes combate, já no ano de 1579. Os portugueses responderam com uma violência cruel, decapitando os chefes que faziam prisioneiros e incendiando as cabanas das aldeias com famílias inteiras dentro.  
     Os dongos respondiam com uma tática de guerrilhas, que fustigava os portugueses, com avanços e recuos, levando estes construir um forte na embocadura dos rios Kwanza e Lucala, o forte de Massangano (na foto acima à direita as ruínas do forte atualmente e à esquerda, o rio Kwanza e a igreja de Muxima, vistos do forte, em foto de 1961), onde se entricheiraram e onde morreu e foi enterrado o donatário da capitania, Paulo Dias de Novais, em 1589.
     O objetivo principal dos portugueses era chegar a Cambambe, onde supunham estar as minas de prata, o que só conseguiram em 1603, comandados por um tal Manuel Cerveira Pereira, que tratou de fazer um armistício com o Angola, enquanto verificava que as minas só continham chumbo.
      Muitos haviam morrido por uma quimera.
     Logo os portugueses, que na época estavam dominados pela Espanha, se desinteressaram da conquista e voltaram a mercadejar com escravos. a cidade fundada pelos portugueses, São Paulo de Luanda se transformou num grande entreposto de escravos. Entre 1575 e 1591 contaram-se 52.053 cabeças embarcadas.

     Os Imbamgalas

     As sociedades africanas, tradicionalmente, se organizavam em torno do poder matrilenear e da suserania. Assim um rei, casava-se com várias esposas, cada uma de um clã diferente, e depois da sua morte os chefes dos clãs se reuniam para decidir qual filho do rei morto assumiria o trono, promovendo uma rotatividade do poder entre os clãs.
     Os chefes dos clãs eram vassalos do rei, mas o sucessor real era escolhido por eles, dentre os filhos do rei, num esquema de rotatividade que garantisse a participação de todos os clãs no poder.
     Sociedades guerreiras, como a dos jagas, por exemplo, eram excessões. Nelas, o poder não era hereditário, nem a identidade do grupo era étnica, mas sim ritual. Era através da submissão a um rito que um indivíduo passava a pertencer à sociedade, mesmo que viesse de outro povo.
     Geralmente essa quebra da tradição, transformando uma sociedade tradicional numa sociedade guerreira, se dava quando um grupo entrava em decadência, por questões econômicas-ambientais (uma grande seca por exemplo) ou por pressão de guerras que desestruturavam os micro-estados, levando a migrações forçadas.
     Parece ter sido esta a origem dos imbangalas, que se transformaram numa sociedade guerreira, móvel. Eles vieram do leste e eram comandados por um líder do povo lunda, a quem chamavam de quingúri, originários do centro da África. Na sua marcha para o oeste, os imbangalas encontraram o reino do Libolo, ao sul do rio Kwanza, cuja organização era extremamente centralizada e disciplinada em torno de um exército em constante prontidão, que tinha o nome de quilombo.
     Nesse reino, embora sedentarizado, as estruturas matrilineares tinham se dissolvido e os ritos iniciáticos se davam em torno de uma terrível cerimônia, conhecida como maji a samba, que consistia no preparo de um unguento, à partir de gordura humana, feita com crianças mortas, misturada com ervas, que ao ser passada sobre o corpo dos guerreiros, os tornaria invulneráveis às armas dos inimigos.
     Os imbangalas adotaram o rito do maji a samba, a estrutura militar do quilombo, e se fragmentaram em vários grupos, nos quais bastava um guerreiro se desligar de uma comunidade e se besuntar com o unguento mágico para se proclamar um senhor da guerra ou rei imbangala. Um de seus ritos de iniciação, consistia em arrancar os dentes caninos dos rapazotes, o que fez com que os portugueses, mais tarde, passassem a chamar quem não tinha os dentes da frente de bangalas ou banguelas.        O Angola, deu combate a esses grupos, que acabaram se refugiando no litoral, onde entraram em contato com os portugueses, na foz do rio Cuvo.  Os imbangalas, ao verem as caravelas lusitanas, pediram ajuda para atravessarem o rio, em troca se ofereceram para prear escravos. À partir daí começou uma longa cooperação entre portugueses e os grupos imbangalas, que eram temidos pelos andongos, que os tinham na conta de antropófagos. Os portugueses inicialmente os confundiram com os jagas, que assolaram o reino do Congo e por isto às vezes os chamavam assim.
     Alguns historiadores dizem que o nosso Zumbi dos Palmares seria descendente dos imbangalas (sobre isto ver o link http://omenelicksegundoato.blogspot.com.br/2011/10/zumbi.html).
     O novo governador designado para Luanda, em 1611, Bento Banha Cardoso, se aproveitou dessa colaboração para fazer uma aliança militar com Kulashingo, um líder imbangala e romper o cerco em que viviam os portugueses, nos seus fortes e teve algumas vitórias militares importantes.
     Em 1617, um novo governador Luis Mendes de Vasconcelos, chegou e resolveu tentar novamente fazer a guerra aos andongos,  porém Kulashingo havia desertado, rumando para o sertão, onde se estabeleceu como um novo rei, entre os rios Lui e Cuango. 
     Nessa época, um novo Angola havia assumido, o rei Mbandi. As tropas portuguesas, sem o apoio do principal chefe imbangala, mais uma vez conseguiam avanços temporários, mas depois eram obrigadas a recuar. O Angola mantinha sua tática de se retirar para depois voltar a atacar, fustigando as forças portuguesas.

Jinga, a rainha guerreira

     Em 1621 Portugal enviou um novo governador, Luis Correia de Sousa, que apressou-se a fazer a paz com o Angola. Para negociar a paz, o rei andongo mandou a Luanda sua irmã, Jinga, que muito altameira, avisou os portugueses que estava ali para negociar de igual para igual, fazendo uma séire de exigências para interromper a guerra.
     Dois anos depois, com a morte de seu irmão, ela assumiu o trono do reino Andongo, sendo a primeira mulher a se tornar Angola. Para ser respeitada entre os clãs andongos, ela não aceitava o título de rainha e resolver se tornar socialmente homem, se fazendo chamar de rei, lutando como um soldado à frente de seu exército e mantendo um harém de homens vestidos de mulher.
     Como as negociações com os portugueses não avançassem, Jinga se casou com um chefe imbangala, chamado Kaza, assumindo a importante função que os imbangalas reservavam às mulheres, de ministrar o unguento mágico maji a samba aos seus guerreiros.
    A partir daí Jinga se libertou da estrutura matrilenear dos clãs que comandavam seu reino e imbangalizou seu exército, tanto no recrutramento quanto nas técnicas de combate, declarou guerra aos portugueses e mandou avisar a todos os africanos residentes em Luanda que lhes oferecia proteção e asilo, se eles abandonassem os portugueses.
     De uma hora para outra Luanda se esvaziou de escravos e africanos livres e os portugueses se viram privados de sua mão de obra e de soldados para seus exércitos.
     Como reação os portugueses se voltaram para os velhos clãs andongos, que não aceitavam as transformações promovidas por Jinga e nomeoaram um novo Angola, títere, chamado Ari Quiluanje, que se proclamou vassalo do rei de Portugal.
     Jinga atacou a todos e "...derramou a guerra por toda parte".
     Dois acontecimentos vieram a ajudá-la: uma epidemia de varíola, que matou o angola dos portugueses e boatos sobre uma possível invasão holandesa, que desviaram os esforços lusitanos. Com a morte de Ari Quiluanje, os portugueses entronizaram outro angola e o batizaram com o nome de Filipe.
     Com o apoio dos súditos de Filipe, os portugueses prosseguiram na guerra, tendo uma vez encurralado as forças de Jinga junto ao penhasco da Quina Grande dos Ganguelas. Ela, porém, surpreendeu-os fazendo seus homens descerem o precipício em cipós para o vale dos rios Lui e Cuango.
     Jinga aumentou seu poder conquistando o reino vizinho de Matamba, tradicionalmente governado por uma mulher. Depois passou a guerrear aquele imbangala Kulashingo, isolando-o dos portugueses e conquistando o acesso ao mar, onde passou a adquirir armas dos navios holandeses e a controlar o tráfico de escravos dos pumbeiros.Depois de mais de 15 anos, os portugueses finalmente reconheceram que a guerra não valia a pena e que teria sido melhor negociar com Jinga. "O próprio governo de Lisboa admitiria o erro e recomendaria, em outubro e novembro de 1641, que fosse corrigido, devolvendo-se à rainha Jinga o reino do Dongo, que dela havia sido "injustamente retirado". Era tarde. Em agosto daquele ano, Luanda já tinha sido tomada pelos holandeses".
Maiores informações sobre esta fantástica personagem da história da África podem ser obtidos no site http://www.leyaonline.com/catalogo/detalhes_produto.php?id=204, através do livro intitulado Ginga, Rainha de Angola, de Manuel Ricardo Miranda, 2007, Editora Oficina do Livro, Lisboa.

sábado, 4 de agosto de 2012

O Paiz

Aventureiros
     O julgamento do chamado mensalão começou, ocupando  os principais espaços da mídia, especialmente a mídia de direita, que sonha em aproveitar o episódio para derrotar o PT nas eleições de outubro.
     Apesar da postura oportunista desse tipo de mídia, que Paulo Henrique Amorim batizou de PIG, Partido da Imprensa Golpista, acho que esse julgamento pode balizar uma mudança importante de comportamento na política brasileira.
     No meu livro, Contracorrenteza, de 1993, contei alguns episódios que vivi como militante do PT, e que já revelavam a face de certo tipo de gente que habitava (e ainda habita) esta legenda.
     Me refiro a um tipo de esquerda aventureira e oportunista, que se diz revolucionária, usando este rótulo para justificar atitudes irresponsáveis que só funcionam em benefício deles próprios.
     Convivi com gente que se propunha a fazer assaltos, para angariar fundos em nome da revolução. Uma revolução que eles não conheciam e nem queriam fazer, estando interessados apenas em arrecadar dinheiro fácil.
     Combati, denunciei essas pessoas e me desliguei do PT em 1990, depois de 9 anos de militância, por causa delas e da desenvoltura com que circulavam dentro do Partido.
     O exemplo mais importante desses oportunistas, falsos revolucionários revelados pelo mensalão, me parece ser José Dirceu, que nunca pegou em armas, mas viveu clandestino no Paraná, depois de fazer uma plástica no rosto. Sem dúvida uma aventura capaz de criar um frisson em aventureiros pequeno-burgueses.
     Instalado no poder, no início do governo Lula, começou logo a montar seu esquema revolucionário de arrecadação de fundos, para realizar o projeto político de manter seu partido no poder por muitos anos, enquanto se beneficiava e deixava que muitos outros também se beneficiassem, dos seus esquemas financeiros.
     Tudo muito emocionante.
     Segundo denúncias muito sérias, ele já tinha montado esquema semelhante em Santo André, esquema que resultou no assassinato do prefeito Celso Daniel, quando este descobriu tudo e ameaçou abrir a boca. Pelo menos esta é a versão da família do prefeito morto, que hoje está asilada na França, depois de ver oito pessoas envolvidas no processo serem também assassinadas.
     A marca registrada desta gente é a arrogância e o desprezo pelas leis, que eles consideram burguesas. Acham que podem fazer o que quiserem, que o fim justifica os meios e não tem medo de afrontar juízes e opinião pública, que eles consideram manipulados pelo capital.
     Está na hora de dar uma lição definitiva nesse tipo de aventureiros, condenando-os e mostrando a quem quiser se refestelar com dinheiro público, seja em benefício próprio ou em nome da alguma revolução romântica, que a nação brasileira não aceita este tipo de prática e nem compacturá com ela.
     Dinheiro público é sagrado e condenar esse tipo de gente vai ajudar a fazer uma limpeza na política e no próprio PT, que ainda tem muita gente séria querendo transformar o Brasil num país melhor.
    
     
Rapidinhas
Venezuela no Mercosul

     Pra quem achava que a entrada da Venezuela no Mercosul não significaria nada em termos de negócios, a compra de 20 aviões Embraer 190, com entrega imediata de seis unidades, foi um tapa na cara. Em plena crise mundial, quem pode dispensar um sócio com dinheiro para gastar e disposição para ir às compras? Alguém está com saudades do Paraguai?
     A direita raivosa, só vê a questão ideológica, achando que o Mercosul se rendeu a Hugo Chaves. Não percebem que ele está doente e logo a Venezuela terá que buscar outro presidente. E o melhor que o Brasil tem a fazer agora é procurar atrair o país do caribe para sua área de influência, evitando possíveis tentações totalitárias de algum sucessor aventureiro.
     No Mercosul a Venezuela está garantida no campo democrático.
     Na verdade a guerra ideológica que se dá hoje no mundo não é entre capitalismo e socialismo, como nos tempos da guerra fria, mas entre o neoliberalismo e um capitalismo controlado por um estado forte e com preocupações sociais, modelo que vem dando certo em toda parte.
     Quanto ao neoliberalismo, vai patinando nos Estados Unidos e Europa, afundando lentamente, e arrastando com eles a liderança do velho mundo.

Vox populi...
     Pois é, amigos leitores, já repararam como os assaltos a banco no interior aumentam muito em época de eleições municipais? Porque será?
     A maldade do povo diz que é pra fazer caixa dois para as campanhas. Afinal, dinheiro roubado não existe oficialmente e, portanto, não presta contas, não é mesmo?
     Como diz o ditado: a voz do povo é a voz de Deus!
Fiasco olímpico
     O resultado do Brasil nas olimpíadas, depois de um primeiro dia com 3 medalhas, está sendo decepcionante.
     Depois ainda dizem que brasileiro não desiste nunca...
     Eu acho que nós brasileiros não temos é fibra de enfrentar o desafio de vencer. Ficamos nervosos no final. Isso é falta de preparo psicológico. Ou será o velho complexo de vira-latas?
     De qualquer forma fica mais uma vez demonstrado que um bom desempenho olímpico se constrói com programas governamentais de formação de atletas e não com valores individuais.
     Precisamos levar isso à sério, se um dia quisermos ter alguma expressão no esporte mundial.

Gore Vidal


     Os  Estados Unidos perderam esta semana uma de suas poucas vozes realmente independentes, capazes de dizer aquilo que todo mundo pensa, mas poucos tem coragem. Como por exemplo; que George Bush estaria por trás dos atentados de 11 de setembro.
     É o fim de uma era de grandes pensadores. Restam os bajuladores, os que cedem à lógica corporativa e os que se encalusuram com medo de dizer o que desagrada à opinião pública.

 Mário Quintana
DO AMOROSO ESQUECIMENTO

Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?
Mario Quintana
A Manilha e o Libambo II


O Benin e o delta do Níger

     Prezados amigos leitores.
     Em continuação à resenha do livro de Alberto da Costa e Silva, continuamos nossa viagem pelo Atlântico, seguindo o desbravamento que os portugueses foram fazendo daquelas costas, à medida em que iam descendo para o sul do continente africano e entrando em contato com terras e povos e também um pouco da realidade daquela região hoje.
     Costa e Silva nos fala do que ele chama de lançados, que eram os portugueses que se aventuravam a ficar nas praias africanas e iam se africanizando, na medida em que se entrosavam com as populações locais, inclusive se casando com mulheres africanas, e passavam a ser, frequentemente, intermediários entre as caravelas da coroa portuguesa e os reis locais, muito embora desenvolvessem interesses próprios, que nem sempre se alinhavam com os da coroa portuguesa.
     Nesse tipo de colonização sui gêneris, não planejada, muitas vezes passaram a constituir burguesias comerciais concorrentes com os europeus, com a vantagem de dominarem a língua, os costumes e os territórios que habitavam.
     A maioria dos que se lançavam nessa aventura africana, morria de febres (malária, etc), ou simplesmente não se adaptava ao clima, aos costumes e à sociedade africana, e acabava voltando. Mas muitos sobreviveram e foram ficando, tendo filhos mulatos (o termo surgiu nessa época), que não pertenciam à cultura européia nem à africana.
     Os casos mais emblemáticos dessa população mestiça que foi se formando, ocorreu nas ilhas de Cabo Verde, em frente ao Senegal, e em São Tomé e Príncipe, no golfo de Benin, mais ao sul, antes desabitadas e onde surgiram sociedades lideradas por burguesias mulatas ou pelos brancos da terra, cujos interesses comerciais muitas vezes passaram a concorrer com os de Portugal, ocasionando sérios problemas às pretensões do monopólio comercial, que a metrópole sempre procurava estabelecer nos seus contatos com os reis africanos.
     Hoje os dois arquipélagos são países independentes, pertencentes a CPLP, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, com fortes laços culturais e comerciais com o Brasil.

O Golfo de Benin
     Ao subir o rio Benin, em 1486, no território da atual Nigéria, os portugueses encontraram o porto de Ughoton, 65 Km acima da foz, através do qual tiveram conhecimento da existência de uma cidade que era capital do império dos edos, que também se chamava Benim a 30 Km de caminhada do porto.
     Logo trataram de fazer contato com seu rei, mas não esperavam, que a cidade fosse tão grande, maior que a maioria das capitais européias da época (ilustração abaixo à esquerda), e construída em torno de um imenso palácio, do seu governante que se intitulava Obá, cujas colunas de madeira "...cobriam-se de placas de cobre: as placas esculpidas em relevo com cenas de corte, festas, ritos, batalhas e caçadas, que deram fama ao Benim"  (foto abaixo à direita).
     "...não escapou ...tampouco o tamanho do reino, calculando que se estendesse por 80 léguas de comprido por 40 de largo - ou uns 385 Km de oeste para leste e cerca da metade disto do sul para o norte".
     Os portugueses se entusiasmaram com as possibilidades de comércio, já que o Benim era um reino centralizado, onde todo o poder se concentrava no Obá, o que facilitava um possível acordo.
     Além disso os islâmicos ainda não haviam chegado por lá e as possibilidades de conversão do rei ao cristianismo eram maiores.
      (abaixo à direita, a cidade de Benin atualmente)
     O rei de Portugal viu na centralização política e religiosa uma oportunidade para implantar o cristianismo, e o rei interessou-se pela compra de armas de fogo, arcabuzes e canhões, que os portugueses só vendiam a convertidos. A coincidência de interesses fez com que o Obá permitisse que padres viessem pregar e construir igrejas. Mas o cristianismo não penetrou muito nas populações locais, ficando restrito a alguns membros da elite, o que acabou frustrando as intenções do Rei de portugal, D. Sebastião.
     O Rio Benim fica à oeste do imenso delta do Rio Níger (na foto de satélite à esquerda), região atualmente produtora de petróleo. Entre o rio Benin e o delta do Níger, existem mais dois rios. Ao longo desses três rios (os três rios embaixo, na foto, à esquerda), próximo à costa, viviam os Ijós e os Itsequiris, que eram parentes do Obá de Benin e que mercadejavam com os escravos, resultantes das guerras movidas pelo Obá contra os reinos mais ao norte, especialmente provenientes dos povos Urrobos, IsocosIorubás e Ibos.
     Os portugueses compravam tantos escravos nessa região, que batizaram o segundo rio de Rio dos Escravos. A maioria era vendida no forte da Mina, para os Acãs. Assim, os portugueses se tornaram intermediários do lucrativo comércio de escravos entre os próprios africanos.
O Golfo da Guiné (antigo Golfo de Benin), atualmente, com a cidade de Benin, marcada no mapa à direita.
     Logo os portugueses perceberam que as razzias (caçadas humanas) para capturar escravos não eram lucrativas, devido a necessidade de combater em terreno desconhecido e enfrentar a resistência armada das populações. Era muito mais fácil comprar escravos dos próprios reis africanos, que logo percebiam as possibilidades de auferir grandes lucros com o comércio de corpos e tinham sua lógica própria para decidir quem ia ser escravizado ou não.
     Mas nem todos os europeus entendiam essa realidade, respeitando as hierarquias locais. Alguns deles, especialmente os ingleses, se lançavam à costa ao primeiro grupo de seres humanos que enxergassem, para capturá-los, capturando, à vezes, os próprios reis ou seus emissários que vinham à bordo oferecer mercadorias.
     Um desses ingleses foi o pirata John Hawkins, a quem Costa e Silva chama de velhaco e que foi posteriormente nomeado Sir, membro do parlamento e almirante pela rainha da Inglaterra.
     Desse Rio dos Escravos, saíram muitos cativos trazidos para o Brasil. Temos, portanto, uma identificação étnica muito importante com essa região da África, embora pouco conheçamos da sua realidade atual.
     Como o Obá não conseguiu seu intento de comprar armas de fogo dos portugueses, desinteressou-se da aliança. Os portugueses, por sua vez, já empenhados na colonização do Brasil e no comércio com a Índia, não tinham gente suficiente para bancar uma empreitada tão grande em continentes tão distantes (Portugal tinha na época, cerca de 2 milhões de habitantes) e também se desinteressaram.
     O comércio com o Benin foi sendo deixado para as caravelas de São Tomé, que passaram a ocupar o lugar de Portugal, comprando e vendendo escravos inclusive para as américas portuguesa e espanhola. Os cativos eram comprados no continente e passavam um tempo em São Tomé, trabalhando nas plantações de cana de açúcar e se adaptando ao sistema de exploração colonial. Depois eram exportados.
(na foto à direita a cidade de São Tomé, atual capital da República de São Tomé e Príncipe)
     No tempo em que passavam em São Tomé aprendiam o dialeto do português, chamado crioulo, que depois se espalhou pelas américas e para Cabo Verde, deixando rastros até hoje, inclusive na cidade de Cartagena das Índias, um porto atlântico da Colômbia, famoso por receber escravos nesta época.

     As sociedades do delta do Níger, um lugar semelhante à nossa Amazônia, cheio de rios, manguezais, lagos e furos (ligações entre rios), evoluíram de famílias patrilineares, que formavam uma aldeia composta do senhor, suas várias esposas e filhos, agregados e escravos, cujos filhos e netos podiam se incorporar a família de seus proprietários após algumas gerações, para o que os africanos chamavam de wari, que eram verdadeiras corporações comerciais, estruturadas em torno da atividade pesqueira.
     Uma Wari era tanto mais influente e poderosa, quanto mais famílias, agregados e escravos possuísse. Hoje essas estruturas sociais ainda sobrevivem como uma forma de organização social tradicional (à esquerda membros de uma tradicional Wari nigeriana, no delta do Níger).
     Com o tempo, a absorção dos escravos passou a ser mais rápida, no sentido de ampliar a importância da comunidade, que rivalizava com outras comercialmente, na venda de pescado, escravos e sal.  A essas estruturas familiares os europeus passaram a chamar casa da canoa. Um escravo aculturado, que fosse protegido por uma das mães da casa, podia ascender socialmente no grupo e até adquirir propriedades, podendo inclusive se separar da casa original, com a permissão de seu pai de adoção e fundar uma nova casa, que seria tributária da primeira, formando assim uma constelação de casas, que eram verdadeiras corporações.
     Nessa região surgiu entre o povo Ecói, uma sociedade secreta, a Sociedade do Leopardo, que "...regulava todas as relações sociais e tinha poder de vida e morte", que tinha como objetivo manter as tradições ancestrais e influenciar na escolha dos reis. Ela possuía uma escrita própria, formada por ideogramas, chamada nsibidi, (à direita) que permitia que as pessoas conversassem em silêncio, apenas apontando os ideogramas. Essa sociedade produziu também os famosos monólitos de pedra, (acima à esquerda) cujo tamanho variava de 90 cm a 1,80, com figuras humanas, a maioria em forma de falos. Esses monólitos são conhecidos como akwanshis, e muitos ainda se encontram em aldeias nigerianas do delta do Níger, especialmente na região do rio Cross.
    O delta do Níger hoje tem sido palco de muitos desastres ambientais, devido a vazamentos de petróleo. Na foto ao lado, vazamento provocado pela empresa Shell no delta do Níger, segundo notícia do site abaixo.
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/07/vazamentos-de-petroleo-afetam-nigeria-ha-cinco-decadas.html
    
    

domingo, 29 de julho de 2012

Reformulação do blog

O Paiz

     Prezados leitores. Depois de quase 5 anos de divulgação deste blog, estou introduzindo algumas modificações para torná-lo mais atrativo e agradável.
     Para isso, além das mudanças no lay-out, passarei a publicar uma "coluna", intitulada O Paiz, assim mesmo com Z no final, na qual serão comentados assuntos de interesse nacional, sendo mantidos as já tradicionais Rapidinhas e o artigo de fundo.
     A razão deste nome está no antigo jornal O Paiz, do Rio de Janeiro, fundado no século XIX, e que foi uma tribuna importante na luta pela abolição e pela República, tendo sobrevivido até 1930, quando foi empastelado (foto acima) pelas forças vitoriosas da revolução de 30.
     Seu último proprietário e articulista, foi meu tio-avô, Antonio Augusto Alves de Souza, que, com o advento da ditadura getulista, teve que se exilar na Europa.
     A tradição do jornalismo, no entanto, permaneceu na família, através de meu irmão e de meu filho, embora nenhum dos dois assine o sobrenome Alves de Souza, herdado de meu pai. Dois filhos e um neto de Antônio Augusto, foram arquitetos como eu, sendo que o neto arquiteto se tornou um artista plástico famoso. Assim, o jornalismo e a arquitetura vem se misturando há gerações no seio dos Alves de Souza.
     Do meu tio-avô sei apenas as histórias que meu pai contava. Sei que era paraense, como meu avô, e que publicou alguns poemas na sua juventude, depois indo morar no Rio de janeiro, onde se tornou o jornalista famoso
     Meu avô, João Alves de Souza, foi advogado e morreu de tuberculose, doença fatal na época, tendo passado seus últimos dias na cidade mineira de Sabará, por recomendação médica.
     Meu pai, tendo ficado órfão (sua mãe morreu quando ele tinha apenas 3 anos, de gripe espanhola), pegou um Ita no norte e foi pro Rio morar, com o tio, na sua grande casa no bairro de Santa Teresa, até que a revolução de 30 deixou-os em situação econômica difícil e ele teve que seguir sua vida sozinho.
     Espero que minha pequena homenagem ao extinto jornal O Paiz, faça jus à importância que teve no passado e à justeza das lutas que encabeçou, em prol da liberdade do povo brasileiro.
     Algumas informações sobre o antigo jornal O Paiz, estão no link abaixo:
    
Rapidinhas
Olímpicas
Pirotecnia
     Muito bonita a pirotecnia na abertura das olimpíadas. Essas aberturas estão virando um espetáculo à parte, sempre contando a história do país, o que é meio provinciano, na minha opinião.
     Claro que faltou mostrar os diversos povos que os ingleses massacraram pelo mundo, no tempo do seu império colonial, quando Julio Verne chamava a Inglaterra de pérfida nação.
     Acho que essas aberturas deveriam dar ênfase a história do esporte e de como ele aproxima os povos e não ficar exaltando o país sede. Já imagino como vai ser no Rio em 2016, com africanos, índios e portugueses, transformando tudo num grande carnaval.
     Espetáculo à parte foi ver aquela rainha sonolenta acordando para declarar open the games.    

Fraude arquitetônica
     A torre que os ingleses construíram ao lado do estádio olímpico de Londres (à esquerda), é claramente inspirada na famosa Torre Tatlin (à direita), uma espiral em aço que circundava uma pirâmide, projetada pelo arquiteto soviético, Vladimir Tatlin, em 1919, em homenagem à Terceira Internacional.
     A torre, que deveria ser erguida em Petrogrado, dentro da concepção do construtivismo russo, nunca foi construída, mas um modelo se encontra no Museu de Arte Moderna de Estocolmo, na suécia.


O melhor do Brasil

     Parabéns à equipe brasileira no Judô, principalmente à atleta Sarah Menezes que conquistou, com muita garra, a primeira medalha de ouro para o Brasil. O atleta Felipe Kitadai conquistou a medalha de bronze, a primeira medalha do Brasil nessas olimpíadas.
     Thiago Pereira surpreendeu ao conquistar a prata nos 400 metros, superando o famoso Michael Phelps, que não foi bem. Arthur Zanetti e Sergio Sasaki foram muito bem nas provas de ginástica olímpica e avançam na competição. A equipe masculina de basquete venceu a Austrália, em jogo duríssimo e também avança.
Energia feminina

     As equipes femininas de volei e handebol venceram na estréia, contra Turquia e Croácia, respectivamente. Juliana e larissa, a dupla do volei de praia, estrearam com vitória também, sobre as Ilhas Maurício.
     Muito bom o jogo da seleção feminina do Brasil contra Camarões (5x0), com destaque para a tabelinha Marta - Cristiane. Sem dúvida um começo auspicioso, mas sabemos que ainda vem muita dificuldade pela frente. O segundo jogo, contra a Nova Zelândia, foi mais cauteloso, mas alcançou bons resultados também, ficando no1x0.
      Já o jogo da seleção masculina contra o Egito preocupou pela ausência de conjunto. Tirando os talentos individuais, falta articulação na equipe, que continua marcada pelo individualismo, estrelismo e falta de atitude.
      Mano Menezes, aparentemente continua apostando na imobilidade.
      Acho que Lula tinha razão, quando perguntado sobre qual seria o maior problema para a realização da copa do mundo no Brasil, em 2014. Ele respondeu: a seleção!
+ rapidinhas
Viva Juninho!

     E já que estamos falando de futebol, Juninho Pernambucano continua cada vez melhor. O passe que ele deu, quase sentado, para que o Vasco marcase o gol da vitória contra o Botafogo foi fantástico. Nem parece que o atleta tem 37 anos.
     O Vasco, aliás, vem se destacando pela regularidade. Desde 2011 quando conquistou o campeonato da série B, a Copa do Brasil e o vice-campeonato do Brasileirão, o time continua muito bem, com chances de conquistar o Campeonato Brasileiro de 2012, apesar do empate com o Internacional neste sábado.




São Paulo nas mãos do crime
Incrível o aumento da criminalidade em São Paulo, comprovando que as políticas de segurança do PSDB, que privilegiam a repressão em lugar da prevenção, não dão resultado.
Não adianta encher as ruas de viaturas e policiais e deixar os bandidos se organizarem livremente. O resultado é esta guerra a que estamos assistindo, com bandidos cada vez mais ousados e uma polícia violenta, matando inocentes para tentar mostrar serviço.
Veja a diferença da política aplicada no Rio de Janeiro, voltada para a ocupação das áreas dominadas pelos criminosos e para ações preventivas, com ênfase na inteligência, que desbaratem o crime organizado, antes que ele possa atacar.
Está na hora de mudar esses políticos paulistas. Ninguém aguenta mais José Serra e cia.

Lançamento

     Recebi, para divulgação, o cartaz do lançamento do livro de Damário Dacruz, ocorrido em Cachoeira, Bahia, no dia 27 de julho. Trata-se de obra póstuma do poeta, intitulada Todo Risco, o ofício da paixão, publicada pela Fundação Pedro Calmon, em parceria com a Editora Livro.com.
     Para maiores informações consulte www.fpc.ba.gov.br