Por Ricardo Stumpf Alves de Souza

domingo, 29 de maio de 2011



A indignação necessária

As grandes manifestações por democracia surgidas na Tunísia e no Egito, atravessaram o mar mediterrâneo e chegaram à Espanha, resultando na ocupação de mais de 150 praças no país, por jovens que se auto-intitulam os indignados. Eles rejeitam a intervenção do FMI na crise econômica européia, com suas velhas fórmulas de cortes nos gastos sociais e nos direitos trabalhistas, favorecendo o capital para que este tenha mais dinheiro para investir e relançar um capitalismo cada vez mais desgastado pelas crises sucessivas.
Os indignados dizem que o mercado sequestrou a democracia e que estão cansados deste modelo antigo de economia, pedindo uma democracia mais profunda, mais autêntica, onde a população tenha maior controle sobre a economia, não ficando refém das aventuras empresariais de uma minoria.
O movimento já se refletiu na França, onde surgiu um movimento intitulado Chamado do 21 de abril, em referência à necessidade de participação dos jovens nas eleições que se aproximam, evitando a repetição das eleições anteriores, onde dois candidatos de direita se enfrentaram num dia 21 de abril, deixando a maioria da população sem alternativa política.
Esse movimento pró-aprofundamento da democracia, com forte componente ambiental, busca a construção de um novo modelo de economia política, onde as grandes decisões sejam tomadas pela maioria em benefício de um futuro comum. Tudo a ver com o slogan dos Fóruns Sociais Mundias: Um outro mundo é possível. 
No Brasil também percebemos o mesmo desgaste das fórmulas tradicionais de fazer política. Hoje temos duas alternativas: o capitalismo para todos do PT e sua grande base aliada e o velho capitalismo para poucos do PSDB e do DEM. Todos dois nos levam em direção ao desastre ambiental e à uma sociedade cada vez mais violenta.
Nossas cidades estão se tornando um pesadelo. O progresso dos anos positivistas as transformaram em lugares onde imperam o crime e o crescimento desordenado, filho da especulação imobiliária. 50 anos depois de Brasília, ainda almejamos crescer, crescer, crescer, como se fossemos pequenos, como se o Brasil precisasse demonstrar alguma coisa ao mundo para viver.
A imagem do Brasil no exterior, o que pensam da gente lá fora... não passam de um complexo de inferioridade das nossas velhas classes dominantes, que os velhos conglomerados de TVs repetem sem cessar, repercutindo na inconsciência dos mais novos todas as frustrações dos mais antigos.
Enquanto isso nosso interior continua atrasado, a natureza continua sendo derrubada, destruída pela força do progresso. O que o Brasil tem de melhor, a sua natureza fantástica, continua sendo olhado com desprezo, agora com uma consciência ecológica forçada pelas circunstâncias mas que não passa de formalidade obrigatória para nos inserir no rol das nações ditas civilizadas.
A praga positivista ainda nos assola, impedindo a objetividade, que ficou prisioneira da nostalgia de um interior que não existe mais, dos pássaros que vão desaparecendo, do ar puro e dos rios que vão sendo rapidamente contaminados pelo agronegócio.
Onde está o Brasil que olhe para si mesmo sem se comparar com outros povos? Que se aceite na sua gigantesca diversidade, que valorize a sua paz, ao invés de querer fazer parte do Conselho de Insegurança da ONU? 
Onde está nossa coragem de nos sabermos uma civilização diferente, tropical, sensual, musical, que pode muito bem viver sem engarrafamentos inúteis, sem uma produtividade que destrói muito mais do que produz, sem uma acumulação que só reafirma nossas piores tradições coloniais de privilégios e infelicidades?
São Paulo nunca será uma Nova Iorque, graças à Deus. O Rio nunca será uma Paris, ainda bem. Brasília nunca será a capital do mundo: que alívio!
Talvez seja a hora de também dizermos não a essas políticas sem saída, a esse consumismo que tudo polui e destrói, a esse empilhamento de riquezas inúteis, à essa necessidade de correr de um lado para o outro, como se estivéssemos construindo alguma coisa que não seja apenas a nossa própria ruína, à tanta competição e dizermos sim a mais cooperação, mais segurança para a vida do cidadão comum. 
Vamos apenas viver bem, distribuir entre nós nossa imensa riqueza e esquecer de tentar repetir a história insensata que outros povos já percorreram, antes que seja tarde.
Que a ecologia e uma nova democracia triunfem, que as grandes cidades diminuam e as pequenas aumentem, distribuindo melhor a população, para que possamos ir até esquina sem medo. Que a justiça seja rápida, embora saiba perdoar. Que nossas prisões se transformem em escolas do bem e o exército sirva para defender nossa paz, além de ajudar o povo a ser feliz. Que nossa educação seja federalizada, se libertando da politicagem municipal. Que a ciência floresça nas nossas universidades para servir à humanidade.
Abaixo as ilusões de poder e glória! Viva a poesia e a alegria de viver!

domingo, 22 de maio de 2011

Delícias de Rio de Contas

A Pizzaria Orquídea da Chapada é um dos recantos mais agradáveis de Rio de Contas.
Situada numa antiga casa restaurada, no centro histórico, lá se pode comer uma pizza deliciosa, preparada pessoalmente por seu proprietário, Léo, tomar um bom vinho chileno ou uma cerveja gelada e desfrutar de um ambiente acolhedor e tranquilo, ao som de músicas calmas e de bom gosto.
     A restauração manteve as paredes dos antigos quartos da casa, que foram abertos com arcos, permitindo que as pessoas percebam como era o espaço antigo, enquanto desfrutam da boa comida e de um convívio sossegado.
     Vale a pena conferir.

Um poema para o córrego Verruga
     Para quem não sabe, o córrego Verruga é o único curso d'água que corta a cidade de Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia. Este pequeno rio, que outrora alimentava com suas águas cristalinas o vale onde se ergue hoje a terceira maior cidade da Bahia, se encontra totalmente poluído e em parte canalizado por baixo do centro da cidade, que parece que se esqueceu dele.
     Cláudia Souza é estudante de arquitetura e, como muitas outras pessoas de Conquista, gostaria de ver seu curso d'água recuperado e despoluído, alegrando a vida dos habitantes desta cidade que cresce.




Na Serra, a sina do Verruga

No alto da Serra
Lá estão:
O Córrego Verruga e o Cristo de Mário Cravo
E qual seria o mistério em questão?

Estaria o primeiro predestinado a morrer,
Demonstrando, assim, a apatia do cidadão?
Seguindo um curso d'água
A pedir perdão?
"Perdão, eles não sabem o que fazem"...

Ah, sabem!
Não é um povo sem instrução.
Alguns mal têm comida,
Mas outros têm até educação.
E não pode se contentar com isso, não!

Há de se querer mais:
Um córrego limpo,
Descanalizado,
A ser contemplado,
Admirado
Recuperado
São

Ele não pode ser mais um
a desembocar na extinção!

-- 
Claudinha Souza

A frase do mês


Na última semana beatificamos um papa, casamos um príncipe,
fizemos uma cruzada e
matamos um mouro.
                              Bem-vindos à Idade Média!

    




domingo, 15 de maio de 2011

Delícias de Rio de Contas

     Queridos leitores, apesar de todos os problemas Rio de Contas continua sendo um lugar delicioso. É sempre um prazer estar por lá, dormir sossegado, naquele friozinho gostoso e desfrutar da simpatia dos seus habitantes.
     Aliás, a educação do pessoal da cidade é um diferencial. Pode parecer bobagem, mas lá as pessoas ainda se respeitam e isso está se tornando cada vez mais raro no Brasil.
     Por isso resolvi iniciar uma série hoje, com as melhores coisas de Rio de Contas, não só os pontos turísticos mais conhecidos, mas as pequenas coisas que só se percebe aos poucos.
     Pra começar aí vai a foto da Cachoeira do Fraga, que agora está despoluída, cercada e limpa, com seu barzinho de apoio recuperado e sem aqueles horríveis sons de carro. Falta ainda uma escada com corrimãos, que dê maior segurança à descida, mas já houve um grande progresso.
     Esperamos que o atual Secretário dê continuidade ao trabalho iniciado de recuperar esses pontos de lazer que atraem tanta gente, principalmente nos feriados e finais de semana.
Natureza desprotegida

     Na Praia do Flamengo, em Salvador, um flagrante de como os animais que vivem soltos no meio urbano consguem se defender. No caminho da praia, uma cadela cavou uma toca onde pariu seus filhotes e onde a encontrei amamentando os dois bichinhos.
     Quando voltei com a máquina ela havia saído para procurar comida, mas rondava por perto, preocupada.
     Os pequenos cachorrinhos pareciam muito saudáveis e bem alimentados pela diligente mãe, que sem ter um dono a quem recorrer, fez sua própria caverna.
 
 
Em defesa do Rio Verruga
     Aproveitando a proximidade da semana do meio ambiente, divulgo aqui hoje  parte de uma carta do ambientalista Paulo Nunes, escrita em 2009, em defesa do Rio Verruga, pequeno curso d'água que corta a cidade de Vitória da Conquista, parcialmente canalizado e que depois emerge, já totalmente poluído.
     Como tantas cidades brasileiras, Conquista transformou seu pequeno rio em um esgoto, sem dar a menor atenção para o seu único curso d'água, tão importante na fundação da cidade e hoje esquecido e maltratado.
     Rio Verruga, um rio histórico de Vitória da Conquista, ganha movimento
MCMP - Movimento Contra a Morte Prematura 
     Em Vitória da Conquista, o Rio Verruga que nasce na Mata do Poço
Escuro, já nasce contaminado! Descendo rio abaixo, recebe outra
quantidade de esgotos livres, formando um enorme canal a céu aberto,
com lixo em abundancia na Av. Bartolomeu de Gusmão.
     Segue seu curso agonizante , contamina pequenos afluentes, córregos e
mananciais, desemboca no Rio Pardo em Itambé, destruindo toda vida
biológica, com uma grande quantidade de germes patogênicos, além de
produtos químicos.
     Em 1996 o Poço Escuro e a Serra do Peri Peri, “pais” do Rio Verruga,
foram Tombados como Patrimônio Ecológico, a pedido do Movimento Contra
a Morte Prematura - MCMP. Pelo visto, as autoridades ainda não
conscientizaram quanta a importância significativa deste Rio, servindo
aos Índios Mongoiós, que habitavam na margem direita do Verruga até
1782, quando foram massacrados pelos Bandeirantes, hoje Pça. Tancredo
Neves, onde queremos uma escavação arqueológica no local do massacre,
entre outras localidades, para registros históricos e esclarecimentos
óbvios.
     Diferente da década de 50, o Verruga, com água límpida e cristalina,
servia a 15 mil habitantes, abastecia uma Barragem com 5 metros de
profundidade que existia no Poço Escuro, tendo ainda uma diversidade
de pássaros, árvores e animais, até mesmo onça suçuarana, que bebia
água pura no Bebedouro da Onça, detrás da Serra, que até hoje abastece
a Lagoa da Pedra Branca, apenas com um pequeno filete de água, devido
a devastação da Serra.
     Na época, a água do Rio Verruga era um líquido insípido, inodoro e
incolor, hoje tem gosto, cheiro e cor, prejudicando e destruindo
espécies animais e vegetais, além de transmitir doenças para o homem.
     Na década de 40, seu curso era perfeitamente perceptível, mas, as
autoridades foram canalizando para debaixo da terra, mudando seu curso
e a beleza de sua existência. (...)
 
Até quando as autoridades municipais e estaduais vão continuar 
fechando os olhos para esta situação?
Não seria o caso da Câmara de Vereadores local tomar uma iniciativa, 
criando um programa para despoluir e recuperar esse rio tão importante 
para a cidade? 

domingo, 8 de maio de 2011

Rapidinhas


Os assassinatos da CIA

     Desculpem, amigos leitores, por essas fotos tão mórbidas, mas não pude deixar de relacionar as duas mortes, ocorridas com 44 anos de diferença.
     Che Guevara, em 1967, preso vivo e assassinado covardemente pelos "heróis" americanos, na Bolívia, e Bin laden, que já sabemos que foi preso vivo e assassinado na frente de sua pequena filha de 12 anos pelos mesmos "heróis", no Paquistão.
     Che era o líder de uma insurreição latino-americana contra os Estados Unidos e foi enterrado em lugar secreto para que seu túmulo não virasse objeto de peregrinações. Em 1997 os cubanos descoriram seu paradeiro e deram a ele a sepultura de herói que ele merecia.
     Bin Laden era o líder de uma organização terrorista que lutava contra os Estados Unidos e foi jogado ao mar, para evitar que no futuro seu túmulo fosse localizado e virasse um santuário.
     A diferença entre os dois é que Che era um autêntico revolucionário, enquanto Bin Laden era um terrorista que matava gente inocente, armado e treinado pelos próprios americanos, para lutar contra a invasão soviética no Afeganistão. Depois a criatura se voltou contra o criador.
     Os métodos continuam os mesmos. Comandos americanos invadem os países, promovem assassinatos de líderes e os matam sem julgamento nenhum (e a convenção de Genebra sobre prisioneiros de guerra, não vale nada?), na intenção de que os povos se esqueçam deles. Em vão.
     Quatro décadas depois de matarem Che, seu mito continua vivo e os países latino-americanos cada vez se distanciam mais dos Estados Unidos. O mesmo deve acontecer no Oriente Médio. Bin Laden vai virar um mártir e um mito e deve inspirar muita violência ainda contra os Estados Unidos.

A boa notícia da semana

     O Supremo Tribunal Federal acaba de reconhecer, por unanimidade, as uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo, no Brasil, acabando com a discriminação odiosa que impedia os casais homoafetivos de se constituirem numa família. 
     É a vitória dos direitos civis contra a intolerância das igrejas católica e evangélicas.
     Falta agora uma ação positiva do Congresso Nacional, desbloqueando as várias iniciativas de leis que dariam a cobertura necessária para que casais homossexuais desfrutem dos mesmo direitos dos outros cidadãos do país, detalhando esses direitos e também as obrigações decorrentes deles.

Rios aéreos
     
     As enchentes em Pernambuco e Alagoas vem apenas confirmar aquilo que estamos afirmando aqui há muito tempo: que o degelo dos pólos vai aumentar as chuvas em todo o planeta (como ocorreu comprovadamente em outras épocas de degelo) e que não haverão secas catastróficas, como previam aqueles que propunham a privatização da água. Ao contrário, está havendo um aumento considerável da água em circulação na atmosfera terrestre, criando verdadeiros rios aéreos, que captam a água em evaporação e a conduzem pelos ares até despejá-las de uma só vez em algum ponto da superfície terrestre.
     Esse ponto recebe uma quantidade absurda de água de uma só vez, o que pode ocorrer em qualquer lugar, seja em Teresópolis, no Morro do Bumba, em Niterói, em Alagoas, em Pernambuco ou em São Luis do Paraitinga (foto acima),  no interior de São Paulo. Ninguém está livre das trombas d'águas causadas pelos rios aéreos.
     
D. Lucy

   Presto aqui minha homenagem a esta que, junto com meu pai, e não apenas pelas palavras, mas pelo exemplo, me passou os princípios de honestidade e trabalho com que procuro reger a minha vida.
     Minha mãe, D. Lucy, foi incansável batalhadora pelos filhos e pelo lar, sem descuidar do seu trabalho. 
     Funcionária concursada da Câmara dos Deputados, onde atuou durante 30 anos, 15 dos quais como chefe das CPIs, no período mais obscuro da ditadura militar (enfrentando até bombas nos cofres onde guardava seus documentos), se equilibrava entre as disputas de Arena e MDB, num tempo em que a política significava um risco de vida.
     Feminista, sem deixar de ser feminina, D. Lucy sempre estimulou as mulheres da família a serem independentes dos homens e a lutarem por seus direitos.
     Obrigado, minha querida mãe, por todo seu carinho e dedicação. Seu exemplo continua passando para os meus filhos e netas que hoje convivem com você. Estou longe agora, mas sempre perto em pensamento.
     Um beijo para você, para minhas duas filhas que também são mães e a todas as mães desse mundo, que lutam por uma vida melhor para todos.
     
As 7 faces da política riocontense

     Como no antigo filme de George Pal, de 1964, as 7 faces do Dr. Lao, onde o circo de um chinês, o Dr. Lao, chega a uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos e através de ilusões começa a mostrar aos moradores suas próprias contradições, a política riocontense parece que é uma coisa, mais é outra.
     Fazendo um paralelo com o título do filme, poderíamos encontrar também as sete faces ilusórias que jogam na cena política, confundindo os eleitores.
     A face mais visível é a do lado conservador, coronelista, dos grupos herdeiros da ditadura militar, ex-integrantes da ARENA/PDS/PFL/DEM, que hoje correm para debaixo da asa do PT, integrando a base aliada através do PP ou do novo PSD.
     A segunda face, que se percebe depois de conviver um pouco na cidade, é a do grupismo de gente que se articula em pequenos grupos de interesse para garantir privilégios pessoais, se infiltrando em todos os partidos disponíveis, tomando legendas, buscando apoio de igrejas, clubes de futebol, associações de moradores, etc. e cuja lógica é muito simples: quando tomarmos o poder distribuiremos os benefícios entre nós e os que nos apoiarem, o que inclui promessas de emprego na pequena burocracia municipal.
     A terceira face é o PT local, que poderia ser um vetor de transformação, mas está preso nas malhas do interesse eleitoral de Guilherme Menezes, Prefeito de Vitória da Conquista, que ainda sonha em ser governador da Bahia e por isso quer controlar o máximo possível de diretórios do interior para garantir uma possível (mas muito pouco provável) indicação em convenção partidária.
      A quarta face é formada pelos dissidentes do PT, que tentam romper com a hegemonia do grupo de Guilherme, mas que não tem coragem de mostrar a cara e praticam o denuncismo clandestino, usando as redes sociais e todo tipo de boatos e insinuações, com vistas a atingir seus adversários, sejam do próprio PT ou das outras formações políticas.
     A quinta face é a da burguesia local, composta principalmente por comerciantes, que financia as campanhas, promovendo churrascadas e cervejadas milionárias, tentando influenciar os resultados das eleições (e com isso incentivando a corrupção eleitoral), mas que não conseguiu ainda um candidato que a represente, permanecendo oscilante entre os diversos grupos que se aventuram na política local. 
     A sexta é a corrupção dos próprios eleitores, que entram num estado de autêntico frenesi, quando as eleições se aproximam, numa excitação quase sexual, antevendo os prazeres e benefícios que obterão das disputas entre todos os que disputam os cargos, sejam em cargos públicos, sejam em pequenos presentes e favores, como telhas, filtros, consultas médicas, exames, cirurgias, etc.(e os candidatos médicos são os mais pródigos nisso), tudo pago com dinheiro das campanhas eleitorais.
     E a sétima é a de uma pequena classe média de extração urbana, consciente, que se desespera por não conseguir mudar nada disso e parte para campanhas moralistas que não surtem absolutamente nenhum efeito.
     É claro que isso nem sempre se mostra assim tão separadinho e evidente, mas tudo anda junto e misturado.
     O resultado desse quadro é o atraso, a corrupção e a pobreza renitente, que teimam em se manter num município de tantas potencialidades. Nada muda em Rio de Contas e nada vai mudar, enquanto seus cidadãos não mudarem suas práticas, num círculo vicioso que se retroalimenta.
     Como no filme, onde o Dr. Lao fazia as pessoas se darem conta das suas próprias idiossincrasias, as eleições em Rio de Contas se transformaram num triste circo de ilusões.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Rapidinhas

O ocaso das ditaduras árabes
     
     Síria segue os passos da Tunísia, do Egito, do Iemen e da Líbia.
     Ditadores (ou seus sucessores) que derrubaram antigas dinastias e tinham apoio de grande parte da população, baseados em partidos políticos de inspiração nacionalista e esquerdista, começam a ser contestados por uma juventude sedenta de democracia e de melhoria de vida, já que o espectro do colonialismo não os assombra mais.
     Os governos, desacostumados a lidar com aspirações legítimas da população, passam à repressão violenta, o que os leva a perder rapidamente apoio entre aqueles que eram a sua própria base de sustentação e a revolta se espalha, como fogo no canavial em dia de vento: incontrolável.
     Quanto mais reprimem, mais perdem apoio e, perdidos, acabam tendo que ceder e se retirar do poder.
     Uma situação que revela que os nacionalismos perderam seu sentido e que caminhamos para a criação de uma só grande nação humana na face deste sofrido planeta.


Notícia de incidente racista em Rio de Contas

     Recebi de uma amiga, pedido para divulgar denúncia de incidente de racismo ocorrido em Rio de Contas, durante uma festa em um restaurante da cidade. Como se trata de crime inafiançável, e como um blog deve se manter dentro da responsabilidade jornalística se quiser preservar sua credibilidade, optei por não divulgar a carta, em função de não haver conseguido ouvir a versão da pessoa acusada.
      Além disso, a pessoa que me pediu a divulgação tem um conflito de interesses com a família da denunciada, e temi que o blog pudesse estar sendo usado com fins políticos e pessoais. 
     Isso não me impede, no entanto, de deixar aqui registrada a minha indignação com este tipo de incidente, recorrente naquela sociedade ainda arcaica, e com a preocupação com que as autoridades competentes façam cumprir a lei.  
      Creio que o Movimento Negro local, tão incisivo em outras ocasiões, deveria se manifestar sobre o caso, até para que os meios de divulgação tenham uma base jurídica mais sólida para divulgar este tipo de desrespeito aos direitos humanos. 

Estranha comemoração

      Ninguém gostava desse sujeito, mentor do assassinato de milhares de pessoas inocentes ao redor do mundo, inclusive de muitos muçulmanos. Mas sair às ruas para comemorar a morte de uma pessoa, por pior que ela tenha sido, não me parece uma coisa muito cristã.
     A foto acima ilustra, no entanto, a comemoração pela morte de Osama Bin Laden, em frente à Casa Branca, em Washington, na noite de domingo, como se fosse um campeonato de futebol no Brasil.
     Será que os americanos não tem consciência de quantas pessoas eles mataram ao redor do mundo, inclusive milhões de civis inocentes, como no Japão e no Iraque?
     Se existe mesmo a tal Lei do Retorno, de que nos falava Chico Xavier, esse pobre espírito primitivo que em vida se chamou Osama Bin Laden terá de pagar caro por todas as atrocidades que cometeu, assim como George Bush, que matou muito mais e hoje se vangloria de ter começado a guerra ao terror.
     Isso vale também para a própria nação americana, que deverá receber de volta todo o mal que infligiu ao mundo "em nome da liberdade".
     Vale o comentário de que o corpo foi jogado ao mar, o que alimenta boatos de que tudo não passaria de um golpe publicitário para alavancar a popularidade Obama.
     Triste espetáculo.

Paula Fernandes

     Está interessante o novo CD de Paula Fernandes, gravado ao vivo. Ela dá um passeio por vários gêneros musicais, sem fazer concessões à qualidade, sempre destilando aquele timbre especial de voz.
     Divulgada numa novela global, Paula Fernandes vem trazer um sopro de vida à música regional brasileira,  sufocada pelo tsunami de porcarias que a própria Rede Globo lança sem parar, transformando nossos ouvidos em pinicos globais.
     Embora algumas faixas caiam na mesmice da música sertaneja, no geral ela dá um salto de qualidade no gênero.
     Vale a pena conferir.

O Potencial de Rio de Contas III

     Retornando à série sobre a possibilidade de criar um modelo econômico de desenvolvimento sustentável, baseado nos potenciais de Rio de Contas, pequena cidade da Chapada Diamantina, na Bahia, o terceiro ponto que eu queria destacar é o turismo. 
     Mas que turismo incentivar? 
     Um turismo que busca gente pra passar fim de semana bebendo e fazendo algazarra na cidade, sujando tudo, incomodando os moradores, e "consumindo" as paisagens da cidade, que vão registradas em fotos para enfeitar paredes ou fotologs da internet, deixando apenas sujeira e más recordações para trás?
     Um turismo só para ricos, que impeça a entrada de turistas de baixa renda, mas que continue sendo uma venda de paisagens bonitas e históricas, só beneficiando os donos de pousadas e restaurantes e tratando os habitantes como se fossem figurantes de um cenário exótico, cobrando deles que se mantenham atrasados e simples para o agrado de gente enfastiada do seu dia-a-dia urbano estressante?
     Nenhum dos dois me parece respeitar os moradores que vivem e trabalham na cidade.
     Creio que o turismo deve ser abrangente e interativo: explico. 
     Abrangente no sentido de beneficiar o máximo de pessoas, e não apenas meia dúzia de empresários, realmente se constituindo numa fonte de benefícios para a cidade. Para isso é preciso levar em conta as características geográficas e culturais do município, fazendo com que o fluxo de visitantes se distribua por todo o seu território.
     Creio que para isso seria preciso mapear as possíveis atrações e prepará-las para receber os visitantes.
     Por exemplo: 
     Se no baixio temos uma produção artesanal de cachaça, pode-se organizar excursões para visitar os alambiques, como os produtores de vinho fazem na serra gaúcha. 
     Se nos gerais temos uma produção importante de flores, porque não montar uma excursão para visitar as plantações de flores e comprar seus produtos, flores, mudas e sementes? 
     Se temos dois antigos quilombos, seria preciso pesquisar a história desses assentamentos e montar pequenos museus que pudessem ser visitados, além de uma feira de produtos locais que pudesse ser vendida aos turistas.     
     Temos também uma coisa única; uma comunidade remanescente indígena dentro da sede, que continua empobrecida e discriminada, cuja história poderia ser estudada e oferecida através de um museu específico, empregando membros dessa comunidade, gerando empregos para eles.
     Temos vários locais com histórias interessantes para serem contadas, como a da passagem da Coluna Prestes, além de todo um percurso da Estrada Real, ou do "Caminho da Bahia", como era conhecido este trecho das antigas estradas coloniais que ligavam Minas Gerais à Salvador, que precisam ser mapeadas, num trabalho conjunto com outros municípios baianos, que provocassem um fluxo contínuo de turistas, oferecendo atrações ao longo de seu percurso, como comidas típicas e produtos regionais.
     Além disso, temos todo um patrimônio ambiental e paisagístico que poderia ser muito melhor explorado se fossem criadas pequenas unidades de conservação em torno das principais cachoeiras e picos montanhosos, de forma a protegê-los e prepará-los para receber visitantes, não apenas turistas, mas também estudiosos da natureza, cientistas ou mesmo excursões de estudantes, em busca de educação ambiental.
     É claro que para isso precisaríamos resolver alguns problemas ambientais locais, principalmente o lixo, que continua sendo despejado num lixão, e os agrotóxicos, o investimento em meio ambiente andando junto com o esforço para construir um turismo sério.
     Além disso poderíamos promover alguns eventos anuais para atrair visitantes fora das temporadas, como festivais culturais (música, teatro, gastronomia, etc.) além de restabelecer o carnaval tradicional.
     Manter a cidade cheia não basta, é preciso oferecer atrativos de qualidade, distribuir benefícios por toda a população e principalmente, fazer com que o turista se adapte à cidade e não o contrário, como ocorre hoje, quando o habitante é obrigado a aturar todo tipo de desrespeito.
     O turista tem que se integrar temporariamente à cultura local e seu estilo de vida, ao invés de nos impor seus valores (ou sua falta de valores), daí a classificação de turismo interativo no sentido de dialogar com a população local.
     É claro que manter estradas vicinais e trilhas  limpas e policiadas, vai ajudar a atrair investimentos. Mais pousadas, inclusive em áreas rurais, vão fazer o dinheiro circular mais e atrair cada vez mais visitantes, criando um círculo virtuoso.
     Creio que com as três propostas que veiculei nessa e nas duas edições anteriores deste blog, atração de um campus universitário, desenvolvimento da agricultura orgânica e um turismo abrangente e interativo, teríamos um modelo de desenvolvimento para o município capaz de tirá-lo das últimas posições do IDH nacional e promover o bem-estar da sua população.
     É claro que falta clareza e vontade política das lideranças locais para implementar um plano como este, mas estamos vivendo um período de renovação que pode abrir espaço para alguém com visão suficientemente ampla para fugir do tradicional clientelismo e dos "grupos" que se revezam no poder, governando apenas em proveito próprio, abrindo caminho para a construção de políticas públicas dignas deste nome.

 

segunda-feira, 25 de abril de 2011



Fundação     

     Nos anos 70, o grande debate político dentro da esquerda brasileira se dava entre as organizações armadas, que pregavam a tomada violenta do poder e a instalação imediata do socialismo no Brasil e o velho Partidão (Partido Comunista Brasileiro), que dizia que só um movimento de massas derrubaria a ditadura e que antes de se implantar o socialismo no Brasil seria preciso fazer a revolução burguesa por aqui, criando uma aliança anti-imperialista entre a burguesia nacional e o proletariado.
     Depois, nos anos 80, o movimento das diretas já veio dar razão ao Partido, que o liderava da clandestinidade. A partir do governo Lula, começamos a ter a construção do tal governo nacional-popular que o PCB falava, cujo modelo foi se espalhando pela América Latina e do qual o governo Dilma não é apenas a continuação, mas também a consolidação.
     A crise na oposição, prova que a proposta deles (PSDB e DEM) de desenvolver o Brasil à partir da submissão do Brasil à estratégia de dominação das grandes potências ocidentais, capitaneadas pelos Estados Unidos, está cada vez mais enfraquecida e dá força cada vez mais à velha tese do Partidão, que vai se consolidando.
     O paradoxo é que o Partido praticamente não sobreviveu para ver sua política triunfar. Afogado nas suas próprias contradições, legalmente o PCB ainda existe, mas ficou reduzido a um bando de velhinhos stalinistas que se reúnem para relembrar os velhos tempos, sonhando com a volta de uma ortodoxia que o vento dos tempos levou. Mas para quem conhece o famoso romance Fundação, de Isaac Asimov, parece que eles ainda estão na clandestinidade comandando nosso destino.

A arte antecipa a vida?

     Em A garota da Capa vermelha a Warner, grande estúdio Hollywoodiano de cinema, dá vazão mais uma vez à sua linhagem de violência e de militarismo, presente em todos os seus filmes, inclsuive nos infantis.
A velha história de Chapéuzinho Vermelho e o lobo mau, se transforma no primeiro filme de mais uma série do tipo Crepúsculo, só que desta vez em lugar de vampiros entram os lobisomens.
     O flerte da Warner com as criaturas do mal, típicas do imaginário dos países frios e obscuros do hemisfério norte, me faz lembrar o clássico do cinema alemão O Gabinete de Dr. Caligari, filme de terror produzido nos anos 20, que os críticos dizem ter precedido o surgimento do nazismo.
     Segundo esses críticos, o filme alemão expressava o que ia pela alma alemã, ainda de forma inconsciente, e que se expressaria na barbárie nazista, com suas atrocidades contra a humanidade, em nome da vontade de dominar o mundo e impor uma ditadura mundial, sujeitando todos os povos à uma pretensa superioridade de uma classe superior que se pretendia injustiçada por não ser reconhecida como tal pelo resto do mundo.
     Os filmes da Warner parecem seguir o mesmo caminho, sempre mostrando o poder másculo dos povos anglo-saxões, em contradição com as fraquezas de um mundo dominado por forças fracas e facilmente domináveis, mas que pode ser salvo desde que se faça determinadas alianças com os poderes do mal.
     Mostrar vampiros românticos e injustiçados, ou fazer a Chapeuzinho se apaixonar pelo lobo mau, solitário na sua maldição, não deixam de ser uma forma de preparar as pessoas para a violência que se pretende soltar sobre o mundo, em nome de uma pretensa superioridade norte-americana, cada vez mais desafiada pela emergência de outros povos e países que pretendem dividir a hegemonia sobre o planeta.
     Se é verdade que a arte antecipa a vida, podemos nos preparar para algo de muito ruim, segundo as mais sinistras predições, antes que o mundo alcance realmente um estágio civilizatório em que os povos consigam viver em paz, unidos pela ciência e pela consciência de que somos uma só espécie e que todos os sonhos de dominação se transformam apenas em pesadelos passageiros, que só causam destruição e sofrimento.
    
O Potencial de Rio de Contas II

     Continuando com as propostas para o desenvolvimento sustentável de Rio de Contas, nosso município tão bonito e ainda preservado, creio que poderíamos nos tornar um pólo produtor de produtos orgânicos, já que nossa agricultura ainda tem a sorte de se basear em pequenas propriedades, facilmente organizáveis em torno de Associações (que já existem), embora o grande capital já esteja começando a chegar.
     O clima temperado e de altitude favorecem a produção de quase tudo em termos de fruticultura, desde a manga, a laranja, passando pela maçã, a uva e inclusive a azeitona (que já está sendo plantada por um grupo francês). Além disso temos a cana de açúcar e a produção artesanal de cachaça no baixio, que no entanto precisa de irrigação, pois apesar de Rio de Contas fornecer água pra Livramento e Dom Basílio, sua parte baixa não é irrigada.
     Para isso precisaríamos contar com uma Secretaria de Agricultura que realmente se preocupasse em apoiar o pequeno produtor, prestando assistência técnica e levando suas reivindicações às instâncias mais altas de governo, mas os técnicos do governo atual só vivem em reuniões destinadas a elaborar "projetos" para agariar fundos que só beneficiam um pequeno grupo.
     Assistência técnica de verdade significa colocar um agrônomo para cada 100 pequenas propriedades, fazendo um giro mensal de visitações, ininterrupto, capaz de orientar e tirar dúvidas de agricultores que seguem às cegas, tentando produzir, mas mantendo uma produtividade baixíssima,      
     Como não podemos contar com o atual governo, poderíamos criar um grupo para entrar em contato com a Secretaria Estadual de Agricultura e elaborar um projeto que abrangesse as associações (tanto as associações de pequenos produtores quanto as de moradores dos povoados), de forma que os agricultores do município tivessem um rumo coletivo, sabendo o que plantar, como plantar, onde e para quem vender, como produzir sem a utilização de venenos e, quem sabe, criando uma espécie de selo verde, atestando a produção orgânica para todo o município.
    Da mesma forma que propus a formação de um grupo de pessoas influentes e lideranças da cidade para negociar a questão do curso superior junto a Uesb, esse mesmo grupo poderia fazer a gestão junto ao governo Wagner, já se constituindo na verdade numa espécie de governo paralelo, para obter os benefícios que o município precisa na área da agricultura, inclusive no sentido de conseguir a implantação da Escola Família Agrícola, cujo projeto se encontra em mãos da vereadora Magdalena Mafra, o que beneficiaria toda a região, incluindo os municípios vizinhos.
     É uma boa forma de lutar pelo progresso de Rio de Contas, sem se desgastar mais com brigas e denúncias, enquanto aguardamos o triste fim do governo atual.

Sabadão de Aleluia

     Tem coisa melhor do que reencontrar velhos amigos? Pois então, este sábado de Aleluia finalmente reencontrei uma amiga que eu estava procurando a tempos, em Brasília.
     A arquiteta Lúcia Borges, colega de colégio, personagem importante na minha vida por muitas vivências boêmias e amorosas. Que prazer encontrá-la tão viva, saudável e com o mesmo bom humor e alegria de viver de sempre. O sabadão de Aleluia que ela promoveu em sua deliciosa casa, num condomínio em meio a natureza foi ótimo.
     Obrigado Lúcia por você continuar sendo esta figura marailhosa.


sábado, 16 de abril de 2011

Rapidinhas

FIOL

     Tive acesso ao RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) da Ferrovia de Integração Oeste Leste, que cortará a Bahia pela região sudoeste, saindo de Ilhéus e indo até Figueirópolis no Tocantins.
     A ferrovia passará entre Brumado e Livramento, na altura de Itaquaraí, onde haverá um pátio intermodal, ou seja, onde as cargas dos caminhões serão estocadas para serem embarcadas nos trens.
     É claro que isso irá provocar uma enorme transformação na região, abrindo milhares de empregos e fazendo que uma classe que já foi muito forte no Brasil, a dos ferroviários, recupere sua importância.
     Para ter acesso ao pecurso da ferrovia basta copiar e colar o link abaixo:
     http://www.seplan.ba.gov.br/sgc/arquivos/20100315_121003_mapa_ferrovia_oeste_leste.pdf
     para ter acesso ao rima o endereço é este:
     http://www.seplan.ba.gov.br/sgc/arquivos/20100427_160923_88FOL_RIMA_V2.pdf

Aeroporto de Conquista

      Esta semana pude ler o Plano Diretor de Vitória e o Código de Uso do Solo e de Edificações e Obras de Vitória da Conquista, documentos que me pareceram de excelente qualidade, elaborados na gestão do Prefeito José Raimundo.
      Tudo que reclamamos em artigo anterior, que estaria faltando na cidade em termos de política urbana, está previsto lá, assim como no Código do Meio Ambiente. Falta colocar em prática.
     Parece, no entanto, que a atual gestão não encara esses instrumentos com a devida importância. Porque será?
     À propósito, parece que o novo aeroporto de Conquista vai mesmo sair no povoado conhecido como Pé de Galinha. Dizem as más línguas que Conquista resolveu imitar o Rio de janeiro. Lá o aeroporto é o Galeão, em Conquista será o do Galinhão. Ô gente maldosa...


O potencial de Rio de Contas

     Rio de Contas é um lugar fantástico, cercado pela Serra das Almas, cheio de encanto, de clima muito aprazível e dona de um patrimônio histórico invejável.
     Conheci muita gente que chegou por lá cheia de projetos, dizendo como a cidade deveria ser, mas que na verdade trouxe eses projetos prontos de outros lugares e tentava implantar suas idéias sem consultar os habitantes locais.
     Esses, por sua vez, parecem ignorar tudo isso e seguem sua vida, como se o mundo lhes fosse indiferente, especialmente os moradores das áreas rurais, que viveram muito tempo isolados e se tornaram reféns de políticas clientelistas, geradoras de atraso e pobreza.
     No entanto, o município tem um grande potencial em várias áreas, que eu gostaria de começar a discutir aqui, não como mais uma idéia de alguém de fora, mas como uma tentativa de debater com os leitores desse blog, após tantos anos residindo por lá, conhecendo e observando as riquezas das suas terras e da sua gente.
     Como primeira sugestão gostaria de resaltar que o município tem vocação para sediar várias atividades culturais, entre as quais cursos universitários, a exemplo de Ouro Preto, o que traria grande dinamismo para sua economia sem ameaçar o patrimônio histórico. A própria Universidade do Sudoeste da Bahia poderia abrir um Campus Avançado por lá, criando alguns cursos na área de história, arqueologia, geologia, agricultura natural e outros.
     Quem não gostaria de fazer um curso em lugar tão especial? Creio que se uma comissão fosse à UESB fazer a sugestão, talvez uma comissão formada por alguns vereadores, comerciantes, pessoas influentes da cidade, com a presença de algum deputado estadual e/ou federal, poderíamos ter alguma chance de êxito.
     Acho que ficar esperando uma iniciativa da Prefeitura é uma perda de tempo.
     Está na hora da sociedade local se mobilizar em busca de um futuro melhor para o município e seus habitantes.
    
     O Prazer de Matar

     Não precisa ir muito longe para entender as causas de tantos assassinatos irracionais, com gente atirando nas outras pelo simples prazer de se sentir poderoso. Basta entrar numa lan house em qualquer lugar do Brasil e ver os joguinhos eletrônicos que são franqueados livremente a qualquer criança.
     A maioria deles tem como único tema o assassinato com armas de fogo, onde o jogador é colocado operando uma arma e vai eliminando pessoas que aparecem na sua frente, ensinando aos jovens que matar pode ser uma diversão e que quanto mais pessoas você matar, mais pontos você faz para ganhar o jogo.
     Esse tipo de jogo é uma verdadeira escola de violência e deveria ser proibido, mas logo que se faz uma crítica vem o lobby dos fabricantes que colocam psicólogos para dizer que isso não tem influência alguma sobre a formação do caráter dos jovens.
     Se não tivesse não haveria censura de idade para espetáculos diversos, vedando aos mais jovens o acesso a episódios de violência gratuita.
     Já passou da hora de acabar com isso.
A parte que eu deixei

     Esse é o título do livro de poesias que ganhei do autor, Fillipe Sampaio.
     A impressão que tive ao fazer as primeiras leituras é a de que a poesia brota da alma de Fillipe assim como a água limpa brota da fonte: aos borbotões. 
     A emoção que a leitura de sua poesia provoca também é muito forte. Deixo aqui para vocês uma pequena amostra: 

     Tais questões
E então tais questões tomaram conta dos meus dias. Questões que não me sossegam, que não se respondem; que flutuam o tempo inteiro nos balões. São questões insolucionáveis!
Meus olhos perderam o foco, ficam bêbados ao horizonte do nada, sempre buscando resposta às questões...
Meus lábios perderam o sabor e agora tem sabor nenhum e ousam sempre sorrir ao horizonte do nada, sempre buscando resposta às questões...
Minhas mãos perderam a coordenação, vagam inusitadamente pelo meu corpo de horizonte do nada, sempre buscando resposta às questões.
É tão confuso não pensar ou pensar. É tão confuso, tudo tão confuso e tão claro ao mesmo tempo.
Eu queria saber do clima... Você vai sentir minha falta? Tenho medo que um dia chegue e que você não saiba meu nome, para jogarmos de novo.
Acredite, você é mais que uma melodia e mesmo assim eu canto.

Volte atrás, vire-se.
Às vezes me sinto um pouco só e você nunca está, por perto.
Às vezes eu me sinto um pouco exausto de ouvir o som das minhas lágrimas.
Às vezes me stresso quando penso no melhor dos dias que se passaram.
Às vezes eu sinto um pouco de medo e então vejo o seu olhar.
De vez em quando eu caio em prantos.
Às vezes eu me sinto um pouco sem ar e sonho com algo selvagem.
De vez em quando eu preciso de ajuda e me deito como criança sem seus braços.
Às vezes me sinto um pouco com raiva e sei que tenho que sair e chorar.

E eu preciso de você essa noite, eu preciso de você mais do que nunca e se você simplesmente me abraçar forte, nós ficaremos abraçados para sempre. E estaremos somente fazendo o certo porque nunca estaremos errados. Juntos nós poderemos levar isso até o limite por que seu amor é como uma sombra sobre mim o tempo todo.
Eu não sei o que fazer, estou sempre no escuro, estamos vivendo em um barril de pólvora e soltando faíscas e eu realmente preciso de você esta noite. A eternidade começou hoje à noite.

"Era uma vez... eu me apaixonei" e agora estou simplesmente desabando. Não há nada que eu possa fazer.

Durante algum tempo houve luz na minha vida e agora só há amor obscurecido.
Nada que eu possa dizer.

Às vezes eu sei que você nunca será a pessoa que sempre quis ser.
Às vezes sei que você sempre será a única pessoa que me aceita como eu sou.
E então eu sei que não há ninguém no universo tão mágico e maravilhoso quanto você.
Às vezes eu descubro que não há nada melhor e não há nada que eu não possa fazer.

     Fillipe é músico, poeta e estudante de arquitetura, vive em Vitória da Conquista, na Bahia,  e me autorizou a colocar suas poesias no blog. Atenção editores, aí está um grande talento surgindo.

     

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Rapidinhas


Capitalismo

     A tragédia dos ataques a escolas finalmente chegou ao Brasil.
     Infelizmente a minha cidade, o Rio de Janeiro, foi vítima de mais essa violência covarde, contra crianças indefesas. Até quando vamos ver essa degradação do ambiente social? Primeiro assaltos, depois crime organizado, agora atos terroristas de psicopatas enlouquecidos...
     Os noticiários da semana falam de derretimento excessivo da calota de gelo no Pólo Norte e da Groleândia e do descontrole das superbactérias que provavelmente vão causar grandes epidemias espalhadas pela água. Como degelo significa sempre muita chuva e inundações, o caldo de cultura para o desastre ambiental está completo.
     Associe-se a isso furacões e terremotos com vazamento de usinas nucleares, como no Japão, para termos um cenário catastrófico.
     Isso tudo é fruto do crescimento descontrolado da economia capitalista que só visa a busca de lucros, desestimulando a solidariedade e a paz entre os seres humanos.
     Só o que se fala é de competição, competição, competição...
     O resultado é este.
     Está na hora de voltarmos a falar no socialismo, democrático é claro, e na cooperação, contra a loucura do capitalismo desenfreado.
     
Luz e Trevas

     De repente me dei conta de que o atraso político de Rio de Contas não é apenas obra do acaso, mas paga um tributo a um passado de crimes e coronelismo, de escravidão e banditismo, que dominaram essas serras durante muitos séculos.
     Como esses lugares atrasados que ficam isolados muito tempo, Rio de Contas precisa de uma ruptura com seu passado para se renovar, o que significa tirar a cidade do domínio das famílias que se autoproclamam tradicionais e que não deixam que o novo chegue.
     Só uma coalizão libertadora, sem a presença nefasta de nenhum desses elementos que há tanto tempo poluem a política local pode livrar a cidade do seu passado e trazer a luz para onde reinam as trevas políticas.
     O obscurantismo das bruxarias e outras práticas antigas enraizadas nessa comunidade precisa ser lavado com um rio de almas novas, descomprometidas com as velhas práticas, ao contrário do que dizem esses que se consideram donos da cidade.
     A propósito, o mapa da bruxaria no município leva ao Distrito de Rio da Caixa, passando pelo do Brumadinho, segundo dizem os entendidos. É lá que se praticam essas maldades ocultas, esse lidar com os espíritos primitivos, que mantém a cidade atrelada à escuridão.
     A mudança virá, e isso depende muito dos que aqui nasceram e foram estudar fora. Depende também da chegada de gente nova, com novas idéias e disposição para fazer as mudanças necessárias.
     Água mole em pedra dura...
    
 A Boa Notícia da Semana
     Ollanta Humala, um índio peruano alinhado com as modernas idéias de esquerda, acaba de vencer o primeiro turno das eleições no Perú, passando para o segundo turno junto com a filha do ex-ditador Fujimori, que tem poucas chances de aglutinar em torno de si a centro direita derrotada.
     Caso se confirme a vitória de Humala (o segundo turno será em junho) cai o penúltimo bastião da direita tradicional  na América do Sul, restando apenas a Colômbia. Uma América do Sul unida em torno de seus próprios intereses e voltada para seus próprios problemas é prenúncio de um futuro melhor para todos do continente, nos afastando do perigo de intervenções imperialistas, com suas guerras e com seus desígnios de nos manter dominados e subdesenvolvidos.
     O Chile, apesar de viver um intervalo direitista em uma série de governos de esquerda, deve voltar às mãos da esquerda nas próximas eleições, assim que esta conseguir concluir o processo interno de renovação de seus quadros.
     Viva Humala!
      
Yuri
 
     Dia 12 de abril se completam 50 anos do primeiro voo orbital tripulado por um ser humano, o cosmonauta soviético Yuri Gagárin.
     Gagárin, o primeiro ser humano a contemplar o planeta do espaço declarou durante o seu voo de apenas 108 minutos: A Terra é azul
      50 anos depois, esperamos que a Terra continue azul, para que nela possamos viver em paz, quem sabe relizando o sonho de outro visionário, Jonh Lennon, que na sua música "Imagine". disse: imagine que não existam mais países. Sem países divididos por interesses comerciais despareceriam as guerras e poderíamos construir um futuro comum sobre essa nossa maravilhosa casa azul.