Por Ricardo Stumpf Alves de Souza

domingo, 11 de dezembro de 2011

Rapidinhas

Estrada da morte

     A BR-116, no trecho entre Vitória da Conquista e Feira de Santana se tornou uma sentença de morte para centenas de brasileiros que precisam trafegar por ela, simplesmente porque não suporta mais o tráfego pesadíssimo de carretas que transportam grande parte das meradorias que circulam entre o sul-sudeste e o nordeste.
     Este trecho da maior rodovia do Brasil já deveria ter sido duplicado há mais de 20 anos, no entanto, não entendo porque, nunca entra nos planos do governo, que já duplicou várias partes da mesma rodovia, mais ao norte e mais ao sul.
     No último domingo, dia 04, voltei de carro de Salvador para Vitória da Conquista, no dia seguinte ao acidente que vitimou 34 pessoas em Brejões. Denecessário dizer que viajei assustado, embora sempre que viaje pela Rio-Bahia me previna muito. São milhares de carretas enfileiradas, coladas umas às outras, rodando a mais de 100 km por hora, enquanto automóveis e ônibus ficam espremidos entre elas.
     Passar no local do acidente foi muito triste.
     Já vi muita gente morrer nesta estrada, por absoluto descaso das autoridades. Até quando vamos assistir a isso? Feira de Santana se tornou um importante pólo industrial, Vitória da Conquista também está crescendo rapidamente. Entre as duas, Jequié já desponta como uma importante cidade do sertão baiano.
     Mas o tráfego de carretas vem de muitas partes do Brasil, já que a116 liga o Rio Grande do Sul à Fortaleza.
     Caberia aos prefeitos da região uma mobilização para incluir no PAC a obra de duplicação desta rodovia tão importante para o Brasil.
     Aliás, o gigantesco tráfego de mercadorias já viabilizaria uma ferrovia, que cobrisse o mesmo trajeto, tirando milhares de carretas das estradas. Ferrovia e duplicação, seria a solução adequada. Será que dá pra gente sonhar com isso ou vamos continuar assistindo a cada vez mais gente morrer tragicamente?


Empreendedorismo?

     
Gente, não existe coisa mais chata do que o discurso dos administradores de empresa, desses que endeusam o SEBRAE e ficam dando aulinhas de capitalismo para os desempregados.
     Um horror!
     Acho que foram eles que inventaram os livros de autoajuda. Só pode! Ficam repetindo aquelas frases de efeito, tentando motivar as pessoas a só pensar em sucesso, em ganhar dinheiro, "vender" sua imagem pessoal, como se a pessoa fosse um produto de consumo.
     Depois reclamam que o mundo está violento, que os valores humanos estão desaparecendo...
O resultado dessa mentalidade gerencialista é esse mesmo. Se o que importa é ser bem sucedido na vida, então vale tudo, traficar, matar, roubar, desde que a pessoa consiga "atingir seus objetivos".
     Os heróis dessa gente são a Miriam Leitão (Arghh!), o Henry Ford, o Walt Disney e o dono da Wall Mart.   
     Mas será que empreendedorismo é isso? Eles dizem que empreender é inovar e criar, mas levam tudo para o lado do capitalismo mais selvagem. Será que não dá pra empreender em outras áreas que não seja só a busca de lucros? Para mim empreender é ter iniciativa. Em qualquer área.
     Lula foi um empreendedor na política. Mudou o Brasil. Gandhi também e mudou a humanidade. Irmã Dulce, o Marcehal Rondon, Juscelino Kubitschek, os grandes cientistas como Pasteur com sua penicilina e outros que fazem avançar a medicina. todos foram empreendedores. 
     Empreender não é só saber ganhar dinheiro, nem transformar tudo em mercadoria. Isso está errado. E o SEBRAE está impregnado desta mentalidade mesquinha horrível. Por isso as empresas brasileiras não duram nada. Empreender é ser criativo, mas sobretudo pensar no ser humano, na natureza, no que pode ser melhorado, no que é justo. Tanta criatividade neste país, perdida na mesquinharia de querer apenas auferir lucros, lucros e mais lucros.
     O lucro sustenta a empresa, mas se ela não tiver outro objetivo além desse, não passa de um projeto pessoal de acumulação de riqueza. A empresa precisa ter outro objetivo além da acumulação, algo que beneficie realmente a humanidade, seja uma invenção que facilite a vida, uma forma nova de se comuicar, um remédio para velhas doenças... Só querer lucro não leva à nada.
     Os protestos pelo mundo afora, mostram que esse modelinho está pra lá de falido. Chega desse velho capitalismo sórdido, disfarçado de coisa moderna.

Patrimônio Ameaçado

      O centenário Teatro São Carlos, de Rio de Contas, um dos teatros mais antigos do Brasil, está ameaçado de ruir, por descaso da Prefeitura Municipal, proprietária do prédio, que não lhe dá a manutenção adequada.
     O prédio é tombado pelo IPHAN, mas o Secretário de Cultura local não entende o que é isto. Casado com a funconária administrativa do escritório local do Instituto, os dois, não deixam que nenhum arquiteto permaneça na cidade à frente do órgão, tecendo intrigas e ameaças a todo profissional designado para lá.
     A funcionária usa o cargo para perseguir pessoas que são contra o Prefeito e o Secretário, transformando uma repartição pública Federal, num ninho de intrigas e usando o pequeno cargo que conquistou sem concurso, para fazer política.
     Enquanto isso, o teto do histórico São Carlos ameaça desabar.
    
Projeto de Arquitetura

     
 Estou terminando um ano de ensino de Projeto em uma faculdade recém criada, em Vitória da Conquista, Bahia. Peguei as quatro primeiras turmas que ingressaram em março e segui com três delas no semestre seguinte, ensinando Projeto I, no primeiro semestre e Projeto II no segundo semestre.
     Quando ingressei na Faculdade de Arquitetura, no distante ano de 1976, em Porto Alegre, os alunos só tinham aulas de projeto à partir do quinto semestre. Os quatro primeiros eram tomados com matérias preparatórias, como composição, desenho técnico, matérias teóricas de história, cálculo, etc.
     No primeiro seminário sobre currículo de arquitetura que fizemos em 1978, na UFRGS, uma das reivindicações foi que os alunos tivessem contato com projeto desde o primeiro semestre. De lá pra cá esta passou a ser uma prática comum nas faculdades de arquitetura brasileiras.
     Mas mesmo quando dei aulas de projeto na UnB, na década de 90, eram ainda apenas seis semestres de projeto. Agora são dez.
     Mas como ensinar projeto para alunos que acabaram de entrar no curso, sem a menor noção de desenho ou de metodologia de projeto? Ainda mais numa faculdade que estava abrindo suas portas e não tinha ainda nenhuma experiência acumulada?
     A ementa do curso de projeto I colocava a composição em primeiro lugar, muito corretamente.
     Nos lançamos ao primeiro mês, às aulas de composição, primeiro no plano, valorizando, movimento, ritmo, repetição, direção, sentido, cor e harmonia. Trabalhamos primeiro com pintura sobre papel, colagens e depois passamos aos trabalhos com volumetria. Tentamos trabalhar com Lego, o joguinho de armar, mas a experiência foi um pouco problemática, em função da dificuldade em achar peças adequadas à escala necessária (o Lego original é muito pequeno) e o preço. Como o original é muito caro, os alunos começaram a comprar umas cópias baratas que não se encaixavam bem. Mas mesmo assim conseguiram produzir alguns volumes bem interessantes e puderam sentir a forma, pela primeira vez, brotando das suas mãos e da sua capacidade de criar.
     Para encerrar a primeira unidade, propus aos alunos que escolhessem prédios na cidade e fizessem uma proposta de requalificação de fachadas, em forma de maquetes, ainda sem escala definida, (eles já estavam tendo aulas de maquete na disciplina de Plástica I e de expressão gráfica em Desenho I), desde que não houvesse mudanças na estrutura da edificação. A proposta era fazer maquetes em que uma face representava o edifício como é hoje e a outra a fachada requalificada.
     Uma surpresa. No final do primeiro mês de curso, recebi maquetes muito interessantes.
(nas fotos, a fachada original à esquerda e a modificada à direita)
     A seguir passamos à noção de planta baixa e escala, num rudimento de desenho técnico, que ainda estava sendo ministrado na disciplina de Desenho I, para que eles sentissem como era "entrar" numa edificação.
     Depois de um pequeno exercício, passamos a um seminário sobre condicionantes legais, para que eles entendessem o que era um Plano Diretor e um Código de obras, o que nos levou a tomar contato com a situação de extrema poluição do único córrego da cidade, o Rio Verruga, e resultou num movimento público denominado Abrace o Rio Verruga, que chamou a atenção da opinião pública local.. À partir daí fomos para um segundo exercício de projeto, uma pequena casa acoplada a um barzinho, num bairro popular da cidade, já com terreno definido e noções sobre orientação solar e divisão da planta em áreas; social, íntima e de trabalho.
     Por último passamos à um exercício de requalificação de um construção em final de obra. Eram três sobradinhos geminados, e aí já foi exigida uma primeira noção de apresentação de projeto, com pranchas com margem e carimbo, plantas, cortes e fachadas.
     Os resultados foram animadores e já pudemos observar os prmeiros talentos brotando das turmas.
     Em projeto II, começamos o semestre com um longo seminário sobre "Correntes contemporâneas da Arquitetura", que serviu para que os alunos aprendessem a identificar o que era um projeto moderno, um pós-moderno, uma arquitetura tradicional, vernacular, etc.
     Depois iniciamos nosso projeto do semestre, que era uma residência unifamiliar em uma área nobre da cidade, permitindo a eles grande liberdade criativa, já que o terreno era extenso (756m2) e o uso dos conhecimentos adquiridos até então.
     Novamente resultados muito animadores, com a reafirmação dos novos talentos que vão surgindo em Vitória da Conquista.
     No encerramento, com a apresentação das maquetes (nas fotos acima), além dos desenhos e um pequeno memorial descritivo, pudemos verificar o acerto da linha implementada pelo curso de arquitetura da FAINOR, o primeiro na região sudoeste da Bahia.
     Como profissional me senti realizado por poder coduzir estes jovens a bom termo, com resultados muitos promissores.
     





       

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Rapidinhas
 Semana da consciência negra

 
     A Semana da Consciência Negra ocupou grande espaço na mídia, na semana passada, mas ainda foi grande o viés de vitimização dos negros no Brasil. Escravidão, quilombos, cultura afro com predominância de referências ao candomblé e ao carnaval, ainda são temas majoritários nos debates, embora outras questões tenham ganhado espaço, principalmente às ligadas a equidade no trabalho, o que é muito positivo.
     Acho importante que os negros brasileiros se libertem desse passado terrível de escravidão e injustiças e ingressem numa agenda positiva, para que possam ocupar cada vez mais espaços na sociedade brasileira.
     Outros grupos marginalizados, como os gays, tem sabido reagir de forma mais positiva ao preconceito, aliando sua imagem à alegria das paradas gays. As mulheres tratam de ocupar todos os espaços possíveis na sociedade, chegando inclusive à Presidência da República e lutando contra a violência através de leis como a Maria da Penha.
     Creio que os negros deveriam criar uma imagem coletiva desligada do passado, mais voltada para a África atual e suas economias bem sucedidas, como a África do Sul, para os sucessos dos excelentes profissionais negros que contribuem para o desenvolvimento do Brasil (Milton Santos, na foto à esquerda é um grande exemplo) e para seus expoentes internacionais, como o presidente Obama, por exemplo.
     Ficar remoendo as injustiças do passado não vai levar a nada, embora seja necessária a política de reparações que o governo federal tem implementado através de leis, seja de cotas raciais, seja o Estatuto da Igualdade Racial, leis que apóio plenamente, como forma de dar a comunidade negra brasileira as garantias necessárias para que possa superar os obstáculos que ainda atrapalham seu desenvolvimento, dentre eles um racismo disfarçado abominável.
     Aliás, uma coisa que sempre me intrigou nessa questão é a omissão da história dos africanos muçulmanos que vieram para o Brasil, em meio ao holocausto da escravidão. Eram os mais instruídos e lideraram várias revoltas, como a dos Malês, na Bahia. No entanto seu legado desapareceu e, quando se fala em religião africana, só o Candomblé é lembrado.
     Fica aí uma sugestão para os historiadores que pesquisam a cultura negra no Brasil.     
      Outra coisa muito importante que precisa ser feita na direção de criar uma nova imagem da comunidade negra no Brasil é desligá-la da imagem de pobreza e marginalidade, constantes na mídia brasileira. É impressionante a constância nas TVs quando mostram crianças pobres, sempre negras (nas campanhas do Criança Esperança...), ou as entrevistas recorrentes com atletas negros bem-sucedidos, falando do seu passado de pobreza, entrevistas que nunca acontecem quando o atleta é branco.
     Isso sem falar nas imagens dos negros nas favelas do Rio, dançando samba, como se não houvessem expoentes negros em outras áreas da música e das artes (como o excelente ator Lázaro Ramos, na foto ao lado).
     A mídia forma muito a opinião da população e é importante mostrar negros em situações de sucesso, desligadas de história de pobreza. Cabe aos movimentos negros fiscalizar essa recorrência na mídia.


Um novo mercado árabe?

O vinho árabe começa a conquistar os consumidores europeus.

     As revoluções democráticas nos países árabes já começam a dar os primeiros frutos, com eleições na Tunísia e no Egito, no rumo da criação de sociedades modernas e prósperas. 
     Nós brasileiros sabemos das dificuldades de superação de um período de ditadura, mas sabemos também que a reconciliação nacional, encontrada na democracia, é o caminho certo para a construção de um futuro de justiça e desenvolvimento.
     A médio prazo, Egito, Tunísia, Líbia, Marrocos, Argélia, juntamente com o Líbano e a Síria (que ainda vai custar um pouco para se libertar), e ainda o Iraque e a Palestina independente, devem formar um novo bloco comercial formado por centenas de milhões de consumidores. Eles serão os novos emergentes da década que se inicia, ou quando muito da próxima, relegando a política de guerra de Estados Unidos e Israel à superação e ao esquecimento.
     A integração dos países árabes democratizados, principalmente na zona do mediterrâneo, vai transformar os países feudais como Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes em coisas obsoletas, últimos aliados do decadente imperialismo numa região que deve encontrar sua verdadeira vocação para a prosperidade, junto com o Irã e a Turquia, dentro de regimes islâmicos democráticos.
     Um Mercado Comum Árabe ao estilo do Mercosul seria uma consequência natural. Aliás, o desenvolvimento dos países islâmicos do Mediterrâneo deve ajudar a tirar a Europa da aual crise, fornecendo mão de obra, trocas comerciais e novos consumidores e dinamizando toda a região.

Inovação e Tecnologia

     O desenvolvimento brasileiro tem uma barreira a enfrentar, que é a capacidade de criar novas tecnologias e inovações na sua indústria, sob pena de continuarmos à reboque dos países do norte.
     Em termos de energia, nossa Petrobrás foi capaz de desenvolver tecnologias de exploração de petróleo em águas profundas. Também fomos pioneiros no desenvolvimento de motores à alcool (etanol) e biodiesel, mas em relação às chamadas energias limpas estamos marcando passo.
     Em 1983 visitei o primeiro laboratório brasileiro de energia solar, na Universidade da Paraíba. Na época era uma novidade. As décadas perdidas de 80 e 90 nos fizeram perder a oportunidade de sair na frente nessas tecnologias. Continuamos importando painéis solares, com células fotovoltaicas feitas à base de silício, e agora precisamos que empresas européias venham se instalar no Brasil para produzir os gigantescos aerogeradores que produzem energia eólica.
     Quanto tempo perdido. Já poderíamos estar obrigando as construções urbanas a usarem painéis solares e até aerogeradores em edifícios, adotando políticas públicas para o aproveitamento da gigantesca energia que o sol derrama sobre nosso país o ano inteiro.
     Nesse aspecto o programa de governo de Marina Silva dava alguns passos importantes, desprezados pelo desenvolvimentismo do PT, como por exemplo, a isenção de impostos para táxis elétricos, a obrigatoriedade de incluir elementos sustentáveis nas edificações, coisas que as prefeituras podem adotar em seus códigos de obras e que incentivariam a criação de um mercado interno forte para os produtores de equipamentos do gênero.
     Para ter condições de inovar, é preciso olhar o mundo com curiosidade e se sentir capaz de criar, libertando-se da necessidade de copiar o que os outros fazem, para provar a eles que somos civilizados. O velho complexo de vira-latas.
O Brasil não precisa mais provar nada a ninguém, precisa ter coragem de seguir um caminho novo, próprio.
Futebol e idiotices

     Como vascaíno lamento a perda do título do campeonato brasileiro de 2011, embora o Vasco tenha feito uma campanha fantástica, saindo campeão da série B, conquistando a Copa do Brasil e chegando à final do brasileirão e às semifinais da copa sul-americana.
     Não foi apenas uma boa campanha, foi uma autêntica ressurreição, em grande estilo. Pena que o time não aguentou o estirão e chegou à final cansado. Mesmo assim brilhou pela garra e pelo espírito de equipe que demonstrou, sem nenhuma estrela de sapato alto e chuteiras douradas.
     Foi garra mesmo.
     Mas a mídia já estava toda preparada para comemorar a vitória do Corinthians, dono do estádio que vai abrir a copa do mundo de 2014. Os interesses empresariais que estão afundando o futebol brasileiro se fizeram presentes e a  má vontade com a nação vascaína era evidente. Além disso tinha o brilho de Neymar a ofuscar uma equipe guerreira como a do vasco.
     Interessante o que o nosso futebol se tornou. Ronaldão, que agencia jogadores para o exterior, vai ser o responsável brasileiro no comitê organizador da Fifa, indicado pelo suspeitíssimo Ricardo Teixeira.
     Viva a bola!
     João Havelange pede demissão, para não ser processado por corrupção, depois de 48 anos de mandato na Fifa.
     Ufa!
     Jogadores retornados, ricos e em fim de carreira, como Adriano e Ronaldinho, são incorporados aos times mais importantes em troca de gordos patrocínios. Jogadores novos, a caminho da Europa, são incensados pela mídia o tempo todo, de olho no faturamento que eles ainda vão produzir, principalmente se conseguirem o título de melhor do mundo.
     Viva Neymar!
     Em meio a tanto dinheiro rolando nos gramados, quem se importa com uma equipe guerreira, não é mesmo? Que chatos esses vascaínos, querendo jogar futebol e atrapalhando os negócios...
     Enquanto isso a idiotice toma conta das ruas brasileiras na última rodada, transformando os duelos em brigas fenomenais de torcidas, com episódios absurdos de agressão, principalmente de torcedores fanáticos do Flamengo, no Rio, contra torcedores do Vasco. Fascismo puro.
     Mas quem se importa com isso?
     Lamento dizer, mas a conquista do campeonato pelo Corinthians não teve nenhum brilho. Nem a final conseguiram vencer. O verdadeiro campeão de 2011 se chama Vasco da Gama, pela sua luta heróica, traduzida também pela recuperação espetacular do seu técnico Ricardo Gomes. Não é aquela velha história de campeão moral não, é futebol, no seu melhor estilo, aliás, no velho estilo do fantástico futebol brasileiro.
    Quem sabe um dia teremos nosso futebol de volta.
    

domingo, 27 de novembro de 2011

Rapidinhas

Neto prefeito? 


     Parece que o PT de Rio de Contas se encaminha para lançar mais uma vez a candidatura de Alfredo Neto, desta vez com o apoio da família Mafra, decisivo para eleição de qualquer prefeito na cidade.
     A união do velho grupo político, em torno do atual prefeito, parece estar facilitando a decisão do PT.
     Além da péssima administração, o atual mandatário juntou em torno de si tudo que há de pior na política riocontense e que ninguém aguenta mais. Na última eleição, Marcio Farias foi eleito justamente para romper com o velho grupo, com o qual acabou se unindo posteriormente. Seu governo, além de imobilista e incompetente, se destacou pelas perseguições políticas a todos que não votaram nele, perseguição personificada principalmente pela figura de seu braço direito, João Souto, que se comporta como um verdadeiro comissário político, fiscalizando tudo e todos na cidade, o tempo todo e discriminando até peões nas obras da Prefeitura, se tiverem votado com a oposição, num desrespeito completo aos princípios republicanos.
     Na área da cultura, o governo de Márcio tem sido um desastre, mantendo à frente da Secretaria uma pessoa completamente desqualificada e descompromissada com seus objetivos.
     No turismo a mesma coisa. Na agricultura, a Secretaria está entregue a um atravessador.
     A saúde continua abandonada, assim como a educação municipal.
     Nada foi feito pelo desenvolvimento do município nesses três anos de governo e o prefeito se mostra completamente avesso a qualquer diálogo com a população, se mantendo inerte, justificando o apelido de poste, que lhe dei no início do seu mandato devido à sua imobilidade.
     Nas atuais circunstâncias, a candidatura de Neto aparece como uma luz no fim do túnel. 
     Depois de três tentativas, parece que a população de Rio de Contas está se convencendo de que o município estaria em boas mãos com Neto e seu jeito tranquilo e responsável de conduzir as coisas. 
     Como Lula, Neto pode finalmente vencer as últimas resistências na sua quarta tentativa e transformar essa pérola da Chapada Dimantina que é Rio de Contas, no centro de cultura, turismo e agricultura orgânica que são suas vocações naturais, libertando a cidade da corrupção e do atraso, governando para todos e levando paz e prosperidade aos riocontenses.
     Que os anjos digam amém.  
   
      
     Caramba, a Som Livre está cada vez pior. Não lança nada que preste, só lixo!
     Impressionante o desserviço que esta empresa está prestando à cultura brasileira. Há muito tempo eles vem decaindo na qualidade mas agora chegou a um ponto absurdo. Os anúncios na TV Globo são de cantores da pior qualidade. Aliás a programação da Globo, em geral, está horrível. Eles só mantém a liderança porque as outras emissoras conseguem ser piores. Tirando a TV Brasil, as outras só pensam em copiar a Globo e nenhuma delas encara seriamente a possibilidade de construir uma nova grade de programação, com outros tipos de programas. Aos sábados e domingos não se consegue mais ver um filme que preste, só tem Luciano Huck, Gugu, Faustão e outras porcarias. Será possível que ninguem pode fazer algo melhorzinho? Será que só porcaria dá lucro?

Festival de Música e Talentos

      Por falar em música, excelente a iniciativa da rádio Rio de Contas FM, em, promover o Festival de Música e Talentos de Rio de Contas.
     No último sábado assisti à final do festival, sendo premiada como melhor intérprete de música popular, a jovem Julia Farias, que cantou "Tiro ao Álvaro", canção do velho e saudoso Adoniram Barbosa.
     Julia tem uma voz magnífica , que sustenta sem grande esforço e sem se preocupar em fazer volteios.
     O festival também comemorou os 288 anos do município de Rio de Contas.
     Parabéns a Kal da rádio, sempre batalhando pela cultura da cidade.

 Novamente a cultura do eucalipto

     Recebi o folder do seminário que está sendo realizado neste final de semana em Itarantim e Maiquinique, para discutir a intenção da empresa sueco-finlandesa, Veracel, de implantar uma gigantesca área de cultivo de eucalipto no sudoeste baiano, área que já sofre com a falta de chuvas sazonais e que pode ter seus poucos rios condenados ao desaparecimento por essa monocultura predatória.
  
     É preciso ficar atentos para impedir mais este atentado ao nosso meio ambiente natural, além do próprio meio social, sempre muito prejudicado por monoculturas, especialmente esta, que expulsa os agricultores do campo, gerando pouquíssimos empregos e provocando levas de migrantes para as cidades.    
     Tive oportunidade de visitar uma dessas áreas, na divisa de São Paulo com o Paraná (município de Itararé) e pude verificar a existência de um fenômeno que eu não conhecia, as favelas rurais, compostas por agricultores que ficaram sem terras e sem condições de se estabelecerem nas cidades.
     Esperamos que os prefeitos e vereadores dos municípios do sudoeste baiano fiquem bem atentos para impedir a consumação de mais este crime sócio-ambiental.
  

Os últimos soldados da guerra fria

     Este é o título do mais recente livro do escritor Fernando Morais (Companhia das Letras, São Paulo - 2011), autor de vários livros biográficos de grande sucesso, como Olga, sobre a esposa de Luis Carlos Prestes extraditada para a Alemanha nazista pelo governo Vargas e Chatô, sobre Assis Chateaubriand, o primeiro magnata da mídia brasileira, introdutor da televisão no Brasil.
     Em "Os últimos soldados..." Morais faz uma descrição detalhada da ação dos espiões cubanos infiltrados em organizações anticastristas em Miami, para prevenir ações terroristas contra Cuba. Mais do que isto, ele traça um perfil desconcertante da sociedade de Miami, povoada por exilados cubanos, chegados em sucessivas levas, que ele descreve no tempo e no espaço.
    É impressionante a desenvoltura com que as organizações anticastristas organizam atos de terrorismo com a complascência do governo americano, que resultam em mortes de civis inocentes dentro e fora da ilha.   
    Impressionante também é o sentimento de derrota que assola essa comunidade, que espera há 52 anos pela queda da ditadura comunista e a influência que ela exerce sobre a política norte-americana, pesando fortemente na eleição até de presidentes da república e contando com um lobby fortíssimo no Congresso americano.
     O livro desnuda a contradição entre o discurso oficial de guerra ao terrorismo do governo americano, largamente utilizado desde o ataque às torres gêmeas em 2001, e o apoio mal-disfarçado às atividades terroristas desses grupos.
     Tenho dois depoimentos pessoais a respeito do assunto, de épocas muito diversas, mas cuja compreensão só alcancei com a leitura deste livro.
     O primeiro de 1968, quando fui aos Estados Unidos, com apenas 16 anos. Era um desses programas de intercâmbio cultural em que a gente fica hospedado na casa de uma família americana. Passei 13 dias em Miami, mas precisamente em Highleah, uma espécie de bairro de Miami, com uma típica família americana. O pai era funcionário da antiga Pan American e a mãe enfermeira. Eles tinham dois filhos, Jimmy, da minha idade e Billy, que deveria ter uns 14 anos.
     O grupo de brasileiros de classe média começou frequentando as aulas de uma High School, ou seja, uma escola de ensino médio. Mas duramos apenas 3 dias. Em plenas férias de janeiro, ninguém queria saber de aulas. Demos um jeito de nos livrar da escola e passamos a frequentar as casas uns dos outros, conhecer a juventude local, ir a festinhas, etc.
     Um dia resolvi sair a pé, coisa que sempre gostei de fazer para conhecer lugares novos. Estávamos reunidos em algum lugar, uma espécie de clube, acho, e resolvi dar uma volta no quarteirão para sentir o clima da cidade. Saí caminhando por uma calçada e ia distraído olhando as coisas, tomando cuidado para não perder o caminho de volta, quando de repente um fusca passou por mim com dois jovens com cara de latinos. Um deles colocou meio corpo pra fora da janela e me jogou um ovo, acertando a perna da minha calça. Depois aceleraram e saíram rindo.
     Fiquei surpreso com a agressão gratuita e tratei de voltar ao grupo. Comentei o que havia acontecido e a americana que estava conosco comentou que "deviam ser cubanos".
     Depois disso conhecemos muitos jovens cubanos, principalmente umas cubanas muito bonitas que se entrosaram com a agente.
     A revolução na ilha tinha apenas 9 anos, mas Miami já estava cheia deles.
     Era estranho. Embora fossem latinos como nós, não tínhamos a familiaridade que temos com argentinos, uruguaios e outros sul-americanos. Alguns nem sabiam onde ficava o Brasil. Eram uma espécie de latinos americanizados, que pareciam ter perdido sua identidade depois da imigração, embora continuassem falando espanhol e dançando salsa.
     Quase trinta anos depois, em 1997, fui a Cuba, passar uma semana como turista.
     Já não havia a União Soviética e a guerra fria já era passado, mas em Cuba as coisas não estavam muito boas. Eles estavam vivendo o chamado período especial, em que a ilha teve que se virar para substituir os vínculos econômicos com o exinto campo socialista.  
     É justamente o período descrito no livro de Fernando Morais, quando os grupos anticastristas de Miami, vendo que o turismo trazia a Cuba os recursos que a ilha havia perdido, resolveram promover ações terroristas para prejudicar o fluxo de turistas.
     Eu e o amigo que viajou comigo percebemos a vigilância nas ruas e no hotel e muitas vezes ficamos irritados com isso, mas só agora entendi o que se passava e a necessidade de todos aqueles cuidados que muitas vezes nos provocavam um certo mal estar.
     Na véspera da nossa viagem de volta, um telefonema misterioso para o nosso quarto no Hotel Presidente, pediu para que levássemos um encomenda ao Brasil. Uma voz masculina ao telefone dizia que era um CD de um músico cubano que tinha acertado com uma gravadora em São Paulo e que alguém iria buscar no aeroporto.
     Meu amigo ainda titubeou: você acha que devemos levar?
     Tomei o telefone e falei firmemente que não iríamos levar encomenda nenhuma e ponto final.
     No fim sair de Cuba foi um alívio, nos libertando daquele clima tenso. E hoje, lendo o depoimento de Morais, percebi o perigo que passamos. Os terroristas usavam um explosivo chamado C-4, que ligado a um pequeno detonador pode ser programado para explodir algum tempo depois. Quem nos garante que a tal encomenda não seria uma bomba que explodiria nosso avião no ar, como aconteceu alguns anos antes com um voo da Cubana de Aviación, que ia da Guiana para Cuba, matando mais de 70 passageiros?
     O pior é que o terrorista número um, chamado Posada Carriles, autor deste e de inúmeros outros atentados terroristas, circula livremente por Miami, sob as bençãos da justiça americana que se recusa a extraditá-lo.
     Falando sério, não gosto dos Estados Unidos por todo mal que fizeram e fazem à humanidade, mas também não gostei nada dos cubanos. Nem dos exilados americanizados, agressivos, nem do regime da Ilha, com sua ditadura com discursos muito eloquentes e resultados econômicos muito decepcionantes.
     Parece que se acham mais importantes do que são e também que tem uma ligação umbilical com os Estados Unidos que os fazem ser uma espécie de reverso deles. Deveriam esquece-los e se integrarem mais na América Latina, da qual fazem parte, dar uma reformada geral naquele modelo econômico, se democratizarem e começar a olhar para o futuro.
     Os espiões cubanos cumprem longas penas de prisão nos Estados Unidos enquanto os terroristas de Miami circulam livremente. Quando isso vai acabar? Até quando os políticos de Washington vão continuar reféns desse lobby de criminosos? E até quando Cuba vai continuar querendo ser a líder ideológica de uma América Latina que já soube virar a página e está se livrando rapidamente da influência americana e dos resquícios da guerra fria?
      Enquanto o mundo muda, no estreito da Flórida, como diz o título do livro de Fernando Morais, uma velha história tenta sobreviver.
    
    
   
     
    

domingo, 20 de novembro de 2011

Rapidinhas

Novo livro

     Depois de quatro anos na gaveta, tempo de depuração para que fossem realizadas várias revisões, finalmente vem a público meu novo livro intitulado, Escola, Espaço e Discurso.
     O trabalho é fruto de uma especialização em linguística feita na Uneb, Universidade do Estado da Bahia, entre 2005 e 2007, com ênfase em análise do discurso, onde procurei comparar os diversos discursos sobre educação, feitos ao longo da história do Brasil, com os prédios escolares que corresponderam a eles, no que seria um discurso arquitetônico paralelo.
     A idéia foi tentar dar uma visão ampla da evolução da educação e dos prédios escolares no Brasil, desde a colônia até o final do primeiro governo Lula.
    Neste tempo, entre a apresentação da monografia e sua transformação em livro, procurei despojar a linguagem do rigor acadêmico para aproximá-lo mais do público.
     O livro já se encontra à disposição dos interessados no site www.biblioteca24horas.com, já que é um livro eletrônico, ou um E-book. Aqui mesmo no blog é possível acessá-lo, bastando clicar sobre sua capa.
     Os E-books, podem ser comprados na versão digital, alugados por tempo determinado, ou encomendados na versão em papel.
     Serão feitas também sessões de autógrafos para venda do livro impresso à partir do mês de dezembro, em locais e datas a serem ainda determinados.
     Espero que agrade ao público e venha preencher uma lacuna na literatura existente sobre prédios escolares, em geral produzida por arquitetos sem maiores conhecimentos sobre educação ou por educadores sem grandes conhecimentos sobre arquitetura. A pesquisa procurou, justamente, suprir essa deficiência.
     Gostaria muito de receber um retorno do público interessado.
   
Equador


     Excelente a minisserie Equador, que está sendo exibida na TV Brasil de segunda a quinta-feira às 23,00h.
     Produção portuguesa, a série conta a história de um governador progressista na antiga colônia portuguesa de São Tomé e Príncipe e sua luta contra o trabalho escravo disfarçado que era praticado pelos fazendeiros locais, ainda no início do século XX.
     A história tem lances dramáticos muito interessantes, como o envolvimento amoroso do governador portugues com a esposa do consul inglês, além de mostrar as paisagens e os costumes locais.
     Composta de 30 episódios, a história foi rodada em cinco países, envolvendo 120 atores, quase 500 técnicos, milhares de figurantes e produzida pela TVI – Televisão Independente de Portugal. A mistura de imagens em alta definição e grafismo 3D recriam os bailes do São Carlos, a Rua Garret e o Largo de São Paulo, do inicio do século passado. O projeto foi coordenado por André Cerqueira.
      Muito melhor assistir Equador do que às novelas da Globo, Record ou SBT. 
     Pena que nossa TV pública não faça propaganda da sua programação, cada dia melhor, com medo ainda de fazer concorrência às Tvs comerciais com seu baixíssimo nível.
     
Casamento
     Na segunda-feira, dia 14 de novembro, celebrou-se a cerimônia oficial de união estável entre José Mário Barbosa e Alberto Magno Alves Santos, no que está sendo considerado o primeiro casamento entre dois homens realizado em Vitória da Conquista.
     O evento realizado na residência do casal, que vive junto há 14 anos, foi prestigiado por amigos, parentes e colegas de José Mário, que trabalha na Secretaria de Saúde do Município e de Alberto Magno, funcionário do Fórum de Conquista.
     No dia 15 a festa teve continuação, com um concorrido churrasco para os amigos, animado com som ao vivo.
     Sem dúvida um avanço na luta pelos direitos civis do povo brasileiro. Cabe agora ao Congresso Nacional vencer a resistência das bancadas religiosas e conservadoras e oficializar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Tribunal Popular

     Recebi o convite abaixo, para instalação do Tribunal Popular do Judiciário da Bahia. A iniciativa, muito interessante, visa discutir as ações do juduciário brasileiro em relação às demandas populares.
  




O Fórum de Luta por Terra, Trabalho e Cidadania da Região Cacaueira encabeçados pelo CIMI, CPT, CEBs, OCA, CÁRITAS DE ILHÉUS e com a contribuição dos companheiros (as) da FASE, Caritas regional, AATR, EACMA convocam os companheiros (as) da Região sul, extremo sul e sudoeste da Bahia a construirmos as bases para a concretização do Tribunal Popular do Judiciário da Bahia.  Com a realização da OFICINA REGIONAL  DE CAPACITAÇÃO DO TPJ.
O Poder Judiciário da Bahia vive um contexto de imensa descrença da população na instituição. Esta tem se mostrado como uma das estruturas mais conservadoras, marcada por uma cultura positivista e elitista, ignorando  por completo a dinâmica social e aplicando o Direito ao belo sabor de suas influências formais e legalistas,normalmente assegurando o direito de propriedade; garantindo a permanência de prefeitos corruptos; criminalizando as ações dos movimentos sociais e suas lideranças,  ao tempo que se omite dos julgamentos de atos que desrespeitam os direitos fundamentais garantidos na Constituição.
Diante deste quadro a realização da OFICINA REGIONAL  DE CAPACITAÇÃO DO TPJ, terá como objetivos: Socializar informações sobre o processo de construção do TPJ, com entidades e movimentos dos diversos municípios situados no sul, extremo sul e sudoeste da Bahia. É o momento para multiplicar as informações e reflexões recebidas e feitas nos eventos de formação. Durante essas visitas, os multiplicadores vão aprofundar o debate sobre as origens e modo de funcionamento do Poder Judiciário no Brasil e na Bahia.  Outro objetivo da Oficina será o de buscar descobrir, e investigar, casos de desrespeito aos direitos humanos, e/ou de abusos, feitos ou apoiados pelo Poder (Sistema) Judiciário. Tal investigação consiste em estimular as pessoas e entidades dos municípios que estarão sendo visitados, para que apontem os casos. A equipe do TPJ vai ouvir os casos, reunir testemunhas, coletar dados, fotos, documentos, realizar entrevistas, a fim de selecionar os casos mais graves e emblemáticos para serem popularizados e debatidos na realização dos tribunais regionais previstos para 2012.
A OFICINA REGIONAL  DE CAPACITAÇÃO DO TPJ será realizada nos dias 10 e 11 de dezembro de 2011, no Instituto de Teologia de Ilhéus, ITI,  localizado na Rodovia Ilhéus x Itabuna, Km 0 (Bem na entrada de Ilhéus, antes da Ponte do Fundão, na entrada do Bairro Teotônio Vilela).
Pedimos a confirmação da sua  participação até o dia 28/11, para que possamos organizar a infra estrutura necessária para a realização do evento. Para aqueles que vêm de fora e tem parentes ou amig@s em Ilhéus, pedimos a compreensão para ver possibilidades de hospedagem com estes, para aqueles que têm barracas de camping pedimos também o apoio. A alimentação, Assessoria, Material Didáticos  e algumas hospedagem já estão acertadas. O ITI tem um espaço bem legal, para aqueles que puderem trazer colchonetes ou redes também ajuda. Enfim, a Oficina também será uma construção coletiva de tod@s.
“Juntos construiremos um Judiciário mais transparente, acessível, contemporâneo, aberto e justo”. Aguardamos VOCÊ!.
Telefones e e-mail para contatos e confirmações:
Cimi/CPT: (73) 3212-1171 – cimiita@veloxmail.com.br    cptsulsudoeste@cptba.org.br  (Haroldo,Jenário, Valderly)
Cáritas Ilhéus: (73)3086-2153   caritasilheus@yahoo.com.br  (D’Ajuda)


  


 A situação se agrava na Europa

     A insistência do setor financeiro em impor um modelo econômico neoliberal que destrua as conquistas políticas e sociais dos povos da União Européia, como solução para os problemas da moeda única, está levando o velho continente a um beco sem saída.
     Enquanto as soluções impostas pelo Banco Central Europeu e o FMI jogam a zona do Euro numa forte recessão, os políticos de esquerda não tem um modelo econômico alternativo a oferecer, deixando a insatisfação das massas populares crescer de forma desordenada.
     O movimento dos indignados, que começou na Espanha, se espalha por todo o continente, demonstrando o esgotamento de um ciclo de idéias que permanece prisioneiro das políticas ligadas ao mercado.
     Sobre isso, transcrevemos a entrevista do filósofo italiano Franco Berardi ao site Opera Mundi.
 
Monti e Papademos representam a cultura predatória do mercado, diz intelectual italiano

     Mario Monti e Lucas Papademos, economistas renomados, ex-funcionários de organismos financeiros da União Europeia, porta-vozes da ditadura financeira neoliberal. Para o filósofo e ativista político italiano Franco Berardi, conhecido como “Bifo”, esse é o perfil dos novos premiês da Itália e da Grécia, nomeados após a derrubada de seus antecessores pela pressão dos mercados e dos países mais ricos da União Europeia. A missão de ambos é aplicar uma receita familiar aos países latinoamericanos, que nos anos 1980 e 1990 estiveram à mercê do FMI (Fundo Monetário Internacional): corte de gastos públicos e sociais, privatização de estatais, demissão e redução de salários e pensões. Tudo com a desculpa do resgate do equilíbrio fiscal.
     “Na Europa, existe há anos um diretório financeiro que atua para um grupo hiperliberal e dogmático do Banco Central Europeu. Agora estão colocando seus homens na cúpula dos governos nacionais. A ditadura financeira fecha-se como uma corda no pescoço da democracia europeia e, o que é ainda pior, fecha-se no pescoço da sociedade europeia”, critica Berardi, em entrevista ao Opera Mundi.
     Sobre Mario Monti e o futuro da Itália, o filósofo não se mostra nada otimista. Para  ele, apesar de Monti parecer um homem sério e bem intencionado, seu governo pode ser ainda pior que o de Silvio Berlusconi. Berardi acredita que a esquerda italiana caiu em uma armadilha ao assumir a execução do pacote de austeridade europeu, que causará desemprego e arrocho na economia do país, enquanto a direita vai para a oposição.
     “Esta é a obra-prima de Berlusconi. Ele impôs o programa devastador do BCE sem nem sequer precisar assumir a responsabilidade. Ele decide, mas a centro-esquerda governa. Dentro de alguns meses, Berlusconi fará oposição contra as medidas que ele mesmo impôs e que a centro-esquerda terá de implementar”, ironiza.

Como se situa Mario Monti no cenário político italiano? Quanto pesa seu papel de primeiro plano no Goldman Sachs e no Clube  Bilderberg?      
                                                                                                       
                                                                                                                                 
                                                                      Mario Monti
                                                                                                               
     Mario Monti é o homem que encarna o dogma financeiro neoliberal. Seu papel é impor o diktat do Banco Central Europeu: sua formação pessoal (Goldman Sachs, vetores financeiros da Europa) o torna o intérprete perfeito dos interesses superiores das finanças.

Quais são as decisões que poderiam levar Monti a "salvar a Itália", e por que ele deveria ser capaz de fazer um milagre?

     O milagre já está sendo feito: em cada país europeu, a classe financeira está saqueando os recursos da sociedade, privatizando os serviços públicos, reduzindo os salários e as pensões. Este é o conteúdo das cartas ameaçadoras do Banco Central Europeu, e este era o programa do governo Berlusconi. Mas Berlusconi já não pode realizar nada, porque, como se diz hoje, ele já não tem credibilidade. Mesmo que Berlusconi fosse o representante dos interesses da máfia e da evasão fiscal, os centros de poder capitalista ainda podiam tolerá-lo e usá-lo. No entanto, agora que ele se mostra incapaz de manejar o golpe contra a sociedade e a carnificina social, tiram-no de cena. Mas o programa de Mario Monti é o programa de Berlusconi. Na Itália, nada mudou além do fato de que os novos governantes terão uma força para impor suas políticas muito maior que a do governo Berlusconi. A situação italiana está destinada a piorar do ponto de vista das condições da sociedade.

A nomeação de personagens como Papademos na Grécia e Mario Monti na Itália, além de não parecer casual, significa o quê para estas democracias?

     Monti e Papademos são dois homens dos bancos de investimento, dois representantes perfeitos da classe financeira. Na Europa existe há anos um diretório financeiro que atua para um grupo hiperliberal e dogmático do BCE. Agora estão colocando seus homens na cúpula dos governos nacionais. A ditadura financeira fecha-se como uma corda no pescoço da democracia europeia e, o que é ainda pior, fecha-se no pescoço da sociedade europeia. Democracia e capitalismo são incompatíveis, já é evidente. A civilização social é incompatível com o capitalismo.

O que torna Mario Monti e Lucas Papademos tão profundamente parecidos?

     São dois homens que representam a cultura predatória das finanças. Como pessoa, Mario Monti é provavelmente um homem discreto que deseja o bem comum. Quem sabe, na melhor das hipóteses, é isso. O problema é que sua cultura identifica os princípios da economia de mercado e da desregulação financeira como uma verdade revelada indiscutível, como o dogma central.
Ele está pronto para devastar a sociedade italiana como Papandreou    devastou a sociedade grega (colapso de 7% da produção, empobrecimento social) em nome da verdade indiscutível dos parâmetros de Maastricht.
                                                                   Lucas papademos

Como a opinião pública e os meios de comunicação italianos reagiram à notícia de um "governo técnico" de Mario Monti? E uma eventual reação positiva pode estar relacionada à escassa informação sobre sua trajetória?

     O nome de Mario Monti está rodeado por uma aura de santidade. É o homem que está acima das partes e que unicamente aplica a dura lei da economia financeira. O senhor Monti é a matemática personificada. O problema é que a sociedade não é feita de uma só matemática. A matemática dos economistas neoliberais, incorporada como automatismo nas interfaces tecnolinguísticas e nos dispositivos sociais, não é a matemática do bem comum, da redistribuição dos recursos, não é a matemática da inteligência coletiva que começa a se organizar de maneira autônoma.

Então o governo de Mario Monti será de continuidade das políticas econômicas de Berlusconi?

     Berlusconi não se foi. Ele disse: "Vou renunciar quando o plano de estabilidade estiver realizado", ou seja, quando o diktat europeu tiver sido imposto. Todo mundo está contente porque ele então irá embora. Mas esta é a obra-prima de Berlusconi. Ele impôs o programa devastador do BCE sem nem sequer precisar assumir a responsabilidade. Ele decide, mas a centro-esquerda governa. Dentro de alguns meses, Berlusconi fará oposição contra as medidas que ele mesmo impôs e que a centro-esquerda terá de implementar. A Liga Norte [partido de direita separatista e xenófobo aliado de Berlusconi] já disse que é bom ir para a oposição, pois assim pode-se reconstruir a virgindade atacando o diktat europeu e recolhendo os protestos populares. Uma obra-prima de astúcia da direita e uma obra-prima de imbecilidade da esquerda, que terá de manejar a devastação social e depois perderá as eleições.

Pode-se pensar em uma conscientização dos movimentos sociais ou do povo italiano em geral para opor-se à ditadura dos grupos financeiros globais?


     Enquanto respondo a essa pergunta, neste momento, há manifestações e ocupações em todas as cidades do país. Milhares de estudantes já demonstraram sua oposição em Bolonha em 11 de novembro, assim como em cada outra cidade nestes dias. Os estudantes ocupam lugares públicos e privados. Monti se pinta como o salvador da pátria só na imprensa subjugada pelo partido democrático, mas as pessoas não estão festejando o fim do regime de Berlusconi. Ao contrário, espera-se o pior. Agora as pensões serão atacadas, os dependentes públicos, demitidos, o gasto com saúde será reduzido e na oposição estarão Berlusconi, a máfia e os racistas da Liga Norte unidos em uma frente populista. A verdadeira tragédia italiana ainda está por vir.