Por Ricardo Stumpf Alves de Souza

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Rapidinhas
Você conhece esse olhar?

     

É impressionante, mas a foto à esquerda é de Ayrton Senna e a da direita a de Bruno Senna.
         Dentro do capacete parecem a mesma pessoa. O olhar é o mesmo.
         Parece que o tio baixou no sobrinho, para reviver suas glórias no automobilismo.
         Isso me recorda uma entrevista de Ayrton que assisti, em que ele afirmava que depois de algumas voltas nos circuitos que disputava, se sentia entrando numa espécie de túnel, onde o tempo passava mais devagar e ele não via nem os adversários, nem a platéia, como se estivesse em outra dimensão.
         Parece que seu fantasma voltou para assombrar os pilotos do mundo inteiro, principalmente alguns alemães, que só conseguiram se sobressair depois da sua morte nunca explicada.
Adeus Whitney


     Mais uma voz fantástica nos deixa, depois de confusões com drogas e remédios.
     A vida dos astros da música parece ser cheia desses altos e baixos. Para quem olha de fora é só glamour e fama, mas a realidade do trabalho deles é o stress e a dificuldade em harmonizar  a vida particular com a profissional.
     Vai fazer muita falta Whitney Houston, essa verdadeira diva da música americana.


A Grécia em pé de guerra


     A governança européia ultrapassou todos os limites do bom senso, exigindo do governo grego mais 150.000 demissões, num país que já conta com 21% de desemprego, além da diminuição do salário mínimo, diminuição de aposentadorias e cortes de pensões, entre outros absurdos. Estão jogando o povo grego na miséria para salvar alguns bancos.
     A situação beira o descontrole e as perspectivas são de rebelião civil contra a "troika" integrada pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), além dos partidos políticos tradicionais. A insensibilidade  dos políticos conservadores europeus, Angela Merkel à frente, só coloca mais lenha na fogueira das manifestações anti-capitalistas que se espalham pelo mundo.
     Pelo jeito os maias tinham razão: o mundo que conhecemos está prestes a acabar.


     Em apenas 5 meses pulamos de 10 para 15.000 acessos. Isso é uma recompensa enorme aos esforços para manter atualizado esse espaço de reflexão e notícia. Obrigado amigos.
V chega ao Brasil

     Pois é, queridos amigos, custou mas o movimento anti-capitalista global (cujo maior símbolo é a máscara do personagem do filme V de Vingança)  chegou ao Brasil e da forma mais inusitada, através das greves de policiais.
     A incapacidade dos governos da coalizão governista em dialogar com o movimento grevista, aliada ao territorismo midiático da TV Globo, em sua eterna campanha contra as greves, produziram algumas jóias do pensamento fascista, entre elas a acusação ao bombeiro carioca, de estar incitando a greve, como se fosse um crime um dirigente sindical fazer isso. Outra foi a acusação à deputada do Psol de estar orientando o mesmo dirigente sobre como agir para reforçar o movimento grevista, como se fosse um crime um partido de esquerda apoiar uma greve (e foi triste ver a deputada na defensiva ao invés de reafirmar seu direito de apoiar os grevistas).
     É a criminalização dos movimentos sociais voltando com toda força, em defesa dos interesses dos donos do capital.
     A violência com que os governos tem reprimido manifestações pacíficas pelo Brasil mostra que PT e PSDB realmente trilham o mesmo caminho, e que as disputas entre esses dois partidos se tornaram apenas cosméticas. Ambos defendem o controle do capital sobre nossa sociedade em detrimento dos direitos dos cidadãos, expressos na nossa Constituição. 
     A absurda desocupação do Pinheirinho, a polícia no campus da USP, a repressão violenta aos estudantes capixabas que protestavam contra o aumento de passagens em Vitória e outros episódios tristes, mostram qual o resultado da política de alianças do PT com a direita, a fim de se consolidar no poder. O PSDB, que se proclama social-democrata, já trilhou este caminho há muito tempo, fechando com a velha direita para conseguir governabilidade.
     O projeto deles (e quem são eles?) é criar um sistema bi-partidário, ao estilo norte-americano, em que ambos os partidos defendem o capitalismo, com algumas diferenças. As nuances estão na ênfase do PT ao controle do capital nacional, priorizando o mercado interno, enquanto o PSDB quer entregar tudo ao capital internacional, dentro da velha proposta neoliberal. Além disso, aqui, como em muitas partes do mundo, agora tentam censurar a internet, um espaço que se tornou realmente democrático e passou a ter um papel importante na manifestação e mobilização dos povos de todo o planeta.
     Agora Lula manda às favas a história do PT em São Paulo e se junta à direita mais abjeta para expulsar o PSDB do poder. Ótimo, mas qual será a verdadeira mudança? O que o povo ganhará com isso?
     O que vai ficando cada dia mais evidente é o controle da nossa sociedade por um grupo  reduzido de pessoas, em detrimento do nosso povo. A renda aumentou? O consumo vem melhorando? Muito bem, mas e nossa democracia, conquistada com tanto sangue e suor? Ela vai sendo vendida na bacia das almas em troca de bugingangas, carros, eletrodomésticos e outros bens supérfluos, enquanto nosso bem maior, que é a liberdade está sendo ameaçado por projetos de poder, que não tem mais ideologia, mas representam apenas grupos de interesses que lutam por benefícios.
     São muitos os sinais de que a estrutura do poder está apodrecendo. Juízes que se recusam a ser investigados e abrir suas contas, um sem fim de ministros corruptos, que acham que podem roubar à vontade e o máximo que lhes acontece é perder os cargos, sem ter que devolver nada nem ir para a cadeia.
     A própria greve dos policiais revelou um aspecto tenebroso da nossa sociedade: sem polícia nas ruas nos sentimos órfãos. E porque? Porque nossa sociedade está cada dia mais violenta.
     É um vale-tudo para conseguir dinheiro e bens, para ficar rico e usufruir de bens materiais e ao diabo com os princípios morais.
     Mas o Brasil agora é a sexta economia do planeta! Muito bem. Parece que voltamos ao tempo do ditador Garrastazu Médici, do milagre brasileiro e do Brasil Grande, só que em vez de ditadura temos um arremedo de democracia cada vez mais podre.
     Pude ter um bom exemplo do que está acontecendo esta semana, quando em visita a minha pequena Rio de Contas recebi várias queixas de militantes do PT de que um dirigente do partido está oferecendo a legenda aos coronéis da região, em troca de futuros cargos no governo. Eles se declaram chocados com a situação. Mas não tinham visto ainda o que estava acontecendo? Só quando a desgraça bateu à sua porta se deram conta do nível de descomprometimento desse partido com seus proclamados ideais?
     Quando saí do PT em 1990 e publiquei o livro Contracorrenteza em 1993, eu já denunciava os desvios no Partido e prenunciava o que haveria de vir. Hoje dizem que fui profético, mas eu digo que eles é que foram crédulos e se recusaram a ver o que estava diante dos seus olhos.
     O PT fez muitas coisas boas no Brasil, mas seu manancial de propostas se esgotou. Virou um partido desenvolvimentista, que tem medo do povo e não tem propostas para os principais desafios que estão à nossa frente, como a questão do meio ambiente, do desenvolvimento sustentável e de uma democracia realmente participativa, onde o povo não apenas eleja quem vai administrar a máquina do governo, mas controle a própria economia da nação, obrigando governo e empresas a se submeterem ao interesse de cada um e de todos.
     A última grande diferença entre PT e PSDB foi ao chão com a privatização dos aeroportos. Agora ficaram quase iguais, só que um é azul e o outro é vermelho.
     Pois é, amigos leitores, o sonho acabou e está na hora de arregaçar as mangas e lutar outra vez, acreditando que um outro mundo é possível.


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Rapidinhas

Igreja dos reis magos



     Em visita a Vitória do Espírito Santo, fui passear pelas praias ao norte da capital, no município de Serra e encontrei essa preciosidade: a igreja dos Reis Magos, na localidade de Nova Almeida, sobre uma elevação, pertinho do mar.
     A edificação é de 1615 e foi construída pelos jesuítas para catequização dos índios, que ainda vivem nas redondezas. Desde 1943 é tombada opelo Iphan e já passou por várias restaurações.     
     Além da igreja, há ao lado o convento dos jesuítas. Na verdade o edifício segue as normas dos colégios jesuítas da época, com a igreja e a área onde viviam os alunos reclusos e os padres jesuítas, separadas pela torre dos sinos.
     A área do convento/escola tem um pátio interno e através dela também se alcança a igreja. Quem entra por esse pátio sai na frente do altar e tem aquele impacto. É uma peça linda, toda esculpida em madeira (foto ao lado). Uma coisa incrível.
     No centro do altar uma pintura à oléo sobre madeira representa os três reis magos.
          O visual do local é de tirar o fôlego, com vista para as praias lá embaixo e para o povoado de Nova Almeida, com suas duas pontes.
     Uma beleza. Não deixe de visitar
      
Mude de canal

     Sinceramente, não entendo esse tipo de campanha que se faz pela intenet visando tirar do ar o BBB12, acusando-o de ser antiético, um insulto à cultura, etc.
     Ninguém é obrigado a assistir a nenhum programa e os telespectadores podem mudar de canal quando quiserem. Se estão reclamando é porque querem continuar a assistir a TV Globo, cuja programação, em geral, prima pelo baixo nível cultural e pela manipulação da informação.
     Não vejo ninguém fazer campanha para tirar do ar o Programa do Ratinho, que é pura baixaria, ou o do Gugu, que não passa de um monte de idiotices sentimentalóides, ou mesmo o Domingão do Faustão, que é outra porcaria, sem falar no horror que é o Silvio Santos.
     Na verdade parece que as pessoas estão hipnotizadas pela programação e não gostam de alterações.
     Pra quem quer ver programas com nível cultural mais alto, sugiro a TV Brasil ou a TV Escola (pra quem tem parabólica), que tem coisas excelentes. Tirar o BBB12 do ar não vai mudar nada. O que resolve é mudar de canal.

Dilma e os direitos humanos

     A postura da presidente Dilma Roussef sobre direitos humanos em Cuba tem três lados. O primeiro é o mais visível, quando ela diz que o tema não deve ser usado como arma política e idológica.
     Os americanos que tanto criticam Cuba, tem uma prisão dentro da ilha, que está completamente fora das leis internacionais, onde mantém há mais de uma década prisioneiros sem acusação formal, submetidos a torturas e maus tratos, muitos deles sequestrados em seus próprios países por forças da CIA. Também não admitem que houve um golpe em Honduras e apóiam o governo eleito em condições completamente antidemocráticas. Honduras é hoje o país onde mais se desrespeitam os direitos humanos e onde ocorreu em 2011 o maior número de assassinatos de jornalistas de oposição.
     Aliás, o histórico de apoio americano a ditaduras, inclusive à brasileira, é imenso.
     O outro lado é a prática diplomática do Itamarati de fazer as coisas na surdina. Eles sabem que a democratização em Cuba será um processo difícil, que passa por uma negociação interna muito densa e apostam que a liberação virá aos poucos. Uma espécie de abertura lenta e gradual, como ocorreu no Brasil, e sabem que nós podemos ser fiadores dessa negociação, desde que não nos coloquemos em atitude crítica ao regime.
     Então procuram se manter numa posição de neutralidade pró-ativa, apoiando o processo e apostando que a longo prazo a ilha aceitará a cláusula democrática da Unasul, para ser aceita como membro pleno, o que reforçaria muito a posição geopolítica da América latina, visto que a Ilha tem um peso militar e político considerável.
     O último viés é econômico. A abertura em Cuba, em direção a uma economia mista de estilo chinês, poderia alavancar o desenvolvimento da ilha tornando-a, no futuro, uma base de exportação de produtos e serviços brasileiros para os Estados Unidos e Europa devido à sua posição geográfica, por empresas nossas com investimentos lá.
     Mas a postura do governo cubano negando a saída da blogueira Yaoani Sanchez não ajuda nada. Perderam a oportunidade de se livrar de uma voz incômoda, já que no Brasil ela teria que renunciar ao seu blog, por não poder exercer atividades políticas. A lógica da burocracia cubana é burra como a de todos os regimes autoritários.
O Primo Basílio

     Tenho procurado suprir as falhas na minha formação literária, lendo, às vezes, clássicos da literatura que me passaram despercebidos pela vida. É o caso do romance O Primo Basílio, do escritor português Eça de Queirós ( na foto abaixo, à direita), que só agora tive oportunidade de ler, embora já tivesse assistido à alguns capítulos da minissérie na TV.
     Numa bela edição da Ateliê Editorial (São Paulo, 2004), comecei a ler desinteressadamente, mas fui logo arrebatado pela história. Um enrêdo simples, ao qual o próprio autor colocou o subtítulo de Episódio Doméstico, onde uma esposa devotada é tentada a trair o marido com um primo que retorna rico do Brasil e é vigiada e chantageada por uma empregada.
     Mas a história ganha importância na medida em que o autor descreve a sociedade portuguesa da época (1878), especialidade dele, que eu já havia conhecido na fantástica minissérie da TV Globo, Os Maias. Sem dúvida a melhor minissérie feita até hoje pela emissora e a melhor atuação que eu conheço do ator Fábio Assunção.
     Portugal do final do século XIX, com sua decadente monarquia, que atrasava o país diante de uma Europa às voltas com revoluções políticas, como a Comuna de Paris, e econômicas, principalmente a  revolução industrial.
     A sutil comparação entre a miséria do povo e as afetações de uma burguesia tributária de empregos públicos, praticante de uma oratória vazia e pretensiosa, exemplificada magistralmente na figura do Conselheiro Acácio, sempre cheio de frases de efeito, atribuindo-se valores morais que não tinha, numa sociedade hipócrita, onde a vida secreta dos fidalgos e da nascente burguesia era povoada de amantes, traições e problemas intestinais, vai revelando o lado tragicômico do atraso português.
     Nas descrições sutis dos sentimentos dos personagens e dos ambientes da Lisboa da época, o autor nos faz viajar por uma situação política bem demarcada no tempo e no espaço, enquanto, ao mesmo tempo, nos revela com maestria traços universais da natureza humana.
     As afetações do primo, que havia enriquecido especulando no Brasil e passa a olhar Portugal com o olhar típíco das elites subalternas, que admiram as metrópoles e passam a desprezar o seu próprio país, assim como seu machismo egoísta e devasso, indiferente ao sofrimento que causava em consequência das suas conquistas amorosas, que só visavam seu próprio prazer e o estímulo de sua vaidade, são de comportamentos exemplos que existem até hoje entre nós.
     A situação de dependência e submissão das mulheres, expostas à violência dos homens, assim como as rebeldias exaltadas daqueles que não conseguiam as benesses do Estado, mas que se extinguiam rapidamente assim que uma posição era conquistada, também ainda se vem muito por aqui.
     A capacidade do autor em nos prender é impressionante, sem fazer nenhuma concessão à qualidade do texto. No meio do romance, encontrei a parte que Arnaldo Antunes lê na música Amor I Love You, cantada por Marisa Monte:
     E Luisa tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria dum luxo radioso de sensações!
     Uma beleza de livro. Uma jóia da língua portuguesa.

    

sábado, 28 de janeiro de 2012

Rapidinhas
Desabamentos e responsabilidades

     Como sempre, o CREA, órgão encarregado de fiscalização de obras em todo o Brasil, aparece depois que os prédios desabaram no Rio, para explicar, com a maior cara de pau, que havia obras sem licença no prédio mais alto.
     E porque o Crea não fiscalizou?  Cobram de que cada profissional uma taxa anual e outra taxa por cada projeto, para manter uma enorme rede de fiscais por todo o Brasil, mas só vão onde sabem que existe um profissional responsável, porque lá é fácil cobrar a taxa sobre o projeto. Se tornaram um órgão meramente arrecadador, por isso mais de 90% das obras no Brasil não contam com um profissional técnico.
     Estão interessados apenas em cobrar suas taxas e não fiscalizam nada, essa é a verdade.
     Se havia obras ilegais, o Crea devia ser chamado para explicar sobre sua responsabilidade em não ter fiscalizado e não para explicar as causas do desabamento. Ainda bem que nós, arquitetos, conseguimos sair do Crea, fundando o Conselho de Arquitetura e Urbanismo, CAU.
     Além disso, ouvi um monte de bobagens sobre as possíveis causas do desabamento, pela televisão, algumas ditas inclusive por engenheiros.
     A única coisa que poderia ter causado o colapso do edifício era a remoção ou a fratura de pilares e vigas estruturais. Remover paredes, ao contrário, alivia a carga sobre a estrutura. Abrir janelas nas paredes laterais a mesma coisa.
     A obra do nono andar, pelo depoimento do pintor que se salvou no elevador, era apenas de pintura e remoção de dois banheiros. Talvez nesses banheiros houvesse alguma parte estrutural. Tem que se verificar isso.
     Mas ninguém falou sobre a obra do terceiro andar, a não ser uma senhora que trabalhava no prédio e disse que viu no dia anterior viu operários "quebrando tudo" quando a porta do elevador se abriu no andar. Pode ser que o problema estivesse aí, mas mesmo assim, pelo depoimento do engenheiro que já tinha feito obras no prédio, as estruturas eram todas externas. Portanto não havia pilares para serem quebrados no meio das salas.
     Outro depoimento, de um antigo morador, falou sobre inclinação do prédio na época da construção do metrô. Pode estar aí a causa. Se houve alguma rachadura na época, com a contínua vibração da movimentação dos trens, teoricamente poderia levar a uma fratura estrutural.
     De qualquer forma, há uma responsabilidade conjunta do condomínio, da prefeitura e do Crea, pela não fiscalização.
Próximos da lista

     Os ministros Fernando Bezerra, da Integração nacional, e Mário Negromonte, das cidades, já estão passando da hora de serem substituídos. Atos de corrupção de subordinados diretos a esses ministros os colocam sob suspeita. O desafio do líder do PMDB na Câmara, de que a presidente Dilma não teria coragem de substituir os ministros para não perder o apoio do partido, soa como um tapa na cara da mandatária da nação.
     Pra quem conhece o estilo Dilma, o desafio não deve ficar sem resposta.
     Dessa vez a faxina deve ser completa nesses ministérios.

Ventos de guerra

     Infelizmente (e novamente) o planeta se vê açoitado por ventos que prenunciam uma guerra, que desta vez pode arrastar muitos países para um conflito imprevisível. Trata-se do bloqueio que vai sendo montado em torno do Irã pelas potências ocidentais, interessadas em derrubar seu governo para colocar em seu lugar mais um governo dócil aos seus interesses, como estão acostumados a fazer.
     Usam como desculpa a questão do programa nuclear iraniano, fiscalizado de perto pela Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA), mas fecham os olhos para o programa nuclear de Israel, que há décadas possui armas nucleares, fora de qualquer controle da agência.
     Na verdade o foco do conflito é Israel, com sua contínua ocupação sobre a Palestina, desobedecendo todas as resoluções da ONU à respeito. O compromisso dos Estados Unidos e da Europa com a defesa incondicional de Israel é a única explicação para o ataque ao Irã, já que todos os países vizinhos a este país possuem armas nucleares (Índia, Rússia, China, Paquistão), sem que isso provoque nenhuma reação ocidental.
     Como o Irã se opõe à hegemonia norte-amerciana no Oriente Médio e à política expansionista israelense sobre território palestino, eles consideram fundamental parar os iranianos agora, antes que eles consigam a bomba e se torne impossível uma invasão do país.
     O Brasil, que havia se aproximado muito do Irã no governo Lula, ultimamente vem se distanciando, principalmente em razão das políticas discriminatórias contra as mulheres, consideradas inaceitáveis pela presidente Dilma.
     Em boa hora nos afastamos, para não sermos envolvidos pela irracionalidade crescente que vai tomando conta das relações internacionais na região. Rússia e China apóiam os iranianos e devem substituir os países ocidentais nas relações econômicas com eles. Uma guerra que envolvesse a União Européia, os Estados Unidos, a Rússia e a China, seria catastrófica para todo o planeta, principalmente para os países mais próximos.
     Enquanto isso, Israel se nega a negociar fronteiras aceitáveis para a nação Palestina e insiste na ocupação, colocando mais lenha na fogueira, apoiada pelo ocidente, que talvez veja no conflito uma saída para sua crise econômica. Afinal as guerras sempre foram uma solução para crises como essas.   
     Quando o capitalismo não tem mais para onde crescer, destrói-se tudo para começar tudo outra vez. É o que eles chamam, cinicamente, de destruição criativa. 

Jericoacoara

                                                        Árvore da preguiça, no Parque Nacional, à beira-mar
    Em nova viagem exploratória pelo litoral do Ceará, desta vez pelo litoral oeste, fui conhecer a famosa praia da Jericoacoara, que fica dentro de um parque nacional à beira-mar.
     A praia, com sua pequena vila, ao lado de uma duna gigantesca,onde as pessoas se reunem para ver o por do sol, é linda. Mais do que isso, é uma das praias mais lindas que já conheci. Acho que só perde para as praias cubanas. Mas Jeri não é só isso. O Parque nacional tem outras maravilhas para revelar aos turistas, como a Lagoa Azul e a Lagoa do Paraíso, que a gente pode conhecer fazendo um passeio de bug, por trilhas previamente definidas para que as dunas não sejam ameaçadas.
    A Lagoa Azul tem uma pousada e restaurante numa ponta no meio da lagoa, à qual se chega através de uma balsa à vela. Paga-se 5 reais para a travessia ida e volta e pelo ingresso no bar. Do outro lado da ponta a surpresa: mesas de bar dentro da água incrivelmente limpa, fazem a gente se sentir num paraíso.
     A Lagoa do Paraíso se supera: ao invés de mesas, colocam redes na água: uma delícia! Além disso tem a famosa Pedra furada, uma das muitas formações rochosas à beira mar, num litoral cheio de falésias, com uma natureza muito agreste, misturando rochas e uma vegetação rasteira. Parece um deserto.    Pode-se entrar na vila de carro, mas não circular dentro dela. Um guia leva a gente pelo meio das dunas, cobrando 50 reais, num trajeto meio arriscado, mas que vale a pena. Quem preferir pode deixar o carro em Jijoca, uma vila fora do parque, e ir de jardineira (uma espécie de ônibus), pagando apenas 5 reais.     A pequena vila não tem calçamento e todo mundo anda descalço na areia. Também não tem iluminação pública e à noite os restaurantes colocam velas com pequenos protetores de vidro nas mesas. Muito bonito. Um exemplo de turismo com preservação ambiental.
     Tem tudo lá, pousadas, restaurantes, bares, lojas. Dá pra comer bem e encontra-se opções de todos os preços, desde restaurantes franceses e italianos até um delicioso pastelzinho de arraia por R$2,50.
     Mas o que mais impressiona no passeio é a infraestrutura do Ceará. Ótimas estradas, todas sinalizadas, outro aeroporto internacional sendo construído (em Jijoca de Jericoacoara), e as cidades que encontramos pelo caminho dotadas de boa infraestrutura, cheias de vida e todas elas dispondo de escolas novas, dotadas de ginásio de esportes.
     Na ida paramos em Itapipoca, e lanchamos num excelente shopping de beira de estrada (à esquerda), onde fomos muito bem atendidos e não pagamos caro. O garçom faz questão de dizer que a cidade é terra do palhaço-deputado Tiririca e da atriz Luiza Thomé.
     Dá pra entender porque a FIFA colocou 7 jogos da copa em Fortaleza: com todo esse investimento em infraestrutura e a proximidade da Europa, o Ceará logo se tornará o primeiro destino turístico do Brasil.

Os pictos e o imaginário anglo-saxão

     Se tem uma coisa que os ingleses e americanos detestam é a história dos povos bárbaros.
     Eles não suportam a idéia de que foram colonizados e civilizados pelos latinos do império Romano.
Mas a história é essa mesma. Quando Julio César invadiu a antiga Britania, os povos que habitavam as ilhas britânicas eram bárbaros, que se organizavam em tribos e viviam guerreando entre si.
     No dizer moderno, eram índios.
     Os romanos conseguiram dominar e romanizar os povos que habitavam o território que hoje corresponde a Inglaterra, mas nunca conseguiram vencer os Pictos, povos que habitavam o território da antiga Caledônia, atual Escócia.
     Os pictos estavam lá há mais de 1000 anos, quando os romanos chegaram, no século I dC e foram denominados assim pelos romanos, em função das suas pinturas corporais (Pictis)
     A pedra com inscrições à esquerda é um monumento picto. À direita uma representação deste povo.
     Os celtas chegaram muito depois e foram habitar, principalmente, o que hoje corresponde à Irlanda.
     Os celtas eram altos e brancos e praticavam a religião dos druidas. Os pictos eram mais baixos e morenos, de cabelos escuros, e tinham o hábito de pintar todo o corpo, principalmente de azul e também se cobriam com tatuagens coloridas. Alguns historiadores supõem que eles sejam originários da península ibérica, pelo seu tipo físico. Outros dizem que eles teriam vindo da Europa Central.                                
       Roma nunca conseguiu vencer os pictos e, por isso, o imperador  Adriano mandou construir uma muralha separando o território romano do território dos bárbaros. É a famosa Muralha de Adriano, que ainda está de pé em alguns locais, dividindo a Grã-Bretanha ao meio, como se vê no mapa à direita.
     Abaixo, à esquerda, uma foto de parte dessa muralha conservada até os dias de hoje 
     Mas no cinema americano, os romanos são sempre os maus e os selvagens são glorificados, como se fossem os vencedores. Eles inspiraram muitos filmes de ficção, como Conan o Bárbaro, Highlander e mesmo os guerreiros azuis de Avatar. Também inspiraram aquele joguinho chamado RPG, que por sua vez inspirou a trilogia O Senhor dos Anéis, todos glorificando os povos bárbaros.
     Mas a verdade é que os romanos nunca foram vencidos pelos ingleses, mas abandonaram a Britânia pela necessidade de sufocar revoltas em outras partes do império que lhe davam muito mais trabalho, já que os anglos e os saxões se tornaram súditos bem comportados de Roma.
     Mais do que isso, os ingleses absorveram toda a cultura romana, suas leis, sua arquitetura e até seus vícios imperiais. A língua inglesa está cheia de expressões latinas e mesmo os pictos e celtas, frequentemente faziam acordos com os romanos para cessarem as hostilidades, havendo comércio regular entre eles.
     Com o tempo celtas e pictos se misturaram, tornando-se um só povo, embora até hoje Escócia e Irlanda tenham suas tradições diferenciadas, seus territórios e, principalmente, mantenham muitas divergências com os ingleses que vivem no sul das ilhas.
     Quando o cristianismo foi introduzido nas ilhas, primeiro pelos romanos convertidos e depois por missionários junto aos outros povos, os druidas foram perseguidos e sua religião desapareceu, deixando atrás de si lendas de duendes e fadas.
     Mas nenhum filme produzido por eles conta essa história direito. Sempre se tem a impressão de que os ingleses se fizeram por si próprios, se civilizaram a eles mesmos e que os romanos foram vencidos. Mas não foi assim. Eles são fruto da colonização romana, assim como os países latinos que colonizaram
                                       nuestra América. A diferença é que Lisboa já era uma grande cidade fenícia, quando os romanos a dominaram, no tempo em que Londres e Paris eram pouco mais que vilarejos. Na verdade a velha Olissipo, que depois se tornou Olissipona no latim vulgar e derivou para Lisboa, se aliou a Julio Cesar na conquista da Península Ibérica, se tornando uma das primeiras províncias fora da Itália a ganhar a cidadania romana. Então temos razão em nos orgulhar de sermos descendentes do grande império latino, enquanto eles se envergonham de terem sido civilizados por eles.
     Por último lançaram agora um filme chamado Centurião, sobre o desaparecimento da IX Legião romana, conhecida como Hispana, que no ano 117 partiu para o território picto e nunca mais voltou. Um mistério que nunca foi esclarecido, mas que no filme vira mais uma derrota de Roma para os pictos.
     Agora me digam se não é interessante esse desprezo que eles tem pelo latinos? Não é impressionante a maneira como mascaram a história para se convencerem que são superiores e esconderem seu passado selvagem, glorificando os guerreiros azuis e demonizando o império que lhes deu sua cultura atual?
     Essa vontade de rever a história, para glorificar povos antigos, também está na origem do renascimento de seitas de bruxaria, do culto aos duendes, fadas e outras divindades do mundo pagão, tão em moda na nossa classe média esotérica desde os anos 1980. Mas a história real é outra.
    

sábado, 21 de janeiro de 2012

Rapidinhas
Va a bordo, cazzo!

    
     Essa é a frase da semana, do capitão da marinha italiana mandando o comandante do navio Costa Concórdia voltar a bordo para salvar os passageiros.
     Caramba, sempre achei esses novos transatlânticos altos demais. São verdadeiros edifícios flutuantes.
     Mas já repararam como cada vez mais acontecem problemas nesses cruzeiros? Ou é intoxicação alimentar com mortes à bordo, ou piriri geral  e até acidentes graves como esse, com um comandante que foge do navio e deixa os passageiros se lascarem.
     Boa romaria faz quem em sua casa fica em paz!

Aécio retumbante?

     Ainda não assisti, mas achei aquele seriado Brado Retumbante, uma maneira de introduzir Aécio Neves no imaginário do povo brasileiro. O ator que faz o deputado que assume o poder repentinamente, tem o mesmo tipo físico de Aécio e a história é meio sem pé nem cabeça.
      Um sujeito jovem, honesto e mulherengo que é jogado na presidência e se recusa a compactuar com a corrupção...
     Não sei não, mas está me parecendo campanha antecipada.
     Como a Globo tem um histórico muito negativo de manipulação eleitoral, tudo pode se esperar.

Passaredo


   Em 2011, comprei uma passagem de ida e volta, pela empresa Passaredo, entre Vitória da Conquista e Fortaleza, com ida marcada para o dia 22 de outubro e volta para o dia 28. Fui até o aeroporto de Conquista fazer a compra, pois pretendia pagar a vista e via internet só é possível comprar no cartão de crédito.
     Paguei R$848,34 só pela ida, no débito, na agência de turismo VOAR, localizada no aeroporto, indicado pela própria moça da Passaredo, que me disse que eles não vendiam no balcão.
     No dia do voo o avião não pousou devido ao mau tempo. Formou-se então uma fila para que fossem anotados os nomes dos passageiros, que podiam pedir ressarcimento ou guardar o bilhete para outra ocasião. Pedi ressarcimento e uma moça anotou meu nome, meu telefone e o número do meu cartão de débito num papel, dizendo que eu receberia o dinheiro de volta num prazo entre 15 a 45 dias.
     Cheguei a Fortaleza por outros meios e retornei, usando a passagem de volta, no dia 28.
     No dia 30, sem receber nenhuma comunicação, resolvi entrar no site da empresa. Acessei o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) e fiz novamente o pedido de reembolso.   No dia seguinte recebi uma estranha ligação de São Paulo (código 016), dizendo que informações sobre prazo de ressarcimento eram de responsabilidade da agência de turismo. Imediatamente fui ao aeroporto e questionei o atendente da agência que me disse que eles apenas intermediavam as passagens e que a responsabilidade era da empresa.
     Fui ao balcão da empresa e uma jovem acessou o sistema da empresa, confirmando que meu pedido havia sido protocolado através do SAC, apenas no dia 30 /10 (ou seja, a tal moça que anotou os nomes dos passageiros no dia do voo cancelado, não havia pedido nada).
    Pedi então que a moça imprimisse para mim um comprovante, o que ela fez.
    Não tendo recebido nada, no dia 17 de janeiro de 2012, entrei novamente no SAC da Passaredo, passei os números do localizador e do protocolo de reclamações e um atendente depois de me fazer esperar 15 minutos disse que não constava nada. Ou seja, meu dinheiro, pago à vista, simplesmente evaporou do sistema da empresa.     Não é ótimo? Esse passarinho gosta de pegar dinheiro alheio

A educação brasileira refém da política

     Eu trabalhava no Ministério da Educação quando Tarso Genro assumiu o cargo, no lugar de Cristóvão Buarque, demitido por telefone por Lula, por falar muito e fazer pouco.
     Tarso não tinha a menor ligação com a educação e era apenas mais um político que havia perdido a eleição e precisava de um cargo público para não ficar no ostracismo. No Ministério não fez muita coisa, até porque não ficou muito tempo, mas me lembro de uma reunião em que todos os técnicos concursados que acabavam de ser admitidos (eu no meio) foi realizada para que o então Secretário Geral do Ministério nos passasse um pito, mandando que parássemos de reclamar.
     O Secretário era Fernando Haddad, trazido de Porto Alegre por Tarso e as reclamações dos concursados eram principalmente ligadas à falta do que fazer. Gente com mestrado e doutorado era mantida lá apenas para fiscalizar o que as agências internacionais de financiamento (Banco Mundial e BIRD) determinavam para a educação brasileira. Então pra que exigir tanta competência nos concursos?
     Me lembro que a reunião foi um balde de água fria nos ânimos e depois disso o pessoal passava o dia inteiro estudando pra outros concursos, já que ali não dava pra fazer nada mesmo.
     Logo Tarso Genro foi para o Ministério da Justiça e Fernando Haddad ficou com o cargo, com a justificativa de que seria um quadro "técnico". Mas que eu saiba ele não tinha experiência nenhuma em educação, portanto se era um quadro técnico, era apenas administrativo.
     Tantos anos depois e o quadro técnico vai ser candidato a eleição para prefeito de São Paulo, enquanto a educação brasileira continua a mesma droga, sem solução à vista. Para o seu lugar virá Aloízio Mercadante, economista que também não tem nenhuma visão crítica dos problemas da educação. Mas era preciso presenteá-lo com um cargo de prestígio, para mantê-lo afastado da eleição paulistana e permitir que a alquimia de Lula (sem trocadilhos), consiga destronar o PSDB do seu reduto. Também a Cultura entrou nesse jogo e parece que terá seu Ministério presenteado a Marta Suplicy, que não tem e nunca teve nenhum compromisso com a cultura, como prêmio de consolação por ter renunciado à candidatura em favor de Haddad.
     Não é sintomático que a educação e a cultura sejam usados nesse joguinho, como se fossem ministérios irrelevantes? Depois os políticos vem falar da importância da educação para o desenvolvimento brasileiro (da cultura nem falam).

PARA A MÃE TERRA

     Vejam que pérola achei no blog http://caminhocelta.blogspot.com/

“Abençoado seja o Filho da Luz
que conhece sua Mãe Terra,
pois é ela a doadora da vida.
Saibas que a tua Mãe Terra está em ti e tu estás Nela.
Foi Ela quem te gerou e que te deu a vida
E te deu este corpo que um dia tu lhe devolvas.
Saibas que o sangue que corre nas tuas veias
Nasceu do sangue da tua Mãe Terra,
o sangue Dela cai das nuvens, jorra do ventre Dela
borbulha nos riachos das montanhas
flui abundantemente nos rios das planícies.
Saibas que o ar que respiras nasce da respiração da tua Mãe Terra,
o alento Dela é o azul celeste das alturas do céu
e os sussurros das folhas da floresta.
Saibas que a dureza dos teus ossos foi criada dos ossos de tua Mãe Terra.
Saibas que a maciez da tua carne nasceu da carne de tua Mãe Terra.
A luz dos teus olhos, o alcance dos teus ouvidos
nasceram das cores e dos sons da tua Mãe Terra
que te rodeiam feito às ondas do mar cercando o peixinho.
Como o ar tremelicante sustenta o pássaro
em verdade te digo, tu és um com tua Mãe Terra
ela está em ti e tu estás Nela.
Dela tu nasceste, Nela tu vives e para Ela voltará novamente.
Segue, portanto, as Suas leis
pois teu alento é o alento Dela.
Teu sangue o sangue Dela.
Teus ossos os ossos Dela.
Tua carne a carne Dela.
Teus olhos e teus ouvidos são Dela também.
Aquele que encontra a paz na sua Mãe Terra não morrerá jamais,
conhece esta paz na tua mente
deseja esta paz ao teu coração
realiza esta paz com o teu corpo.”
(Evangelho dos Essênios)

Transmissão de consciência

     Prezados amigos leitores.
     No mês passado, completaram-se 20 anos do fim da União Soviética, que era uma federação de países socialistas e comandava uma luta mundial contra o capitalismo.
     A antiga URSS, não foi derrotada pelos Estados Unidos e seu liberalismo econômico, mas caiu por conta de suas próprias contradições. Era uma ditadura que praticava uma espécie de capitalismo de estado, que já havia se afastado há tempos do sonho socialista de um governo de autogestão dos trabalhadores, mas era quem mantinha uma crítica constante e pertinente contra o capitalismo e o imperialismo.
     Com o seu fim, o capitalismo se espalhou pelo globo e os Estados Unidos viraram a potência dominante, com suas guerras, seu consumismo que vai destruindo o planeta e com o neoliberalismo, um sistema antigo que voltou com força, propondo o fim dos controles sobre o capital, causa das constantes crises econômicas, cuja lógica é a mesma das guerras: destruir tudo para depois reconstruir de novo, de forma a ter mercado novos para seus produtos.
     Mas o que fazer para impedir que a memória do socialismo ou da luta contra o capitalismo, se mantivesse viva nas mentes da espécie humana? 
     Esse era um problema para os donos do capital que precisam controlar os corações e as mentes dos habitantes do planeta para que seu injusto sistema econômico continue prevalecendo. Como eles controlam toda a mídia (a internet também, através dos provedores), resolveram simplesmente passar uma esponja no passado, nunca se referindo ao socialismo a não ser pejorativamente, como se aquilo fosse um pesadelo que precisasse ser esquecido.
     Também apostaram pesado na alienação da juventude, antes muito interessada em soluções coletivas para os problemas do mundo e agora estimulada a pensar apenas em si própria, em consumir e andar na moda.
     Mas o que aconteceu com a memória dos bilhões de seres humanos que apoiavam o socialismo, ela simplesmente despareceu? A estratégia de silenciar sobre as teses socialistas parece voltada para o esquecimento, apostando em que as gerações mais velhas vão morrendo e as novas não tenham contato com o debate sobre as injustiças do capitalismo.
     Como explicar, entretanto, o renascimento do debate sobre o socialismo em países ricos como os Estados Unidos e a União Européia? Como explicar que os movimentos do tipo Occupy Wall Street tenham tanto vigor e sejam capazes de se articular globalmente para protestar?
     Me parece que a estratégia do capital esqueceu a importância das famílias, como instrumento de transmissão de conhecimentos. Os pais continuaram ensinando os filhos, continuaram formando suas consciências e mostrando a eles onde está a verdade.
     Assim, a consciência do bem e do mal vai passando através das gerações e a luta por um sistema mais justo vai tomando novas formas, aprendendo com a experiência histórica e abrindo novas portas para propostas transformadoras.
     As crises das economias capitalistas avançadas, paralelamente ao sucesso da economia mista chinesa, onde o capital é controlado pelo Estado, mostra a relação direta e clara entre planificação e crescimento econômico, sem deixar que grupos privados provoquem a chamada destruição criativa, tão comum no capitalismo e que atinge apenas os mais pobres, ajudando a enriquecer mais ainda os ricos.
     A crise das ditaduras árabes também tem ajudado a refletir sobre que democracia queremos e com que mundo é possível sonhar: um mundo integrado, onde a cidadania controle não apenas os governos, mas também as empresas e a economia, através de democracias que não sejam encenações, mas que signifiquem um controle efetivo do povo sobre seu destino.
     Como diz o lema dos Fóruns Sociais Mundiais: um outro mundo é possível!
    
    

domingo, 15 de janeiro de 2012

Rapidinhas


Evite enchentes
  Atenção riocontenses: aí vai um conselho para evitar inundações em 2012!


Drogas

     O combate ao tráfico de drogas no Brasil carece de uma política federal, unificada, pois atualmente, apesar de algumas operações da Polícia Federal, fica à cargo das PMs, dos governos estaduais e municipais, totalmente despreparados para uma ação coordenada.
     A repressão ao tráfico, que estamos acostumados a ver no noticiário das TVs, se restringe à ponta do sistema criminoso, ou seja, aos que distribuem a droga e disputam os pontos de venda, geralmente em favelas ou bairros da periferia. Os grandes barões do tráfico, no entanto, não moram lá.
     É verdade que já houve algumas prisões de grandes traficantes, mas muito poucas, comparadas à grande expansão desse negócio, que movimenta uma soma fabulosa de dinheiro.
     O que me intriga é como é possível esconder tanto dinheiro sujo. Onde fica a super-lavanderia que lava todo esse dinheiro? A Receita Federal que monitora as contas bancárias de todos nós, detectando qualquer excesso e cobrando, com rigor, o imposto de renda de trabalhadores e aposentados, não percebe essa gigantesca movimentação?     Por onde passa toda essa grana, sem que ninguém perceba?
     Não seria o caso de investigar os bancos? Será que eles seriam tão honestos a ponto de recusar depósitos suspeitos tão vultosos? E os juízes que libertam os traficantes presos? E os políticos que recebem contribuições dessas fortunas para se elegerem, em troca de fechar os olhos ao tráfico?
     E as grandes fortunas de mega-empresários que surgem da noite para o dia?
     Se não houver uma política unificada rápida e eficiente, vamos ser dominados pelos traficantes e acabar nos transformando em um novo México, onde o governo de Felipe Calderón deixou o negócio das drogas prosperar até dominar regiões inteiras do país, causando mais de 40.000 vítimas de mortes violentas em 2011, sem falar na destruição da vida dos usuários e de suas famílias.
     É uma questão de vontade política.
     Quem vai ter coragem?
Assad nas últimas

     O último ditador progressista do oriente médio, continua massacrando seu povo para conter as manifestações que pedem democracia. A cada compatriota morto, Assad perde mais e mais a confiança do seu povo, que já não o suporta.
     Parece que o ponto de não retorno já foi ultrapassado e esse ditadorzinho, que herdou o governo de seu pai, vai ter o mesmo amargo fim de Khadafi, da Líbia.
     O que ainda o sustenta é a hesitação da Rússia em abandoná-lo, com medo de perder a base naval que dispõe naquele país. Mas os russos não poderão sustentar para sempre um sujeito desse tipo, que massacra o povo diariamente e aparece na TV com carinha de sonso e aquelas orelhinhas de abano.
     Depois do triunfo da democracia na Síria, chegará a vez das monarquias feudais, como a Arábia Saudita, os Emirados e o Bahrein, apoiados pelos Estados Unidos, que também os sustentam para manter suas bases militares.
     O mundo segue mudando e o mundo árabe vai se levantando. Depois de se libertarem das potências coloniais no século passado, agora estão se libertando dos velhos imperialismos que sustentam as ditaduras que os oprimem.
Resgatando o espaço público


     A relação entre espaço público e democracia é direta.
     Lugares privados são dominados pela lógica dos seus proprietários, sejam eles condomínios, controlados por um síndico, ou locais comerciais como shoppings, cuja lógica é a obtençção do lucro máximo.
     Espaços públicos são regulados por leis, que nos regimes democráticos são elaboradas por parlamentos eleitos, portanto, a princípio, servem ao interesse público e aos princípios republicanos de igualdade entre cidadãos.
     Uma praça pública, tem como objetivo proporcionar o lazer à todos os cidadãos que a procurem, não importando sua condição social, cor, religião´ou gênero. É, por definição, um espaço democrático e aberto à utilização de todos.
     Assim como a praça é um espaço aberto, existem também espaços públicos fechados, que devem funcionar segundo a mesma lógica. Teatros municipais, centros culturais, estádios de futebol (cobertos ou não), ginásios construídos pelo pode rpúblico para a prática de esportes, são espaços destinados à todos e seguem normas estabelecidas e aceitas, que garantam o acesso à todos os cidadãos.
     A cidade capitalista tende a substituir os espaços públicos pelos privados, especialmente shoppings e locais de espetáculo, sujeitando os cidadãos à lógica de intereses particulares, o que, a priori, pode restringir o exercício da cidadania.
     Quando deixamos de frequentar a praça e passamos a ir ao shopping, estamos abrindo mão de direitos, cedendo aos interesses comerciais a decisão do que é ou não permitido fazer, do horário de frequência, do tipo de indumentária que devemos usar e até do comportamento.
     Existem exemplos muito negativos de shoppings que proíbem, por exemplo, a reunião de mais de cinco pessoas, ou proíbem o ingresso em determinados trajes (bermudas ou shorts), proíbem entrar com comidas, etc.
     Já houve casos explícitos de discriminação contra pessoas com aparência pobre, com exposição dessas pessoas a situações humilhantes. Aos shoppings só interessa os que tem dinheiro para consumir. Pobres só ocupam espaço e enfeiam o ambiente, espantando fregueses que realmente importam.
     Alguns espaços públicos das nossas cidades vem sendo paulatinamente abandonados pela onda consumista que transformou os shoppings em opção de laser nos finais de semana. Um exemplo típico é a Concha Acústica de Brasília, cenário de grandes espetáculos nas décadas de 1960 e 1970 e que hoje está tomada pelo mato (pelo menos estava da última vez que a vi).
O abandono da Concha Acústica de Brasília
     Quando conto aos meus filhos que assisti ao fantástico balé do Senegal na Concha em 1971 eles não acreditam.
     Mas é possível harmonizar interesses coletivos e privados em torno de espaços públicos. Um bom exemplo é o Centro de Arte e Cultura Dragão do Mar, em Fortaleza, onde convivem espaços administrados pelo estado (Secretaria estadual de Cultura), como teatros, planetário, biblioteca, Museu de Arte Contemporânea, salas de exposição e de cursos, com cinemas privados (Espaço Unibando 1 e 2) e muitos bares e restaurantes dispostos numa espécie de "praça da alimentação" ao ar livre, com música ao vivo para todos os gostos, tudo entremeado por jardins onde se localizam esculturas, painéis e pinturas de vários estilos.

Dragão do Mar, em Fortaleza

     Cabe aos arquitetos e ubanistas, resgatar a função pública dos espaços de lazer das cidades brasileiras, garantindo o acesso democrático e plural a todos os cidadãos, reforçando assim sua identidade cultural e seus laços sociais.
     Isso inclui rodoviárias e aeroportos, que acham que podem cobrar o que bem entendem por serviços que não se diferenciam em nada dos prestados em outras áreas da cidade, seja um táxi, um lanche, um jornal ou um corte de cabelo.
     De nada adianta baratear as passagens de avião se nos aeroportos continuamos reféns dessa lógica que dá direito aos comerciantes da área de saquear à vontade os passageiros. Já basta o desrespeito das empresas aéreas que tratam os passageiros como gado enfileirado para o abate. É preciso democratizar esses espaços, que por definição são públicos, mas se encontram sob a lógica predatória dos mercados.